Julho de 2015 trouxe consigo um grave caso de vazamentos de dados. O tema, tão em voga após o escândalo envolvendo Facebook e Cambridge Analytice, atingia na época uma rede constroversa: a Ashley Madison, site de encontros para encontros extraconjugais, foi vítima de um hack que resultou no vazamento de dados de 30 milhões de pessoas.

Agora, cerca de dois anos e meio depois, a rede prepara uma espécie de retorno triunfal, mesmo sem nunca ter acabado. De fato, seus criadores garantem que 5,7 milhões de contas novas foram abertas apenas em 2017, indicando assim um possível combustível extra para o seu "ressurgimento".

Em conversa com o Engadget, Ruben Buell, o diretor de tecnologia da Ruby Life, novo nome da Avid Life Media, dona da Ashley Madison, contou um pouco sobre os seus planos. Para começar, a empresa reconhece os seus próprios escorregões. “Queremos que as pessoas saibam que a Ashley está aqui, forte como sempre”, comentou. “Sim, houve um incidente em 2015 e aquilo foi extremamente infeliz, [mas] a empresa aprendeu com aquilo, cresceu com aquilo e segui em frente.”

A Ashley Madison foi vítima de um hack em 2015 que resultou no vazamento de dados pessoas de 30 milhões de usuários

Esse evento “extremamente infeliz” causou alguns baques para a empresa, mas não apenas nela. Ela perdeu dinheiro, afinal, além de multas e processos, havia a expectativa de começar a vender ações na bolsa de Londres pouco antes do hack. Contudo, muitas pessoas tiveram as vidas afetadas pela falta de segurança da Ashley Madison, havendo inclusive relatos de ameaçassuicídios cometidos após o vazamento.

Retomada

Apesar de tanto percalços, Buell vê o cenário atual com otimismo. Segundo ele, o ano passado foi o primeiro a mostrar crescimento substancial desde o incidente de 2015, com a Ashley Madison tendo, atualmente, 1,4 milhões de usuários mensais ativos e 191 mil usando a plataforma diariamente.

Um dado curioso é que o Brasil é um dos principais colaboradores nessa fase de retomada. O país teve a segunda maior média de novos usuários do site no ano passado, com 138 mil brasileiros aderindo à plataforma a cada mês de 2017, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Além disso, o executivo garante que há 1,3 mulheres usando o site para cada homem cadastrado, uma tática que soa mais como propaganda para atrair o público masculino do que um dado apoiado na realidade. De qualquer forma, todos os números citados aqui foram revelados por ele, então, a credibilidade de cada um deles é a mesma.

Segurança

Qualquer conversa sobre redes sociais, especialmente uma com foco é em casos extraconjungais, precisa envolver a questão da segurança. Segundo Buell, a "nova" Ashley Madison segue padrões de cibersegurança definidos pelo National Institute of Standards and Technology (NIST), dos EUA, além de ter criado um programa de recompensas para quem encontrar falhas no site e de ativar a autenticação de duplo fator.

Além disso, o executivo afirma que o site de encontros para pessoas casadas não comercializa nem cede dados de qualquer usuário para terceiros, outra garantia essencial para tentar reconquistar a confiança do público. Será que dessa vez vai?