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Roda Viva é usado para golpes financeiros no X

Criminosos criam anúncios com imagens geradas por IA para enganar usuários com promessa de R$ 22 mil por mês. TV Cultura se manifestou sobre o caso.

Avatar do(a) autor(a): Cecilia Ferraz

schedule05/06/2026, às 13:00

updateAtualizado em 05/06/2026, às 13:14

Criminosos estão usando a rede social X para espalhar anúncios falsos sobre uma suposta briga entre o CEO do BTG Pactual, Roberto Sallouti, e a jornalista Vera Magalhães, apresentadora do Roda Viva, da TV Cultura. As publicações, feitas por perfis recém-criados, incluem imagens geradas por inteligência artificial que mostram o executivo jogando água no rosto da jornalista — cena que nunca aconteceu.

O link nos anúncios redireciona o usuário para uma página falsa que imita o site da TV Cultura. O objetivo é vender um suposto aplicativo de investimentos chamado NeoCapital, que promete rendimento de R$ 22 mil por mês.

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Página falsa usa nome de jornalista para dar credibilidade ao golpe

A página fraudulenta simula uma matéria jornalística completa, com texto, transcrições de diálogos e até uma seção de comentários, tudo inventado. No roteiro fabricado, Vera Magalhães descreve o NeoCapital como "um protocolo movido por inteligência artificial matematicamente melhor do que qualquer fundo de pensão neste país".

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Anúncio no X inclui link para página que imita o site da Fundação Padre Anchieta; ao clicar no suposto vídeo, o usuário é redirecionado para o site fraudulento do NeoCapital. Imagem: X/TecMundo.

O texto inclui relatos falsos de pessoas comuns que teriam investido R$ 1.050 na plataforma e passado a receber R$ 24 mil por mês. Há também uma falsa entrevista com essas supostas vítimas que "mudaram de vida" com o aplicativo.

Vera Magalhães nunca fez declarações desse tipo e Roberto Sallouti nunca participou do Roda Viva. As imagens que simulam a briga foram, provavelmente, geradas por IA ou recortadas de outras aparições públicas das duas figuras.

Como o golpe funciona na prática

O esquema segue uma técnica clássica de desinformação, que inclui criar uma narrativa dramática para prender a atenção do leitor e, depois, usá-la para conduzir a vítima a uma ação específica. Nesse caso, a ação é fornecer dados pessoais e fazer um depósito financeiro.

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Após clicar no link, a vítima é recebida por uma suposta gerente chamada Mariana, que pede dados pessoais e induz o usuário a fazer um depósito mínimo de R$ 1.050. Imagem: TecMundo.

Ao acessar o site falso, o usuário responde a um formulário com perguntas como nacionalidade, faixa etária, se tem filhos, se possui conta em banco brasileiro e qual é a sua situação de emprego. Isso é engenharia social, uma técnica usada por criminosos para construir um perfil detalhado da vítima e tornar o golpe mais convincente.

Depois do cadastro, os golpistas pedem nome, sobrenome, e-mail e número de celular. O próximo passo é aguardar uma ligação de um "representante oficial" para confirmar os dados antes de fazer o depósito mínimo de R$ 1.050.

Para pressionar a vítima, o site exibe um contador regressivo com prazo até as 23:59 de determinado dia. A mensagem diz que a vaga só fica reservada por 24 horas. Se nenhum gerente entrar em contato nesse período, a suposta vaga é cancelada. Esse tipo de pressão artificial é chamado de gatilho de urgência, recurso muito usado em golpes online para impedir que a vítima pense com calma antes de agir.

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Golpistas usam imagens criadas com inteligência artificial que simulam uma briga entre Roberto Sallouti e Vera Magalhães no Roda Viva; o episódio nunca aconteceu. Imagem: X/TecMundo.

Deepfakes e sites clonados

Além das imagens estáticas com IA, esse tipo de golpe costuma usar deepfakes, vídeos nos quais a voz e os movimentos labiais de personalidades públicas são alterados digitalmente para parecer que estão dando depoimentos reais. Esse tipo de tecnologia está cada vez mais acessível e tem sido amplamente explorada por golpistas para dar aparência de legitimidade a esquemas fraudulentos.

O uso de layouts que imitam veículos de comunicação conhecidos, como foi o caso da TV Cultura, é outra estratégia comum. O objetivo é fazer com que o conteúdo falso pareça notícia de verdade, reduzindo a desconfiança da vítima.

TV Cultura emite nota de repúdio

A Fundação Padre Anchieta, mantenedora da TV Cultura, publicou uma nota sobre o uso indevido da marca da emissora. O texto diz que a instituição "não aprova a utilização e a alteração de suas propriedades intelectuais, por meio de Inteligência Artificial, para a criação deliberada de conteúdo enganoso e a exposição inapropriada de seus jornalistas, apresentadores e colaboradores".

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Anúncio publicado no X mostra imagem gerada por IA de uma suposta briga nos bastidores do Roda Viva; o conteúdo falso é usado para atrair cliques em links fraudulentos. Imagem: X/TecMundo.

A fundação informou que notifica as plataformas de redes sociais sempre que identifica o uso irregular de suas marcas ou a associação não autorizada de seus conteúdos a publicações falsas. Caso as providências solicitadas não sejam adotadas, a instituição afirma que recorrerá a medidas jurídicas mais severas.

Como se proteger

Desconfie de anúncios com histórias dramáticas envolvendo celebridades ou jornalistas conhecidos, especialmente quando o conteúdo aparece em perfis recém-criados ou sem histórico de publicações. Antes de clicar em qualquer link, verifique se a notícia aparece no site oficial do veículo citado.

Nenhuma plataforma de investimento legítima garante rendimentos fixos e elevados, nem exige depósitos feitos após uma ligação telefônica. Se receber uma chamada desse tipo, desligue e procure o canal oficial da empresa para confirmar se o contato é verdadeiro.

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