Criminosos estão explorando a expectativa pelos shows do BTS no Brasil para aplicar golpes de venda de ingressos falsos. Ao menos 10 páginas que imitam o site oficial da Ticketmaster foram identificadas só em abril de 2026, segundo levantamento da empresa de segurança Kaspersky.
As apresentações do grupo de K-pop estão marcadas para 28, 30 e 31 de outubro no Estádio do Morumbi, em São Paulo. É o primeiro retorno da banda ao país em sete anos.
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Novo formato de compra é explorado pelos criminosos
Este ano, a Ticketmaster implementou um novo formato de aquisição de ingressos. O processo agora envolve uma pré-reserva online combinada com retirada e pagamento presencial na bilheteria oficial. As reservas têm início nesta semana, com operações previstas entre 7 e 10 de abril.
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Segundo a Kaspersky, os golpistas estão aproveitando justamente a novidade para confundir fãs desavisados. Além da pressa para garantir um ingresso, possíveis dúvidas sobre como o novo processo funciona aumentam a vulnerabilidade do consumidor.
"A tendência é que novos domínios fraudulentos surjam ao longo dos próximos dias", alerta Fabio Assolini, lead security researcher da Equipe Global de Pesquisa e Análise da Kaspersky para a América Latina.
Sites copiam Ticketmaster e simulam processo de compra
As páginas falsas reproduzem a estrutura visual da Ticketmaster com alto grau de fidelidade. Layout, identidade visual e etapas do processo de compra são replicados para confundir o usuário.
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O primeiro sinal de alerta está na URL. Enquanto o site legítimo termina em ".com.br", os endereços falsos identificados usam extensões como ".online", ".website" e ".site". Nesta terça-feira (7), enquanto o site oficial indicava ingressos esgotados, as páginas fraudulentas ainda exibiam entradas disponíveis, com preços entre R$ 340 e R$ 990.
Dados pessoais coletados antes do pagamento
Em ao menos um dos sites, a vítima é solicitada a preencher CPF, nome completo, e-mail, cidade e número de celular antes de concluir a compra. O pagamento é então direcionado para o PIX, geralmente vinculado a contas de laranjas em fintechs, modus operandi já conhecido nesse tipo de fraude.
A Kaspersky identificou uma evolução na tática. Alguns sites chegam a exibir a opção de pagamento por cartão, mas apresentam alertas de "alta demanda" para pressionar o usuário a trocar o método para PIX.
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"Antes, o pagamento exclusivamente via PIX era um alerta de golpe. Agora, os criminosos criaram formas de contornar esse sinal, fazendo parecer que o pagamento com cartão é possível, mas inventam uma justificativa para pressionar a vítima a pagar via PIX", explica Assolini.
Como identificar páginas falsas
O primeiro cuidado é com a URL. Sites de grandes empresas brasileiras geralmente terminam em ".com.br", e qualquer variação deve acender o alerta.
Preços abaixo do mercado ou ingressos disponíveis quando o site oficial já mostra estoque esgotado também são sinais de fraude. Os valores oficiais vão de R$ 340 na meia-entrada de arquibancada a mais de R$ 3 mil nos pacotes VIP com soundcheck.
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Apesar de reproduzirem o layout com precisão crescente, os sites falsos sempre apresentam inconsistências visuais. Vale observar cada detalhe antes de confirmar qualquer dado.
Mensagens como "quase esgotando" ou contadores regressivos são táticas para pressionar a decisão de compra. Sites que aceitam apenas PIX como forma de pagamento também são um sinal imediato de golpe, assim como a ausência de informações de contato e CNPJ.
Neste ciclo de vendas, o ponto mais importante é que o pagamento dos ingressos é exclusivamente presencial na bilheteria oficial. Qualquer cobrança via PIX ou outro meio online na fase de pré-reserva é golpe, sem exceção.
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"A popularidade de grandes eventos e o apelo emocional dos fãs tornam esse tipo de golpe extremamente eficaz", afirma Assolini. "Os criminosos exploram não apenas a pressa para garantir ingressos, mas também possíveis dúvidas sobre o novo formato de compra, criando páginas cada vez mais convincentes."
O que diz a Ticketmaster
Ao g1, a empresa afirmou que monitora continuamente anúncios e páginas que utilizam indevidamente sua marca e adota medidas para remoção junto às plataformas responsáveis, reconhecendo que o processo "nem sempre é imediato por envolver terceiros".
A Ticketmaster reforçou que a venda oficial ocorre exclusivamente em www.ticketmaster.com.br.
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O que fazer se cair no golpe
Quem realizou uma compra em site falso deve entrar em contato com o banco o quanto antes e solicitar o Mecanismo Especial de Devolução (MED), recurso que permite tentar reverter transações via PIX em casos de fraude. Também é possível registrar um Boletim de Ocorrência (BO) online.
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