Mark Zuckerberg já falou algumas vezes nos últimos meses que o Facebook não é um monopólio, mas isso não afasta da rede social o “fantasma da regulamentação”, digamos assim. Agora, mesmo depois de afirmar ao Congresso dos Estados Unidos que aceitaria “o tipo certo de regulamentação”, o criador e presidente do Facebook encontrou um outro argumento para tentar demover as autoridades de seu país dessa ideia.

Em entrevista ao Recode, Zuckerberg foi claro ao afirmar que uma possível divisão do Facebook a fim de quebrar um suposto monopólio deixaria o caminho livre para gigantes chinesas de tecnologia assumirem uma posição atualmente dominada por uma empresa estadunidense.

“Penso que há essa questão de uma perspectiva política, que é: queremos companhias americanas exportando pelo mundo?”, questionou. “Acho que a alternativa [a isso], francamente, serão as companhias chinesas. Pode apostar, se o governo daqui estiver preocupado — seja com interferências em eleições ou terrorismo —, não imagino que as companhias chinesas vão querer cooperar muito e cuidar do interesse nacional [dos EUA]”, prosseguiu o executivo.

“Não compartilham dos mesmos valores”

Na visão de Mark Zuckerberg, o grande problema em deixar uma lacuna que poderá ser preenchida por empresas chinesas reside no fato de que elas não compartilhariam dos mesmos “valores americanos” que o Facebook.

“Se adotarmos uma posição de que, OK, decidiremos, como país, cortar as asas dessas empresas [estadunidenses] para que seja difícil para elas operarem em diferentes países ou serem menores, então, há uma porção de outras companhias por aí dispostas e aptas a assumirem essa nossa posição”, comentou. “E elas não compartilham dos mesmos valores que nós”, finalizou.

Impossível não notar que essas afirmações chegam a soar como ironia vindas do criador de uma empresa que facilitou a obtenção não consentida de dados pessoas para fins eleitorais.

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