Twitter verificou nesta semana o perfil de Jason Kessler, o homem que organizou a marcha neonazista em Charlottesville em agosto deste ano. O evento de suprematistas brancos terminou no assassinato por atropelamento de uma mulher que se manifestou contra o discurso de ódio sendo disseminado no local. Depois de muita polêmica envolvendo isso, a rede social parou de verificar perfis por tempo indeterminado.

A verificação de perfis do Twitter normalmente é entendida pelos usuários como um reconhecimento de importância ou de pessoa pública por parte da rede social. Isso faz com que perfis verificados tenham mais visibilidade, exibindo a estampa azul ao lado de seus nomes.

Kessler e seus seguidores neonazistas comemoraram a ação do Twitter, mas a rede social vem sendo duramente criticada, especialmente depois de ter refeito suas políticas de uso para proibir discurso de ódio. A verificação de Kessler, que publica mensagens quase que exclusivamente endossando racismo e preconceito contra outras minorias, é essencialmente o oposto do que a empresa prega em suas novas regras. Entretanto, é interessante notar que as novas regras entram em vigor apenas no dia 22 deste mês.

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Seja como for, usuários já foram “punidos” perdendo seus símbolos de verificação por muito menos do que Kessler vem falando na rede social. Dessa maneira, usuários criticaram a ação do Twitter.

O ator e comediante Michael Ian Black perguntou se o Twitter valorizava mais usuários como ele ou como Kessler. “Verificar suprematistas brancos endossa a crescente ideia de que o site de vocês é uma plataforma para o discurso de ódio. Eu não quero desistir do Twitter, mas talvez eu tenha que fazer isso”, escreveu Black.

O escritor Simran Jeet Singh também se pronunciou. “Espero que vocês percebam que não é possível ser neutro quando o assunto é o nazismo. Verificar Jason Kessler é um ato político e também coloca vocês do lado errado da história”, comentou.

Em resposta, o Twitter admitiu que existe um problema com a verificação de personalidades, mas não assumiu que dar uma estampa azul para o neonazista foi um ato contrário a suas próprias políticas de uso.

“A verificação de perfis foi pensada para autenticar identidade e voz, mas é interpretada como um endosso ou indicador de importância. Nós reconhecemos que criamos essa confusão e precisamos resolvê-la. Nós pausamos todas as verificações de perfis gerais enquanto trabalhamos e vamos dar um retorno em breve”, diz a mensagem do perfil oficial da rede social.

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