O Twitter está na caça dos bots a fim de limpar a rede e torná-la um espaço ao menos mais legítimo, algo necessário em um mundo cada vez mais influenciado por informações nem sempre verdadeiras circulando a partir das redes sociais. Acontece que, na sanha de resolver o problema, as “defesas antibots” da rede acabaram tirando do ar uma série de perfis legítimos.

Como parte significativa dos perfis confundindo como bots tem teor política e moralmente conservador, iniciou-se uma série de acusações de que a rede social estaria bloqueando as contas exatamente por causa disso. Até mesmo a hashtag #TwitterLockout (algo como “bloqueio do Twitter” em tradução livre) para denunciar a suposta censura e perseguição.

Surgiram ainda postagens falando sobre diminuição do número de seguidores, algo também atribuído à "perseguição".

A explicação para isso, porém, é até um tanto óbvia: com o expurgo dos bots, muitos perfis deixaram de contar com uma quantidade significativa de seguidores.

Mais reclamações

Quando um perfil legítimo reclama que havia sido bloqueado injustamente, o Twitter solicita um número de telefone válido para verificar a conta, e até isso vem sendo visto de forma controversa por muita gente. Para Andrew Torba, presidente da plataforma de direita Gab, isso seria um meio de o Twitter identificar e coletar informações a respeito de seus usuários conservadores.

“O Twitter tem um grande problema de fraude e criptografia por causa dos bots presentes de forma epidêmica no site, mas a sua prioridade é bloquear a conta de milhares de seres humanos conservadores a fim de coletar os seus números de telefone”, comentou Torba ao Mashable. “O sentimento geral do público sobre as gigantes da tecnologia e o Vale do Silício está se tornando rapidamente negativo”, complementa.

Vale lembrar, entretanto, que solicitar esse tipo de dado é algo bastante comum para redes sociais e outras, como Facebook e Google+, também costuma pedir o número de telefone para autenticar e aprimorar a segurança de seus usuários. Na tarde desta quarta-feira (21), o Twitter emitiu um comunicado esclarecendo a situação e afirmou que não leva em conta o viés político na hora de aplicar as suas regras.

Leia o comunicado na íntegra:

As ferramentas do Twitter são apolíticas e aplicamos as nossas regras sem discriminação política. Como parte de nosso trabalho contínuo em segurança, identificamos contas com comportamentos suspeitos que indicam atividade automatizada e violam as nossas políticas sobre abusos e ter múltiplas contas. Nós também agimos a respeito de contas que violaram os termos de serviço e inclusive solicitamos um número de telefone aos seus donos para confirmar que há um humano por trás delas.

É por isso que algumas pessoas podem ter sido suspensas ou bloqueadas. Note-se que, quando uma conta é bloqueada e um número de telefone é solicitado, ela é removida da lista de seus seguidores até que o número seja fornecido. Isso é parte de nossos esforços contínuos para tornar o Twitter mais seguro e saudável para todos.

Pouca transparência

Basta um pouco de lógica para entender que o Twitter não está necessariamente “coletando dados de conservadores”, mas apenas agindo dentro de um padrão adotado também por outras plataformas — pode-se questionar a obrigação de fornecer um número de telefone, mas isso é outra história.

É inegável, porém, que a rede dos 280 caracteres tem alguns problemas quanto à transparência. Ela é famosa por ocultar alguns de seus métodos, como a questão da verificação de contas: enquanto o processo foi suspenso temporariamente, alguns perfis, como o de uma sobrevivente do massacre na Marjory Stoneman Douglas High School, nos EUA, receberam o selo de verificado há pouco tempo.

Enfim, como as informações oficiais são poucas ou estão mal colocadas, é fácil que boatos nem sempre muito bem fundamentados se espalhem.