O cenário político enfrenta desafios cada vez mais complexos conforme a inteligência artificial (IA) avança em seu desenvolvimento. Um dos grandes obstáculos que promete influenciar as Eleições 2026, é o uso indevido de deepfake.
O termo se refere a técnica de IA que combina aprendizado de máquina e processamento de imagens para criar vídeos, áudios ou imagens falsificados que aparentam ser autênticos.
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Entender não apenas o que são deepfakes e as implicações éticas, sociais e políticas de seu uso é um dos melhores caminhos para você, eleitor, não ser enganado pela desinformação.
Descubra agora como se preparar para identificar conteúdos manipulados e entender as regras que o TSE já aprovou para conter o uso indevido de deepfakes nas Eleições 2026.
Por que o deepfake é uma ameaça às Eleições 2026?
A tecnologia do deepfake tem despertado preocupações em todo o mundo devido ao seu potencial para distorcer a verdade e manipular a opinião pública, representando uma ameaça significativa para a integridade do processo democrático.
No Brasil, especialistas alertam que o uso de deepfake em 2026 pode ser ainda mais recorrente do que nas eleições de 2022, quando Lula e Jair Bolsonaro eram candidatos a presidência.
Aqui estão algumas razões pelas quais o deepfake pode ser considerado uma ameaça específica para as eleições de 2026. Acompanhe:
1. Manipulação de candidatos
Deepfakes podem ser usadas para criar vídeos falsos de candidatos políticos dizendo coisas que nunca disseram ou realizando ações comprometedoras. Isso poderia afetar a percepção pública sobre os candidatos e influenciar o resultado da eleição.
2. Propagação de notícias falsas
Vídeos adulterados podem ser compartilhados nas redes sociais e em outras plataformas de mídia, espalhando notícias falsas e confundindo os eleitores sobre fatos comprovados.
3. Desinformação em massa
Com o uso generalizado de deepfakes, os eleitores podem ter dificuldade em distinguir entre conteúdo autêntico e falsificado. Isso pode levar a uma atmosfera de desconfiança generalizada em relação à informação, tornando mais fácil para os grupos maliciosos disseminarem ideias polarizadas em massa.
4. Impacto na integridade das eleições
Se os eleitores são expostos a deepfakes que retratam candidatos de forma negativa ou que disseminam informações falsas sobre o processo eleitoral, isso pode minar a confiança nas eleições e na integridade do sistema democrático como um todo.
Afinal, é crime criar deepfake?
O uso de deepfakes pode gerar responsabilização civil, penal e eleitoral, dependendo do conteúdo, do contexto e da finalidade da divulgação. Em alguns casos, o material pode configurar crimes contra a honra, como calúnia, difamação ou injúria.
No campo eleitoral, também pode haver enquadramento por divulgação de fatos sabidamente inverídicos sobre partidos ou candidatos.
A criação e divulgação de deepfakes podem resultar em pena de reclusão e multa, dependendo das circunstâncias específicas de cada caso.
No âmbito eleitoral, por exemplo, o artigo 323 do Código Eleitoral prevê detenção de dois meses a um ano ou pagamento de multa para quem divulgar fatos que sabe serem inverídicos sobre partidos ou candidatos e capazes de influenciar o eleitorado.
Não é à toa que, em fevereiro de 2026, o TSE realizou audiências públicas para discutir as regras das Eleições 2026, incluindo propaganda eleitoral, ilícitos eleitorais e o uso de inteligência artificial no ambiente digital.
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Como resposta a essas preocupações, o TSE aprovou e publicou as regras das Eleições 2026, incluindo normas sobre propaganda eleitoral, ilícitos eleitorais e o uso de inteligência artificial no ambiente digital.
Entre as regras aprovadas pelo TSE para as Eleições 2026, destacam-se:
- a obrigatoriedade de informar, de modo explícito, destacado e acessível, quando a propaganda eleitoral usar conteúdo sintético multimídia gerado ou manipulado por inteligência artificial, além de indicar qual tecnologia foi utilizada;
- a proibição de conteúdo fabricado ou manipulado para difundir fatos notoriamente inverídicos ou gravemente descontextualizados, com potencial de comprometer o equilíbrio do pleito ou a integridade do processo eleitoral;
- a vedação, mesmo com rotulagem, da publicação, republicação ou impulsionamento pago de novos conteúdos sintéticos com imagem, voz ou manifestação de candidato ou pessoa pública nas 72 horas antes e nas 24 horas após o término do pleito;
- a previsão de remoção imediata do conteúdo ou indisponibilidade do serviço em caso de descumprimento das regras, por iniciativa do provedor ou por determinação judicial.
Há alguns anos, tivemos um dos primeiros casos de deepfake com repercussão na Justiça Eleitoral. Na ocasião, o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná determinou que a Meta, proprietária do WhatsApp, bloqueasse o compartilhamento de uma gravação que continha declarações mentirosas atribuídas a um pré-candidato à prefeitura de Maringá.
Episódios como esse também foram identificados no Amazonas, Rio Grande do Sul e Sergipe, destacando a urgência de medidas eficazes para combater a disseminação de deepfakes e proteger o processo eleitoral.
Como se proteger de deepfake e conter fake news?
Proteger-se dos perigos apresentados pelo uso de deepfakes requer atenção e conhecimento das técnicas utilizadas na criação desses conteúdos manipulados.
De acordo com Bruno Sartori, jornalista especializado em deepfakes, os avanços tecnológicos das inteligências artificiais têm contribuído para aperfeiçoar essas falsificações, tornando-as cada vez mais convincentes e difíceis de detectar.
No entanto, mesmo diante dessa evolução, ainda existem algumas dicas valiosas que podem ajudar na identificação de deepfakes. Conheça:
- Preste atenção na iluminação, sombras e reflexos incomuns;
- Desconfie quando não houver sincronia dos lábios com a voz;
- Veja se o tom de pele e o formato das orelhas são compatíveis com a parte interna do rosto;
- Em videochamadas, peça que a pessoa passe a mão na frente do rosto. Se a imagem do rosto distorcer, é uma farsa;
- Ao receber um áudio, preste atenção na naturalidade da fala e na presença de sotaques, sons robóticos e distorcidos.
É crucial ter em mente que, dependendo do contexto em que foram criados e da sofisticação das técnicas utilizadas, essas dicas podem não ser totalmente eficazes. A vigilância constante e o ceticismo são fundamentais para lidar com o desafio apresentado pelos deepfakes e evitar a propagação de informações falsas.
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