Mesmo que revogada em partes, a alta na taxa de importação de aparelhos e insumos de tecnologia pode aumentar os preços no Brasil mesmo de produtos fabricados por aqui, como os smartphones. A avaliação é de Rodrigo Vidigal, presidente da Motorola no Brasil, que falou de maneira exclusiva com o TecMundo nesta terça-feira (10).
“Nós estamos em conversas constantes com os órgãos de estado e de governo porque apoiamos que esse aumento não seja aplicado, porque ele vai impactar o preço final”, destacou.
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O assunto sobre a taxa de importação viralizou em fevereiro. O governo, através da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), órgão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, havia aprovado uma resolução aumentando em até 7,5 pontos percentuais a alíquota de mais de 1,2 mil produtos eletrônicos.
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Após reclamações da comunidade gamer e influenciadores de tecnologia, o imposto de 15 produtos voltou ao patamar anterior. Além disso, outros 105 produtos tiveram as alíquotas zeradas. Depois do recuo, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a dizer que não houve nenhum passo atrás, já que havia conversas com os setores estratégicos e possíveis distorções poderiam ser corrigidas.
Assim como alguns especialistas consultados pelo TecMundo na época dos debates sobre o aumento, Vidigal explicou que apesar de a Motorola fabricar os dispositivos no Brasil (nas fábricas em Manaus e Jaguariúna), os componentes são importados.
“Hoje, nos smartphones, 85% dos componentes são importados e apenas 15% são fabricados no país, como é o caso dos carregadores. E mesmo a memória que é produzida no Brasil utiliza componentes importados”, exemplificou.
O presidente da Motorola no Brasil disse que a junção desse aumento de imposto de importação somado com o cenário atual de alta taxa de juros com certeza trará impacto aos consumidores.
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Segundo Vidigal, o assunto é tratado com o governo federal pela Associação Brasileira de Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), que é quem representa a Motorola e outros fabricantes.
Expectativas para 2026
A entrevista com o presidente da Motorola no Brasil foi realizada durante evento de lançamento da linha 2026 de produtos da marca. Dentre as novidades, a marca da Lenovo está trazendo ao país o Motorola Signature, três novos celulares da linha Edge (Edge 70, Edge 70 Fusion e Edge 70 Fusion+), smartwatch e mais.
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Apesar de destacar o quão desafiador é atuar no mercado nacional, Vidigal argumentou que a Motorola está ancorada em uma estratégia sólida para conseguir crescer.
Os executivos da empresa costumam defender que a marca possui alguns diferenciais competitivos importantes, como o caso da estratégia Lifestyle-tech. Ela é uma campanha que defende que além de produtos inovadores, a Motorola oferece itens estéticos com design sofisticado.
“[O Lifestyle-tech] é o que realmente vem diferenciando a marca e permitindo e viabilizando esse crescimento, além de uma adoção cada vez maior pelos jovens e uma aceitação pelo público feminino”.
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O executivo lembrou ainda de itens exclusivos como os que compõem a linha Collections, como é o caso dos celulares e fones de ouvido com Swarovski, e o vindouro Motorola Edge 70 Fusion FIFA Edition, que vai desembarcar no Brasil em abril.
“O Brasil está entre os três maiores mercados da Motorola no mundo e globalmente é o quarto maior mercado [de celulares] atrás de China, Índia e Estados Unidos”, diz.
E apesar de não quantificar a expectativa de crescimento para 2026, Vidigal afirma que a empresa trabalha para crescer a participação no mercado nacional (que é de 30% no setor de celulares).
*O jornalista viajou para Porto Feliz (SP) a convite da Motorola.
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