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Segurança

Interpol prende 94 pessoas em operação global contra golpes e fraudes

Terceira edição da operação durou seis meses, reuniu 72 países e derrubou mais de 45 mil endereços IP ligados a crimes como phishing, fraude de cartão e golpes românticos.

Avatar do(a) autor(a): Cecilia Ferraz

schedule13/03/2026, às 12:30

A Interpol, Organização Internacional de Polícia Criminal, anunciou os resultados da Operação Synergia III – uma ação coordenada entre 72 países que durou seis meses. A agência prendeu 94 pessoas acusadas de crimes como phishing, golpes românticos e fraudes de cartão de crédito. Outros 110 suspeitos seguem sob investigação.

A operação ocorreu entre julho de 2025 e janeiro de 2026. Ao longo desse período, autoridades apreenderam 212 dispositivos. Além disso, 45 mil endereços IP usados por criminosos para hospedar páginas falsas e infraestrutura de ataque foram derrubados.

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O que é phishing

Phishing é uma técnica em que criminosos criam sites falsos que imitam bancos, órgãos do governo ou serviços de pagamento. A vítima acessa a página achando que é legítima. O objetivo é captar senhas, dados do cartão e informações pessoais das vítimas.

Na Synergia III, a polícia de Macau (Região Administrativa Especial da China) identificou mais de 33 mil dessas páginas falsas. Parte delas imitava instituições financeiras, enquanto a outra parte se passava por cassinos online. Lá, as vítimas eram incentivadas a depositar dinheiro em contas que nunca poderiam ser usadas de verdade.

Onde as prisões aconteceram

Bangladesh concentrou o maior número de detenções, com 40 suspeitos presos e 134 dispositivos apreendidos. As investigações locais conectaram essas pessoas a golpes de empréstimo, fraude de emprego, roubo de identidade e clonagem de cartão.

No Togo, dez pessoas foram presas, todas parte da mesma quadrilha que operava dentro de uma área residencial. Cada integrante tinha uma função diferente, com alguns sendo responsáveis por invadir contas em redes sociais

Outros conduziam os chamados golpes românticos, em que a vítima é manipulada emocionalmente antes de ser lesada financeiramente. Havia ainda quem se especializasse em sextorsão, que é quando criminosos ameaçam expor imagens íntimas para obter dinheiro.

Operação cresceu com o tempo

A Synergia não surgiu do nada. A Interpol lançou a primeira edição em setembro de 2023, com 52 países participantes, motivada pelo que a organização chamava de crescimento acelerado do cibercrime transnacional. Naquela fase, cerca de 1.300 endereços IP foram neutralizados.

A segunda edição, no final de 2024, reuniu 95 países e resultou em 41 prisões. Na terceira edição, os números saltaram, com 72 países participantes, 94 presos e mais de 45 mil IPs derrubados.

Por que o setor privado entrou na jogada

A operação contou com apoio das empresas Group-IB, S2W e Trend Micro. Essa parceria entre governos e empresas de segurança cibernética é cada vez mais comum e tem uma razão prática.

Identificar uma rede criminosa digital exige mapear servidores, rastrear padrões de ataque e conectar diferentes operações que podem parecer independentes. Empresas especializadas fazem esse trabalho de inteligência continuamente. Quando compartilham essas informações com as autoridades, as investigações avançam com muito mais velocidade.

A Trend Micro, por exemplo, contribuiu com dados sobre uma operação chamada Tycoon2FA, um kit de phishing que era vendido para outros criminosos como uma espécie de serviço terceirizado de fraude.

O cenário não melhora sozinho

A Interpol deixou claro que a Synergia III não é um ponto final. O cibercrime em 2026 é descrito pela organização como mais sofisticado e destrutivo do que em qualquer momento anterior.

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