Vulnerabilidades relacionadas a sistemas de segurança são temas tratados constantemente por mídias especializadas em tecnologia eletrônica. E o assunto que protagoniza a notícia da vez relaciona-se a máquinas de escaneamento corporal usadas em aeroportos. Publicado pelas universidades da Califórnia, de Michigan e também pela academia de Johns Hopkins, um estudo apontou falhas graves em scanners fabricados pela Rapiscan Systems.

A análise feita levou em conta o escaneamento realizado através da emissão de raios X sobre todo o corpo de quem se submete a vistorias. Carregar explosivos, esconder objetos de metal (como facas e até mesmo armas de foto) e burlar o software que faz a inspeção são algumas das possibilidades que a brecha de segurança oferece a criminosos.

Fundo escuro

A vulnerabilidade elucidada por sistemas de escaneamento baseados em verificação através de raios X reside na própria natureza de máquinas que executam este processo. Conforme demonstrado pela imagem abaixo, uma foto monocromática é exibida pelos scanners; o fundo escuro, portanto, pode ser usado para que a detecção de metal não seja feita (se uma arma for minuciosamente encaixada, por exemplo, ao lado do corpo, a peça vai aparecer em preto).

O par de imagens da direita mostra um homem carregando uma arma junto à sua perna. Consegue ver?

Grande parte dos aeroportos não faz a inspeção em 360º – o que pode facilitar a ação de criminosos cientes da tal falha. Outra das críticas que se faz ao sistema de escaneamento por meio da emissão de raios X diz respeito à violação da intimidade das pessoas: órgãos genitais ficam completamente expostos quando analisados por máquinas deste tipo.

Explosivos enrolados por plástico

Além de ser possível deixar o scanner “cego” por meio do preciso posicionamento de uma peça de metal, carregar explosivos por aeroportos é outra das ações que a falha encontrada permite. Ao se enrolar um explosivo com um molde de 200 gramas de plástico, problema algum será encontrado por quem desejar colocar um aeroporto ou até mesmo um avião pelos ares.

Nem todos os tipos de explosivos e de plásticos podem, contudo, ficar invisíveis às máquinas da Rapiscan Systems. Especialistas no transporte ilegal destes tipos de material são capazes, ainda assim, de fazer uso da vulnerabilidade do equipamento de segurança.

Código QR capaz de burlar o software

Certos softwares de escaneamento são suscetíveis ainda a ações de hackers. Se um código QR (saiba o que são códigos QR aqui) for impresso sobre a camisa de um passageiro ou visitante mal-intencionado, um malware pode ser inserido junto ao programa; na hora em que o escaneamento for feito, a imagem de outra pessoa será exibida na tela dos seguranças.

Cerca de mil máquinas que apresentam os problemas apontados pelos pesquisadores foram retiradas de operação e substituídas por scanners magnéticos nos EUA em 2013. Apesar da tomada de providências, centenas de detectores da Rapiscan Systems que fazem uso de raios X ainda estão presentes em pontos turísticos, tribunais e até mesmo em casas de governo mundo afora.

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