Uma publicação despretensiosa, de uma notícia local de uma cidadezinha do Texas (EUA) chamada Temple, se tornou o post mais viral do Facebook neste ano de 2019, pelo menos até aqui.

O mais impressionante é que ninguém soube explicar exatamente o porquê de o post ter viralizado tanto, embora tenham surgido algumas suposições com base nos algoritmos do Facebook.

A história

O editor de notícias online Aaron Savage, funcionário de uma rede de estações de rádio da cidade de Temple, viu uma notícia publicada por um canal de TV da cidade de Waco, que falava sobre um suspeito de tráfico de seres humanos estar rondando a região. Como parte de seu trabalho, Aaron criou uma notícia resumida, de apenas 119 palavras, linkando sua publicação com a original, e a publicou nos sites do grupo para o qual trabalha. Em seguida, publicou a notícia na página do Facebook de uma das estações de rádio.

Fonte: Con Karampelas/Unsplash

Em pouco tempo, a publicação se tornou o post mais compartilhado da US 105 FM New Country em todos os tempos, ultrapassando mais de 800 mil compartilhamentos nas semanas seguintes, o dobro do que qualquer outra publicação conseguiu atingir, ao menos em língua inglesa.

Por que a publicação bombou tanto?

Em 2018, o Facebook tomou algumas medidas para diminuir a incidência de fake news na plataforma. Neste sentido, o site começou a priorizar as fontes “confiáveis” e “locais”, compartilhamentos realizados por amigos e familiares dos usuários, além de publicações com muitos comentários.

A matéria de Aaron tinha todos os ingredientes para se tornar um sucesso, mesmo que tivesse sido completamente desintencional. Ela era local, foi compartilhada por gente comum (amigos e parentes) e tinha muitos comentários, pois as pessoas estavam marcando outros contatos para mantê-los informados a respeito do bandido.

Como se não bastasse, Aaron escolheu um título extremamente apelativo: “Suspeito de tráfico humano, predador infantil pode estar em nossa área”. O “nossa área”, neste caso, pode ser qualquer lugar para quem está lendo o título sem se preocupar com o conteúdo do artigo. Geralmente, a maioria das pessoas age dessa forma.

No final das contas, o suspeito foi preso dias depois da publicação da notícia, que não teve ligação direta com a prisão através de denúncias. Sendo assim, por muito tempo a notícia funcionou como uma fake news, já que o meliante já não oferecia risco e, mesmo assim, a notícia continuava a ser propagada, o que prova a ineficiência dos algoritmos do Facebook.

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