Você pode não saber, mas, se você tem um smartphone que é não da Apple, é bem provável que ele esteja equipado com um Snapdragon. Snap o quê? Ele é um SoC, ou sistema-em-chip, o centro de processamento do celular ou tablet. A fabricante é a Qualcomm, que, segundo a Strategy Analytics, deteve 51% do mercado de processadores de aplicativo no terceiro trimestre de 2014.

E para demonstrar a capacidade do mais poderoso Snapdragon já feito, o modelo 810, a Qualcomm chamou jornalistas para um hotel de São Paulo e fez várias demonstrações técnicas.

Como dito, o Snapdragon 810 é um sistema-em-chip, ou seja, traz vários componentes em sua estrutura. A CPU usa microarquitetura Cortex-A57 e A53, com quatro núcleos cada um. Ou seja, possui oito núcleos, que já seria uma quantidade impressionante para um processador desktop, e ainda mais para uma peça mobile.

Em um balcão estavam expostos modelos de celulares que usam o Snapdragon, incluindo o LG G Flex 2

4K de boa

Mais do que falar de números, a Qualcomm mostrou na prática o que isso significa. Usando um tablet feito para desenvolvedores (e com o chipset 810), a empresa reproduziu um vídeo em 4K (3840x2160 pixels) usando o codec H.265, que requer mais poder de processamento que o habitual H.264.

O mais impressionante estava por vir: uma edição de vídeo em 4K. Um clipe de 30 segundos foi renderizado em meros 5 segundos. Ok, não sabemos o quanto de codificação e decodificação foi necessário para fazer a edição, mas quem trabalha com vídeos sabe que a renderização é um processo que costuma demorar bastante.

Em outra parte da apresentação, foi demonstrada uma tecnologia de surround usando apenas o alto-falante do HTC One M9 (o 810 tem suporte à Dolby Atmos) e outra que mostra a diferença entre uma música em MP3 e em FLAC, que reproduz frequências acima de 20 KHz. Claro que um chip que reproduz vídeo em 4K não teria a menor dificuldade com essas duas tarefas.

Demonstração do codec de vídeo H.265, que permite uma compressão de dados melhor, mas consome mais poder de processamento. Aliás, o Snapdragon mostra sua versatilidade decodificando um vídeo em H.264 e H.265 ao mesmo tempo

Games e superaquecimento

Depois, foi a vez dos games. A processador gráfico do Snapdragon 810 é o Adreno 430 que opera a 650 Hz, dando um "poder de processamento visual" de 421 GFLOPS. Levando em conta que o PlayStation 3 tinha 230 GFLOPS, é de se imaginar do que o chip é capaz.

Em uma demonstração com God of Fire: Rise of Prometheus, dava para ver que o nível de detalhes é comparável com um jogo de console da geração anterior. Em uma demonstração técnica, o tablet da Qualcomm (mais uma vez, essa é uma plataforma vendida apenas para desenvolvedores) fez "tesselation" em tempo real, aumentando e diminuindo imediatamente o nível de detalhes de um objeto em um cenário 3D.

Demonstração de "tesselation" em tempo real, no qual o nível de detalhe do objeto e do cenário muda imediatamente

E sobre a polêmica que o Snapdragon 810 estaria supereaquecendo? A companhia não quis comentar o assunto, e, então, o repórter foi conferir a temperatura dos equipamentos com o chipset: quatro tablets da Qualcomm e dois LG G Flex 2. Apenas um dos tablets se mostrou bastante quente, mas o aparelho estava conectado a um suporte que carregava a bateria dele. É claro que não consegui submeter nenhum dos aparelhos a um teste de estresse, mas tudo parece indicar um problema isolado do HTC One M9.

Entre outras tecnologias que a companhia mostrou estavam um carregador que enche a bateria com o dobro de velocidade, uma base para carregamento de bateria por indução e uma câmera para tablets que permite zoom óptico de 3x.

Zoom óptico de 3x em um tablet? A Qualcomm possui essa tecnologia

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