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Espiões norte-coreanos são flagrados usando IA em entrevistas de emprego

Criminosos de um grupo criado a partir do Lazarus tentaram usar IA para se passar por engenheiros em processo seletivo de uma empresa de criptomoedas

Avatar do(a) autor(a): Cecilia Ferraz

schedule03/11/2025, às 18:45

updateAtualizado em 03/11/2025, às 20:20

Criminosos do grupo Chollima APT foram flagrados ao tentar se passar por engenheiros de softwares em entrevistas de emprego. Por duas vezes consecutivas, eles tentaram ingressar em uma empresa de criptomoedas com o uso deepfakes – técnica baseada em inteligência artificial para substituir rostos em vídeos. Os agentes desse grupo são famosos pelo patrocínio do governo norte-coreano.

Embora o destaque do caso seja o uso de deepfakes, o ataque começa muito antes dessa etapa. Os criminosos roubam identidades e currículos legítimos de engenheiros, estudando suas vítimas, visando se infiltrar em empresas de cripto e web3 para roubar fundos.

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Como funciona o golpe das entrevistas com deepfake? 

O TecMundo já havia reportado atividades anteriores do caso, no entanto, essa é a primeira vez que especialistas em segurança atribuem esse tipo de ação a um grupo criminoso em específico. O Chollima é uma divisão do grupo Lazarus, cuja especialização é se infiltrar em empresas financeiras ocidentais.

Dessa vez, os criminosos roubaram a identidade de dois engenheiros de software mexicanos, chamados Mateo e Alfredo. Adiante, participaram de entrevistas em vídeo, nas quais usaram deepfakes para reconstruir a aparência das vítimas. No entanto, a tecnologia falhou com os cibercriminosos – erros que ajudaram especialistas a reconhecer os sinais da farsa.

O deepfake ficou muito ‘fake’

Durante as entrevistas, os atacantes tiveram problemas com os filtros faciais, que não mexiam suas bocas falsas durante as falas, além de seus rostos estarem relativamente distorcidos.

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Reconstrução facial exagerada com deepfakes de IA. Imagem: Quetzal

Ambos disseram ter cursado engenharia em universidades do México e vivido em Jalisco e Chihuahua, respectivamente. No entanto, nenhum deles conseguiu pronunciar uma única palavra em espanhol ao ser questionado. 

Logo após as entrevistas, seus perfis no LinkedIn foram apagados — comportamento idêntico ao observado em outras tentativas de infiltração da Chollima, segundo registros da Equipe Quetzal.

A apuração também mostrou que os dois agentes utilizavam o Astrill VPN, serviço popular entre usuários chineses para driblar o Grande Firewall, e cada vez mais adotado por profissionais de TI norte-coreanos envolvidos em fraudes online.

As conexões passavam primeiro por endereços IP localizados na Europa e, em seguida, eram redirecionadas para IPs residenciais dos Estados Unidos, ligados a fazendas de laptops. O objetivo era ocultar a origem norte-coreana e fazer os agentes parecerem candidatos norte-americanos com conexões domésticas legítimas.

Essa nova tentativa de hackers da Coreia do Norte de esconder suas identidades enquanto buscam vagas em empresas ocidentais reforça a importância de políticas rigorosas de verificação em contratações remotas. As companhias devem trabalhar junto a equipes de compliance e realizar checagens detalhadas de identidade — incluindo, quando permitido, o registro das entrevistas para confirmar a autenticidade dos candidatos.

A negligência nesses processos pode ter consequências sérias. Em julho, uma mulher do Arizona foi sentenciada a oito anos e meio de prisão por auxiliar hackers norte-coreanos em uma fraude de US$ 17 milhões, que atingiu mais de 300 empresas dos EUA. Já um relatório divulgado em maio de 2025 revelou que golpistas norte-coreanos, fingindo ser profissionais de TI americanos, haviam desviado mais de US$ 88 milhões usando identidades falsas.

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Perguntas Frequentes

O que são deepfakes e como foram usados pelos espiões norte-coreanos?
Deepfakes são vídeos manipulados com inteligência artificial para alterar rostos e vozes, simulando a aparência de outra pessoa. No caso relatado, criminosos do grupo Chollima APT usaram essa técnica para se passar por engenheiros de software durante entrevistas de emprego em uma empresa de criptomoedas. Eles reconstruíram digitalmente os rostos de duas vítimas mexicanas, tentando enganar os recrutadores.
Quem é o grupo Chollima APT e qual sua ligação com o Lazarus?
O Chollima APT é uma subdivisão do grupo Lazarus, conhecido por suas ações cibernéticas patrocinadas pelo governo da Coreia do Norte. Especializado em infiltrações em empresas financeiras ocidentais, o Chollima tem como objetivo roubar fundos de companhias de criptomoedas e web3, utilizando táticas como roubo de identidade e entrevistas falsas com deepfakes.
Como os criminosos conseguiram as identidades usadas nas entrevistas?
Os agentes do grupo Chollima roubaram identidades e currículos legítimos de engenheiros de software, estudando suas vítimas para se passarem por elas. No caso citado, utilizaram os dados de dois engenheiros mexicanos, chamados Mateo e Alfredo, para tentar se infiltrar na empresa-alvo.
Quais falhas denunciaram o uso de deepfakes durante as entrevistas?
Durante as entrevistas, os deepfakes apresentaram falhas visuais evidentes: os filtros faciais não sincronizavam os movimentos da boca com a fala e os rostos estavam distorcidos. Além disso, os supostos candidatos não conseguiram falar espanhol, apesar de afirmarem ter vivido no México, o que levantou suspeitas imediatas.
Como os criminosos tentaram esconder sua origem norte-coreana?
Os agentes usaram o Astrill VPN, um serviço popular entre usuários chineses e adotado por hackers norte-coreanos, para mascarar sua localização. As conexões passavam por IPs europeus e depois eram redirecionadas para IPs residenciais nos EUA, ligados a fazendas de laptops, simulando uma origem americana legítima.
Por que é importante reforçar a verificação de identidade em contratações remotas?
Casos como esse mostram que criminosos estão usando tecnologias avançadas para se infiltrar em empresas. A falta de verificação rigorosa pode resultar em prejuízos milionários. Por isso, é essencial que empresas adotem políticas de compliance, realizem checagens detalhadas de identidade e, quando possível, gravem entrevistas para confirmar a autenticidade dos candidatos.
Quais foram as consequências de fraudes semelhantes no passado?
Em julho, uma mulher do Arizona foi condenada a oito anos e meio de prisão por ajudar hackers norte-coreanos em uma fraude de US$ 17 milhões. Já em maio de 2025, um relatório revelou que golpistas fingindo ser profissionais de TI americanos desviaram mais de US$ 88 milhões usando identidades falsas.
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