O que é a NSA, o órgão de dados de criptologia norte-americano?

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A criptologia é o estudo de técnicas por trás da criptografia, ou codificação de dados a partir de códigos. Ela é essencial para o desenvolvimento de métodos de tradução de mensagens trocadas por serviços de inteligência e grupos terroristas, por exemplo, que tentam se comunicar sem terem o conteúdo revelado.

Os Estados Unidos possuem a maior agência do mundo dedicada a essas tarefas: a NSA, um órgão federal ligado ao governo norte-americano que se tornou bastante conhecida na última década, mas atua há muito mais tempo no setor militar e estratégico do país.

O que é NSA?

A NSA é uma instituição federal dos Estados Unidos ligada ao Departamento de Defesa. A sigla significa National Security Agency, ou Agência de Segurança Nacional em português.

O prédio principal do órgão.O prédio principal do órgão.Fonte:  NSA 

O departamento é responsável por atividades de monitoramento, processamento de informação e serviços de inteligência doméstica e estrangeira. Basicamente, o seu objetivo é capturar fluxos de informação e canais de comunicação para interceptar possíveis riscos à nação.

A agência sempre foi muito discreta em atuação: ela é formada majoritariamente por militares e técnicos, sem ter espiões, como a CIA, ou investigar casos criminais diretamente, como o FBI. Ainda assim, ela é dotada de um orçamento anual bilionário usado na manutenção de servidores, centros de dados e equipamentos de decodificação que atuam sem parar.

A base da NSA.A base da NSA.Fonte:  Trevor Paglen/Wikimedia Commons 

O principal mote atual da instituição é proteger o país contra o terrorismo e atuar em ciberguerras, que são os conflitos digitais contra organizações de outros países. Entretanto, ela também se envolve em questões de cibersegurança e pode até reportar invasões em massa ou fraudes de nível nacional com grandes proporções.

Atualmente, o quartel-general da NSA fica em uma base militar no Fort Meade, na região de Maryland.

Como surgiu a NSA

Apesar de hoje ser mais conhecida por métodos avançados de espionagem que utilizam-se de métodos digitais, a NSA tem pioneiros bem mais antigos.

O interesse do país pelo assunto nasceu em 1917, quando os Estados Unidos entraram na Primeira Guerra Mundial e inauguraram uma unidade de criptografia e decodificação de mensagens de telégrafo. O primeiro escritório ficava na capital Washington, mas era formada por uma equipe bastante reduzida.

Herbert O. Yardley, primeiro funcionário de criptografia do país.Herbert O. Yardley, primeiro funcionário de criptografia do país.Fonte:  Wikimedia Commons 

A NSA foi estabelecida oficialmente como um órgão apenas em 4 de novembro de 1952, quando o presidente Harry S. Truman sancionou uma diretiva do Departamento de Defesa para "descobrir os segredos os inimigos, proteger segredos dos Estados Unidos e estrategicamente vencer quem está tentando nos prejudicar".

Ao longo dos anos, ela foi bastante atuante em conflitos como a Segunda Guerra Mundial, a Guerra da Coreia e a Guerra Fria, ao trabalhar com espionagem contra os soviéticos e aliados, como no caso da crise dos mísseis de Cuba, em 1962.

Polêmicas e controvérsias

Apesar de ser importante na manutenção dos esforços militares do país há décadas, a NSA sempre operou de maneira bastante discreta. Ela só foi de fato popularizada a partir de 2013 — e não por um bom motivo, ao menos para a agência.

Tudo começou com a delação de Edward Snowden, um ex-técnico da CIA, que descobriu as atividades ilegais do PRISM. Esse é o nome do projeto da NSA que, a partir de parcerias com empresas de telefonia e de tecnologia, simplesmente capturava o máximo possível de dados transmitidos via internet em diversos países.

Edward Snowden em entrevista após a delação.Edward Snowden em entrevista após a delação.Fonte:  The Guardian 

Segundo a denúncia de Snowden, o que deveria ser uma coleta seletiva de informações para defender o país foi aos poucos transformado em um monitoramento generalizado, sem a autorização dos usuários e com a coleta de dados que iam desde troca de mensagens e ligações telefônicas até o uso de vídeos.

A NSA passou a arquivar dados de cidadãos comuns, empresas privadas e governos aliados — sendo que espionou até a Petrobrás e na época a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Anos depois da denúncia, com Snowden agora um morador da Rússia, tribunais norte-americanos confirmaram que as atividades da agência eram de fato ilegais e contrariam a própria legislação norte-americana.

O principal programa de vigilância da NSA.O principal programa de vigilância da NSA.Fonte:  NSA 

Apesar de ter sido a mais grave, essa não foi a única controvérsia recente da NSA: um exploit dela mesma teria sido a origem do WannaCry, um dos mais temidos ransomwares dos últimos anos.

Além disso, atualmente ela é um dos pilares da guerra política e comercial contra a China. O órgão acusa marcas como a Huawei e a ZTE de práticas de espionagem a mando do governo — justamente o que colocou ela em evidência no mundo da tecnologia anos antes.