A epidemia massiva do ebola já ceifou mais de 4 mil vidas na região oeste da África e casos isolados do vírus vêm aparecendo em diversos pontos do mundo – inclusive no Brasil. Os governos, entidades médicas e ONGs têm feito o possível para ajudar a conter a propagação da doença. Porém, para a comunidade científica, a resposta para o controle da epidemia pode estar nas mãos da análise de dados, usando recurso disponibilizados pelo uso de celulares e das mídias sociais.

Através de uma junção de dados de diversas fontes diferentes a fim de formar uma única biblioteca de informações, que é constantemente atualizada e de fácil acesso para pesquisa, forma-se o que é chamado de “big data”. A habilidade de analisar rapidamente esse grande conjunto de dados ajuda as autoridades a traçar padrões que avaliem como cada região está se comportando e se é necessário um alerta ou atenção especial para o local.

Mesmo nos países mais pobres do continente africano, o uso do celular é bastante comum, fazendo com que o aparelho acabe se mostrando uma fonte rica em informações nas localidades onde os outros meios de pesquisa se mostram ineficientes. As empresas de telefonia podem passar dados de voz e texto de forma anônima para organizações como a sueca Flowminder, que então mapeia detalhadamente a reação da população.

É possível saber, por exemplo, de onde vem as ligações para os serviços de emergência, então, se houver um aumento do número de pedidos de socorro em determinada região, os responsáveis do governo podem mandar equipes para controlar o surto antes que ele tome proporções maiores ou se espalhe para outras áreas.

Cólera e mídias sociais

A mesma tática já foi usada para o controle de cólera após o terremoto que atingiu o Haiti em 2010. A análise dos dados de telefonia móvel permitiu que as Nações Unidas e outras entidades humanitárias avaliassem a situação da população, delineassem as áreas de risco e concentrassem os esforços nas regiões que mais precisavam.

Outra grande fonte de dados atualmente são as interações online das pessoas, como mensagens em blogs, fóruns e redes sociais com o Twitter. Elaborando filtros detalhados com palavras-chave escolhidas pelos analistas, é possível determinar com bastante antecipação mudanças na atividade da população – até meses antes dos meios tradicionais.

De acordo com Tim Gamble, da empresa Datamonitor Healthcare, a análise do “big data” pode ser essencial também para que se entenda algumas particularidades do vírus, como por que algumas versões são mais mortais e o que faz algumas pessoas serem mais resistentes ao ebola do que outras.

Para David Bolton, chefe da companhia de análise Qlik, o nível de dados agrupados para o combate ao ebola está em outro nível. “Provavelmente é muito cedo para dizer se a análise de dados está tendo um impacto considerável sobre a doença, mas, pelo menos, está nos ajudando a decidir onde alocar nossos recursos”, admitiu ele.

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