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Segurança

Vibe coding do mal: cibercriminosos agora adaptam IAs para roubo de dados e ransomwares

Dona do Claude encontrou ataques sofisticados que usaram chatbot para automatizar tarefas e facilitar práticas ilegais

Avatar do(a) autor(a): Redação TecMundo

schedule02/09/2025, às 13:00

updateAtualizado em 18/02/2026, às 07:58

Uma das vantagens da presença cada vez mais frequente da inteligência artificial (IA) no cotidiano de muita gente está na programação. O uso de chatbots para escrever, revisar ou adaptar códigos facilita a criação de aplicativos, scripts e outras ferramentas digitais.

No chamado vibe coding, o usuário pede a uma IA códigos inteiros a partir de prompts em texto, sem necessariamente ter conhecimentos avançados em programação ou utilizar termos técnicos na conversa. A ideia é que isso reduza a barreira de entrada nessa área e permita a criação de plataformas por mais usuários.

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Só que essa facilidade também gera uma consequência perigosa: empresas de IA e laboratórios de proteção digital já identificaram que cibercriminosos também estão usando o vibe coding e até agentes de IA para tornar invasões mais sofisticadas graças à automação de processos.

Ransomware e IA, uma aliança letal

De acordo com um relatório da ESET, um novo tipo de ransomware que já circula entre cibercriminosos é o primeiro exemplar conhecido a usar IA generativa nos ataques.

  • O PromptLock, como foi batizado, utiliza um modelo de linguagem de código aberto e acessado via API para gerar scripts na linguagem de programação Lua (que é uma criação brasileira, normalmente usada em vários apps e jogos) em tempo real;
  • Esse ransomware pode ser adaptado para atacar dispositivos com Windows, Linux ou macOS, adaptando-se a cada sistema a partir do modelo de linguagem;
  • Ao infectar uma máquina, a própria IA automaticamente decide se vai criptografar ou roubar um conjunto de dados, de acordo com o que foi configurado pelos cibercriminosos: algumas informações são mais valiosas para revenda, enquanto o "sequestro" e liberação mediante resgate é mais vantajoso para outras.

Por enquanto, o PromptLock é considerado uma prova conceitual, ou seja, um teste de tecnologia que ao menos confirma ser possível desenvolver ransomwares que se aproveitam da IA generativa para melhorar o próprio desempenho. Uma prova disso é o endereço de carteira virtual escolhido pelos cibercriminosos: a reserva de bitcoins atribuída a Satoshi Nakamoto, pseudônimo do criador da criptomoeda.

Para o futuro próximo, a ESET acredita que novos casos mais complexos devem aparecer, com maior sofisticação na estrutura do código e dificultando ao máximo a identificação por plataformas de proteção digital.

Os casos da Anthropic

Em uma situação não relacionada, a empresa Anthropic, dona do chatbot Claude, também identificou o uso de IA em ciberataques. No relato postado no blog da marca, ela explicou como uma ação coordenada usou tanto o vibe coding quanto o agente de IA da plataforma para agir.

No primeiro incidente relatado, ao menos 17 organizações foram atacadas pelo ransomware personalizado, incluindo empresas de planos de saúde, serviços de emergência e órgãos públicos. 

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Uma resposta do Claude para vítimas durante a criação de ransomware que lista os dados roubados. (Imagem: Reprodução/Anthropic)

Em vez de criptografar os dados, a IA foi programada para automatizar ações de reconhecer dados sigilosos, coletar essas informações em massa e prosseguir com uma invasão não autorizada em servidores e redes. O Claude chegou até a "tomar decisões táticas e estratégicas", como determinar o preço a ser cobrado na extorsão e gerar os recados que avisam a vítima sobre o roubo.

No segundo caso exposto, cibercriminosos usaram o Claude para "desenvolver, comercializar e distribuir" ransomwares com diferentes configurações e níveis de complexidade, vendendo os pacotes de software por até US$ 1,2 mil (R$ 6,5 mil).

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Kits de ransomware já desmantelados à venda, todos criados com a IA Claude. (Imagem: Reprodução/Anthropic)

A companhia notou que o hacker em questão era dependente da IA para escrever componentes centrais dos programas, incluindo algoritmos de criptografia e técnicas para burlar a própria detecção. Em outras palavras, trata-se de uma pessoa sem conhecimentos avançados na área, mas que a partir da IA conseguiu resultados satisfatórios.

Segundo a Anthropic, todas as contas foram banidas depois que as operações foram descobertas e novos métodos de detecção de uso ilícito da IA foram adotadas para prevenir esse tipo de configuração.

Perguntas Frequentes

O que é vibe coding e como ele funciona?
Vibe coding é uma técnica que permite aos usuários solicitar a uma inteligência artificial (IA) a criação de códigos inteiros a partir de prompts em texto, sem a necessidade de conhecimentos avançados em programação. Isso facilita a criação de aplicativos e scripts, reduzindo a barreira de entrada para novos desenvolvedores.
Como os cibercriminosos estão utilizando a IA para ataques?
Cibercriminosos estão usando a técnica de vibe coding e agentes de IA para automatizar processos e tornar invasões mais sofisticadas. Isso inclui a criação de ransomwares que utilizam IA generativa para adaptar ataques a diferentes sistemas operacionais.
O que é o PromptLock e como ele opera?
PromptLock é um novo tipo de ransomware que utiliza um modelo de linguagem de código aberto acessado via API para gerar scripts na linguagem de programação Lua em tempo real. Ele pode ser adaptado para atacar dispositivos com sistemas operacionais Windows, Linux ou macOS.
Quais são as implicações do uso de IA em cibercrimes?
O uso de IA em cibercrimes permite que ataques sejam mais sofisticados e automatizados, aumentando a eficácia e a adaptabilidade dos cibercriminosos. Isso representa um desafio significativo para a segurança digital, exigindo novas estratégias de proteção.
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