Pesquisadores da empresa de cibersegurança SentinelLABS identificaram um novo vírus para computadores Mac que usa uma tática inédita para escapar da detecção. O programa malicioso, batizado de macOS.Gaslight, foi projetado para confundir sistemas de inteligência artificial usados por analistas de segurança na hora de inspecionar arquivos suspeitos.
A Apple já atualizou sua ferramenta de proteção interna, o XProtect, para detectar o arquivo. Mesmo assim, o vírus não era identificado por outros programas antivírus no momento da descoberta.
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O que é e de onde veio
O macOS.Gaslight é um tipo de programa chamado infostealer, ou seja, um software criado para roubar informações do computador da vítima. Ele foi desenvolvido em Rust, uma linguagem de programação moderna, e é voltado exclusivamente para Macs.
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Os pesquisadores atribuem o vírus com alto grau de confiança a um grupo de hackers alinhado à Coreia do Norte. Isso porque a Apple classificou o arquivo sob uma família de ameaças chamada BONZAI, que a SentinelLABS já associou a atividades norte-coreanas.
O golpe contra a inteligência artificial
A característica mais incomum do vírus é um bloco de texto de 3,5 KB embutido no próprio arquivo. Esse bloco contém 38 mensagens falsas que imitam o formato de um sistema de análise automatizada por IA.
Essas mensagens fabricadas simulam erros técnicos graves, como falta de memória, disco cheio e falhas repetidas de operação. A ideia é fazer com que o sistema de IA que está analisando o arquivo acredite que algo deu errado e abandone a investigação antes de concluí-la.
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Isso é o que os pesquisadores chamam de prompt injection, basicamente uma tentativa de manipular uma IA inserindo instruções disfarçadas dentro dos dados que ela está processando.
Como o vírus se comunica com os hackers
O programa usa o Telegram, aplicativo de mensagens popular mundialmente, para receber ordens e enviar dados roubados. Isso porque o Telegram oferece uma API gratuita que permite criar bots, e os hackers usaram esse recurso para montar um canal de comando.
Para dificultar ainda mais a detecção, toda a comunicação é criptografada com um sistema chamado AES-GCM e o tráfego passa por um certificado personalizado. Isso impede que ferramentas tradicionais de monitoramento de rede consigam ler o conteúdo das mensagens.
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Outro detalhe técnico relevante é que o vírus apaga automaticamente o token do bot do Telegram em seus próprios registros de atividade. Isso significa que mesmo que alguém capture os logs do programa em funcionamento, não conseguirá encontrar a chave de acesso usada pelos operadores.
O que o vírus faz na máquina
Uma vez instalado, o macOS.Gaslight roda em segundo plano e dá aos atacantes controle remoto sobre o computador. Eles podem executar comandos, encerrar processos, enviar e receber arquivos e até abrir um terminal interativo diretamente pela conversa no Telegram.
Para garantir que o computador não entre em modo de economia de energia e interrompa a comunicação, o vírus usa um recurso do próprio macOS que impede o sistema de dormir.
Além disso, o programa instala um módulo em Python capaz de coletar dados do navegador, histórico de comandos do terminal, lista de aplicativos instalados, processos em execução e uma cópia do arquivo login.keychain-db, que é onde o Mac armazena senhas salvas.
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Para persistir no computador mesmo após reinicializações, o vírus cria um arquivo de configuração disfarçado de serviço legítimo da Apple, usando o identificador com.apple.system.services.activity. Esse tipo de camuflagem dentro do domínio oficial da Apple é uma tática recorrente em malwares ligados à Coreia do Norte.
O que isso significa para a segurança digital
O macOS.Gaslight representa uma evolução nas táticas de evasão. Vírus que tentam enganar ferramentas de IA ainda são raros, mas a tendência é que essa abordagem se torne mais comum à medida que analistas de segurança adotam sistemas automatizados com inteligência artificial.
A recomendação dos pesquisadores é que qualquer pipeline de análise automatizada trate o conteúdo dos arquivos inspecionados como dado potencialmente hostil, nunca como instrução confiável.
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