Logo TecMundo
Segurança

58% dos líderes de segurança consideram pagar resgate em ataques de ransomware

Pesquisa da Absolute Security aponta que tempo de inatividade e dificuldade de recuperação continuam pressionando empresas durante ataques de ransomware.

Avatar do(a) autor(a): Cecilia Ferraz

schedule14/05/2026, às 17:45

Uma pesquisa divulgada pela Absolute Security  mostrou que mais da metade dos líderes de segurança cibernética consideraria pagar um resgate em caso de ataque de ransomware. O levantamento ouviu 750 CISOs de empresas dos Estados Unidos e do Reino Unido e apontou que 58% aceitariam negociar com criminosos para recuperar sistemas criptografados mais rapidamente.

Ransomware é um tipo de ataque em que criminosos invadem redes corporativas, bloqueiam arquivos e exigem pagamento para devolver o acesso. Em muitos casos, os sistemas ficam indisponíveis por dias, afetando operações, atendimento e até serviços essenciais.

smart_display

Nossos vídeos em destaque

Tempo de inatividade é a principal preocupação

Segundo o relatório, o principal motivo para considerar o pagamento é o impacto operacional causado pela paralisação dos sistemas. Os CISOs afirmaram que o tempo de inatividade seria o efeito mais grave de um incidente desse tipo.

ransomware-malware.jpg
Recuperação lenta e dependência de processos manuais ampliam os efeitos de ataques de ransomware nas organizações.

Além disso, as empresas também demonstraram preocupação com perda de dados, danos à reputação, prejuízos financeiros e possíveis penalidades regulatórias. Isso acontece porque ataques de ransomware podem interromper atividades inteiras e expor informações sensíveis de clientes e parceiros.

A pesquisa mostrou diferenças entre os países analisados. Nos Estados Unidos, 63% dos CISOs disseram que considerariam pagar o resgate. No Reino Unido, esse número caiu para 47%.

Segundo a Absolute Security, essa diferença pode estar ligada a regras mais rígidas no Reino Unido contra o pagamento de resgates, além das exigências do GDPR, legislação europeia voltada à proteção de dados. Outro fator citado foi a menor confiança de que os criminosos realmente devolverão os dados após o pagamento.

maos-segurando-chave-e-dinheiro-em-frente-a-notebook-criptografado
Pagamento de resgates ainda divide empresas, especialmente diante da pressão para retomar serviços rapidamente.

Empresas acreditam estar preparadas, mas recuperação ainda é lenta

Mesmo com o crescimento desses ataques, muitos executivos ainda acreditam que suas empresas conseguiriam se recuperar rapidamente. Cerca de 83% dos CISOs disseram estar confiantes na capacidade de recuperação de suas organizações.

Na prática, porém, os resultados mostram um cenário diferente. Entre as empresas que já sofreram ataques de ransomware, 57% afirmaram que a restauração dos sistemas levou até uma semana. Outros 20% disseram que precisaram de até duas semanas para normalizar as operações.

Nenhum dos entrevistados afirmou que conseguiu recuperar os sistemas em menos de 24 horas. Para a Absolute Security, existe uma grande diferença entre a confiança das empresas e sua real capacidade de resposta diante de um ataque.

maos-digitando-em-um-teclado-de-computador
CISOs apontam que a paralisação das operações é hoje o maior impacto causado por ataques cibernéticos.

O relatório descreve essa diferença como um dos principais desafios atuais do ransomware. Muitas organizações acreditam estar preparadas, mas descobrem durante o incidente que seus processos de recuperação são lentos e limitados.

Dependência de recuperação física preocupa especialistas

Outro dado que chamou atenção dos pesquisadores, é que cerca de 59% das empresas afirmaram que precisam ter acesso físico aos dispositivos comprometidos para corrigir e restaurar sistemas após um ataque.

Esse processo é conhecido informalmente como “sneaker net”. Na prática, significa que equipes de TI precisam recolher computadores ou acessar máquinas presencialmente para fazer reparos. Isso pode atrasar ainda mais a recuperação das operações.

codigo-programação-fluxo-inteligência-artificial
Falhas em endpoints e sistemas corporativos continuam entre as principais portas de entrada para ataques de ransomware.

A pesquisa mostrou ainda que apenas 53% das organizações possuem recursos de recuperação remota. Isso indica que quase metade das empresas ainda depende de processos manuais em situações críticas.

Os dispositivos finais, como notebooks corporativos e máquinas usadas remotamente, continuam entre os pontos mais vulneráveis. Nos últimos 12 a 18 meses, 57% dos CISOs relataram ataques iniciados em dispositivos móveis, híbridos ou remotos.

Além disso, 58% disseram que incidentes desse tipo deixaram equipamentos completamente inoperantes. Segundo a empresa, falhas em controles de segurança de endpoints acontecem em cerca de 20% dos casos analisados em milhões de computadores monitorados.

acesso-segurança-senha-sistemas
Empresas ainda enfrentam dificuldades para restaurar sistemas após ataques de ransomware, especialmente em ambientes com dispositivos remotos e infraestrutura legada.

IA pode ampliar impacto de ataques

O estudo também destacou o desafio de corrigir sistemas antigos. Para 42% dos entrevistados, aplicar patches em softwares legados está entre as tarefas mais difíceis na prevenção contra ransomware.

A preocupação aumenta com o avanço da inteligência artificial. O relatório cita que ferramentas baseadas em IA podem acelerar a descoberta e exploração de vulnerabilidades tanto por defensores quanto por criminosos.

Christy Wyatt, presidente e CEO da Absolute Security, afirmou que empresas precisam investir em resiliência para reduzir impactos operacionais e acelerar a recuperação após incidentes.

Segundo ela, organizações que conseguem restaurar rapidamente a continuidade dos serviços têm mais chances de evitar ciclos prolongados de interrupção. A executiva também alertou que ataques baseados em IA devem se tornar cada vez mais frequentes nos próximos anos.

Acompanhe o TecMundo nas redes sociais. Inscreva-se em nossa newsletter e canal do YouTube.

star

Continue por aqui