Há quem defenda a intervenção militar Brasil afora – fato este que ajuda a justificar a urgência por reformas no setor da educação. Mas e se o governo, abertamente, começasse a interceptar nossas mensagens de emails e ligações de celular? De acordo com pesquisa realizada em 13 países junto de 15 mil entrevistados pela YouGov a pedido da Anistia Internacional, 59% são contra a vigilância de cidadãos por entidades governamentais.

O Brasil é um dos países que mais rejeita a medida: 65% dos 1.006 respondentes se colocaram contra as ações de interceptação em geral – na Alemanha, 69% dos ouvidos rejeitam a ideia; na Espanha, esse número chega a 67%. A pesquisa apontou ainda que 78% da população tupiniquim é contra o fornecimento de dados ao governo por empresas como Google, Microsoft e Facebook.

O Brasil é também o segundo país com o maior índice de reprovação ao sistema norte-americano de vigilância (80%), ficando atrás apenas da Alemanha (81%). Dos treze países participantes do levantamento, mais da metade dos entrevistados mostrou-se contra o fabuloso complexo de espionagem dos EUA. Os dados mostram que, em média, cerca de 40% dos ouvidos aprovariam a análise de suas mensagens por seus governos; 45% seriam a favor do monitoramento das comunicações de estrangeiros que vivem em seus países.

Transparência

A organização Anistia Internacional endossou o lançamento da campanha #UnfollowMe a partir da publicação das informações fornecidas pela YouGov. A medida tem o objetivo de exigir transparência por parte dos governos sobre o tema privacidade e provocar discussões sobre o monitoramento das redes de comunicação.

Não estamos satisfeitos

Quase 80% dos entrevistados pela YouGov mostraram-se contrários ao fornecimento de dados por empresas privadas ao governo. Mas segundo aponta um relatório publicado na última segunda-feira (16) pelo Facebook, o Brasil é o sétimo país que mais pede informações sobre usuários à rede social fundada por Mark Zuckerberg.

Durante o segundo semestre de 2014, 1.212 solicitações de acesso a informações privadas de 1.967 contas foram feitas ao Facebook; desses pedidos, 34,32% foram aprovados. De acordo com o relatório, apenas três conteúdos do total analisado foram excluídos. No primeiro semestre do ano passado esse número foi menor: 1.307 pedidos sobre 2.269 contas foram feitos; 35,2% das solicitações foram atendidas e conteúdo algum foi apagado.

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Importante destacar que os pedidos de acesso a informações de perfil aumentaram mundo afora entre o primeiro e segundo semestres de 2014 (de 34.946 para 35.051; o número de conteúdo bloqueado foi de 8.774 para 9.707). São duas as formas mais comuns de restrição de dados praticadas pelo Facebook: em casos em que o material viola os termos de comunidade (imagens que mostram violência ou pornografia, por exemplo) e quando o perfil fere as leis de um ou outro país.

“As pessoas querem saber quais conteúdos vamos derrubar e quais vamos manter, mesmo que sejam controversos, e o porquê [da remoção]. Eu me preocupo com isso e me sinto responsável por lidar com estes assuntos de maneira clara com nossa comunidade”, afirmou Mark Zuckerberg.

Os dez países que mais solicitaram informações de usuários ao Facebook são, nesta ordem, os seguintes: Estados Unidos (14.274), Índia (5.493), Reino Unido (2.366), Alemanha (2.132), França (2.094), Itália (1.774), Brasil (1.212), Austrália (829), Espanha (500) e Argentina (482).

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