A empresa de cibersegurança ESET identificou 28 aplicativos Android na Google Play Store que cobravam dos usuários para exibir o histórico de chamadas, SMS e ligações pelo WhatsApp de qualquer número de telefone. Os apps não tinham nenhuma tecnologia capaz de fazer isso. Os dados entregues após o pagamento eram completamente inventados.
Juntos, os aplicativos acumularam mais de 7,3 milhões de downloads antes de serem removidos. A descoberta foi reportada ao Google em dezembro de 2025. Todos os apps foram retirados da loja após a notificação.
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Apps que prometiam o impossível
O que os aplicativos prometiam é tecnicamente inviável. Nenhum app tem acesso ao histórico de chamadas ou mensagens de um número de telefone alheio. Essas informações são protegidas pelas operadoras e pelos próprios sistemas operacionais dos celulares.
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Mesmo assim, os apps apresentavam uma interface simples e convincente. O usuário digitava um número de telefone qualquer, e o app exibia um "resultado parcial" para parecer que a busca tinha funcionado. Para ver o histórico completo, era preciso pagar.
Após o pagamento, o que aparecia eram nomes, números e horários gerados aleatoriamente. Esses dados estavam embutidos diretamente no código dos aplicativos e não tinham nenhuma relação com o número pesquisado.
Dois modelos de golpe
A ESET identificou dois grupos de apps com abordagens diferentes. No primeiro grupo, o app já mostrava um histórico falso e parcial antes do pagamento. A ideia era criar a impressão de que o sistema funcionava, induzindo o usuário a pagar para "desbloquear" o restante.
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No segundo grupo, o app pedia o endereço de e-mail do usuário. A promessa era de que o histórico seria enviado para aquele e-mail após o pagamento. Nenhum dado era gerado de fato, e nenhum e-mail com informações reais chegava.
Em pelo menos um caso, os pesquisadores identificaram uma tática extra para convencer quem ainda não tinha pago. Se o usuário fechasse o app sem assinar, recebia uma notificação falsa dizendo que o histórico tinha chegado no e-mail. Ao clicar na notificação, era levado direto para a tela de assinatura.
Como os pagamentos eram cobrados
Os apps usavam três formas de cobrança. A primeira era pelo sistema oficial da Google Play, que exige assinatura dentro da própria loja. A segunda era por meio de aplicativos de pagamento terceiros compatíveis com UPI, um sistema de transferências instantâneas muito popular na Índia. A terceira era por formulários de cartão de crédito inseridos diretamente dentro do app.
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As duas últimas formas violam as políticas da Google Play. Além disso, dificultam o reembolso, já que o Google só consegue estornar pagamentos feitos pelo sistema oficial da loja. Os preços variavam bastante entre os apps. O plano mais barato custava em média 5 euros. O mais caro chegava a 80 dólares.
Como os aplicativos não pediam permissões invasivas no celular, não acessavam câmera, microfone, contatos nem arquivos, é difícil que ferramentas de segurança consigam detectar a atividade fraudulenta.
Foco na Índia e na região Ásia-Pacífico
A campanha tinha como alvo principal usuários da Índia e de outros países da Ásia-Pacífico. A maioria dos apps vinha com o código telefônico da Índia (+91) já pré-selecionado e aceitava UPI como forma de pagamento.
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Um dos aplicativos foi publicado com o nome de desenvolvedor "Indian gov.in", simulando ser um serviço oficial do governo indiano. Não havia nenhuma ligação real com o governo.
Os apps acumularam avaliações negativas nas lojas, com usuários relatando que foram enganados e nunca receberam o que foi prometido. Ainda assim, chegaram a 7,3 milhões de downloads no total. Um único app respondeu por mais de 3 milhões dessas instalações.
O que fazer se você foi vítima
Quem assinou por meio do sistema oficial da Google Play pode tentar cancelar e solicitar reembolso diretamente pela loja. O processo é feito acessando o ícone de perfil, depois "Pagamentos e assinaturas" e em seguida "Assinaturas".
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Quem pagou fora do sistema da Google Play, seja por UPI ou por cartão de crédito inserido no app, não pode solicitar reembolso ao Google. Nesses casos, é necessário acionar diretamente o provedor de pagamento utilizado ou tentar contato com o desenvolvedor do aplicativo.
Com a remoção dos apps, as assinaturas ativas feitas pelo sistema oficial da loja foram automaticamente canceladas.
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