Segundo o The New York Times, o Pentágono (Departamento de Defesa dos Estados Unidos) enviou uma estratégia de guerra para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que aprovaria o uso de armas nucleares caso o país sofra ataques cibernéticos em sua infraestrutura. O documento enviado se chama Nuclear Posture Review e está, atualmente, sendo revisado pela Casa Branca para publicação final.

Os ataques cibernéticos fazem parte das novas formas de guerra que estão surgindo. No ano passado, países da Europa e da Ásia já sofreram apagões em diversas companhias da indústria de transporte e siderúrgica, por exemplo. Os EUA também sofreram alguns ataques.

Como identificar o atacante?

Acredita-se que, em breve, ataques cibernéticos em infraestruturas vitais de países sejam realizados para bloquear energia elétrica, redes de comunicação celular e até internet. Por isso, o Pentágono crê que os Estados Unidos poderão responder esses ataques com armas nucleares — caso o atacante seja identificado.

O pulo do gato (ou a guerra do futuro)

Sobre os ataques de infraestrutura realizados até o momento, nenhum governo assumiu a autoria. Contudo, especula-se que grupos hackers envolvidos com os ciberataques sejam financiados por governos, principalmente da Rússia e da Coreia do Norte, "inimigos" da política norte-americana.

"Devemos olhar a realidade nos olhos e ver o mundo como está, não como desejamos que seja", diz um trecho do documento preliminar. O Pentágono continua: "reage a nossa política nuclear com uma avaliação realista das ameaças que enfrentamos hoje e das incertezas quanto ao futuro ambiente de segurança".

O Pentágono agora encontrou uma maneira de estabelecer uma dinâmica de dissuasão

Enquanto isso, Gary Samore, consultor sobre armas nucleares do governo Obama, comentou que os Estados Unidos devem cogitar o uso de tais armas apenas "quando considerar circunstâncias extremas para defender interesses vitais do país, de seus aliados ou de parceiros".

Como o NY Times nota, a questão é sobre o que é "extrema circunstância". Por exemplo, a Costa Leste dos EUA com a comunicação cortada via ataque cibernético se enquadra nesse espectro? Outro ponto: como comprovar que o ataque foi financiado por um governo? Dessa maneira, fica mais difícil não gerar tensão com qualquer país acusado.

Sobre a dificuldade para entender e avaliar os ciberataques, Kori Schake, funcionária do Departamento de Estado da Segurança Nacional e do Departamento de Estado durante o governo Bush, comentou o seguinte: "Em 2001, lutamos para estabelecer a dissuasão para o terrorismo porque os terroristas não têm população ou território para se manter em risco. O ciberataque apresenta um dilema semelhante. Então, se o ciber pode causar mau funcionamento físico das principais infraestruturas resultando em mortes, o Pentágono agora encontrou uma maneira de estabelecer uma dinâmica de dissuasão".

  • Nem o Pentágono nem a Casa Branca comentaram sobre o caso.

Nem infraestrutura, apenas um 'simples' ransomware

Anteriormente, uma notícia deixava claro que os EUA e alguns países da Europa já buscavam enquadrar ransomwares como ato de guerra. Isso porque o WannaCry e o Petya assustaram o mundo em 2017, infectando 300 mil PCs em 150 países.

De acordo com informações obtidas pela empresa jornalística CNBC, uma das agências de segurança filiadas à OTAN — a Organização do Tratado do Atlântico Norte, que visa proteger a hegemonia de países da América do Norte e Europa ocidental — emitiu um comunicado que pode soar como uma ameaça aos seus possíveis inimigos.

Se os ataques forem vistos como 'atos de guerra', a OTAN pode se preparar para contra-atacar militarmente os responsáveis

A agência já citada é o "Centro Cooperativo de Excelência na Defesa Cibernética" da OTAN (CCD COE). E o comunicado deixa claro que os ataques do Petya podem ser identificados como "atos de guerra", caso sejam atingidos sistemas e instituições governamentais de algum dos países da OTAN. Isso por ameaçar a hegemonia e a soberania dos países envolvidos.

E se um ato de guerra for comprovado, a OTAN pode agir com suas forças armadas para contra-atacar (e isso no mundo real). O problema é que até agora a OTAN não identificou os responsáveis. Por isso, veículos da imprensa dos Estados Unidos ainda estão um pouco descrentes quanto à eficácia dos sistemas de proteção cibernética da OTAN.

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