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‘Não tem o que fazer’: diz presidente da Motorola Brasil sobre crise de chips

Rodrigo Vidigal explica as origens dessa crise de componentes e salienta que todo produto dependente de memórias RAM será afetado pelo problema.

Avatar do(a) autor(a): Felipe Vitor Vidal Neri

schedule16/03/2026, às 13:00

updateAtualizado em 16/03/2026, às 13:10

A crise de chips no mercado global é um fenômeno verdadeiro e irá impactar o mercado de maneira generalizada, segundo o presidente da Motorola no Brasil, Rodrigo Vidigal. Em entrevista exclusiva ao TecMundo, o executivo comentou os tempos complexos que o mercado precisa lidar e explica como a Motorola deve se comportar durante a crise.

Vidigal aponta que a crise é realmente um problema sério e não apenas uma desculpa para aumentar o preço dos componentes. Esse fenômeno de duração indeterminada tende a “impactar o mercado no médio prazo”, dado o aumento exponencial de chips e componentes para a montagem de eletrônicos.

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“Isso [a crise] vai impactar todas as indústrias, não só a de smartphones. Vai impactar nos PCs e em todas as indústrias que utilizam componentes de memória RAM e memória ROM. É um fato. Não tem muito o que fazer. É uma crise mundial e a gente está tentando mitigar da melhor forma possível”, explicou Vidigal.

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A Motorola é somente uma das afetadas pela crise e centenas de outras empresas também vão sofrer com os aumentos de preços (Imagem: David Ramos/GettyImages)

O executivo também apontou que a Motorola previu a crise de componentes global e conseguiu adquirir algumas peças com antecedência para formar um estoque. 

Mesmo assim, essas peças vão acabar com o passar do tempo e o preço dos novos produtos já estará corrigido por conta da crise.

O que está por trás da crise de chips?

A crise de chips afeta componentes como memória RAM e memórias NAND para armazenamentos como SSDs e HDs. Essas peças começaram a ser utilizadas em larga escala por fabricantes de data centers para treinamento de IAs. Dessa forma, as produtoras de RAM e NAND decidiram focar seus esforços para as linhas de data centers, criando um buraco na produção de componentes para PCs e peças de uso cotidiano.

  • Vidigal apontou para a questão de somente três fabricantes produzirem 85% da fabricação global desses componentes, com a China responsável pelo restante;
  • Essas três fabricantes teriam aumentado o preço de maneira muito acentuada nos últimos meses e deixou outras companhias de mãos atadas;
  • Mesmo sem citar nomes, a Samsung se tornou um dos símbolos negativos ao aumentar exponencial o preço de seus chips RAM;
  • Estima-se que desde o fim do ano passado até agora, o preço nos contratos de RAM aumentou cerca de 450%;
  • Nos últimos dias alguns rumores especulavam que a empresa planejava um novo aumento de quase 100% para o segundo trimestre deste ano;
  • Companhias como a Micron decidiram interromper sua produção de chips para o mercado doméstico e focar totalmente em produtos para data centers.
  • Essas movimentações criaram um cenário de instabilidade global e falta de estoques, gerando um aumento exacerbado nos preços.

Vidigal finalizou reiterando que essa não é uma crise de uma marca ou país específico, mas sim de natureza mundial. “É uma crise global que impacta todos os produtos eletrônicos que utilizam memória RAM”, concluiu.

A Motorola anunciou para o mercado brasileiro o novo Motorola Signature com sete anos de atualização Android e as primeiras impressões são muito positivas. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.