Sistemas de invasão digital de alta precisão, antes restritos a governos e grandes operações de espionagem, continuam se espalhando sem controle para o cibercrime comum. Coruna e DarkSword, programas projetados para invadir celulares iPhone, saíram das mãos dos criadores originais e ganharam escala global.
O movimento, observado no início do ano, acelerou nos últimos meses. Atualmente, os criminosos utilizam versões modificadas das ferramentas para roubar senhas de empresas e esvaziar carteiras de moedas digitais.
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A proliferação marca uma mudança relevante no universo da segurança digital. Há poucos anos, ferramentas capazes de furar as defesas do sistema iOS exigiam investimentos milionários e ficavam restritas a agências estatais. O kit Coruna, por exemplo, reúne 23 falhas de segurança e teve um custo estimado entre 30 e 40 milhões de dólares. O sistema foi criado por uma divisão de tecnologia militar dos Estados Unidos e, depois, acabou vendido no mercado clandestino.
Já o DarkSword, feito para atingir versões recentes do sistema operacional do iPhone (como o iOS 18), tem origens ligadas a uma empresa de vigilância do Oriente Médio que encerrou as atividades. Análises da empresa de segurança iVerify revelaram, inclusive, que o nome da ferramenta veio de uma linha de código interna do próprio programa usada para capturar senhas de redes Wi-Fi.
Em entrevista sobre o avanço recente dessas ameaças, o vice-presidente de pesquisa da iVerify, Matthias Frielingsdorf, alertou para a facilidade de operação dessas ferramentas: “Em cinco minutos, você pode implantar uma cadeia de exploração do iOS. Isso é extremamente perigoso e extremamente fácil de proliferar”.
Versões modificadas e criação do vírus ‘Darkuna’
A disseminação ganhou velocidade comercial. A iVerify rastreou cerca de 17 mil sites na internet que hospedam versões modificadas do Coruna e do DarkSword. Essas variantes foram alteradas por grupos criminosos para contornar antivírus, invadir o aplicativo Telegram e extrair dados financeiros.
Pesquisadores das empresas iVerify e Palo Alto Networks identificaram ainda o surgimento do “Darkuna”: uma fusão que junta as técnicas das duas plataformas em uma única ferramenta.
A mecânica de contágio utiliza a tática da “armadilha em site confiável”. Os investigadores identificam que as primeiras campanhas do DarkSword infectaram portais de notícias na Ucrânia com códigos invisíveis. Quando a vítima acessa a página pelo navegador do celular, o sistema sofre a invasão sem a necessidade de clicar em nenhum link. O programa se esconde ao se misturar com as rotinas normais do próprio telefone, como os controles de bateria e reprodução de mídia.
Uma vez dentro do aparelho, as ferramentas extraem conversas de aplicativos como WhatsApp e Telegram, fotos, anotações e senhas. Além dessa invasão, o sistema faz uma busca automática por dados de aplicativos de moedas virtuais, como Binance, Coinbase e MetaMask.
Cofundador da iVerify, Rocky Cole destacou o risco que a falta de atualização dos aparelhos traz para as empresas. “O DarkSword ainda funciona no iOS 18. E 25% dos usuários de iOS ainda rodam o 18, e essa ferramenta está no GitHub para qualquer um acessar. O DarkSword, em particular, acessa o chaveiro do iPhone e rouba senhas. E nós o vimos ser usado para fazer login em sistemas corporativos”, avaliou ele.
A Apple lançou correções para as falhas aproveitadas pelo Coruna em 2023 e 2024, e corrigiu as brechas do DarkSword em atualizações recentes distribuídas em 2026. Ainda assim, aparelhos que continuam sem as atualizações mais recentes permanecem vulneráveis.
Especialistas da iVerify alertam que a fronteira entre espionagem governamental e crimes financeiros praticamente desapareceu, o que exige atenção constante para manter os celulares atualizados.
Por falar em vulnerabilidades no universo digital, uma falha de quase 20 anos no Linux permite acesso total a servidores e fuga de containers. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
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