Para Christian Fredrikson, presidente de uma das maiores empresas de segurança cibernética da história, estamos vivendo momentos conturbados no que diz respeito à nossa vida digital. Para o executivo, que está à frente da finlandesa F-Secure desde 2012, “a privacidade está morta” e a missão da companhia é devolver o controle das coisas para o usuário.

Falando ao TecMundo durante a manhã desta quinta-feira (29), Fredrikson brincou que estamos no ano 1 a.S. (“after Snowden” ou “depois de Snowden) e comentou sobre a atual situação perigosa na qual a web se encontra.

As técnicas utilizadas por cibercriminosos se tornam mais complexas a cada dia que passa, enquanto governos praticam programas de espionagem em massa e grandes corporações comercializam dados privados de seus usuários sem que os próprios sejam sequer avisados sobre isso.

“O antivírus já está morto há uns cinco anos. Hoje, eu preciso de mais camadas de segurança para me manter protegido”, afirma o executivo, que estava feliz em visitar o Brasil para falar sobre o F-Secure Freedome. Lançado a pouco tempo atrás para iOS e Android, o novo aplicativo da companhia promete devolver o controle das coisas para o usuário e garantir seu direito à privacidade.

Entendendo a tecnologia

Tendo sido projetado para ser o mais simples e intuitivo possível, o Freedome tem uma interface baseada apenas em um botão on/off. Ao ativá-lo, todo o tráfego de dados de seu smartphone (entrada e saída) é criptografado através dos servidores da F-Secure, criando uma conexão mais segura e teoricamente impossível de ser invadida por eventuais bisbilhoteiros.

O programa também atua como um cliente VPN (mascarando seu endereço de IP para um país de sua escolha), além de impedir que qualquer site da web guarde registros acerca de sua identidade enquanto você navega por eles. Em outras palavras, você se torna um completo anônimo blindado e não pode ter suas informações roubadas por ninguém – nem mesmo pela F-Secure.

“Somos uma empresa transparente e não coletamos nenhum dado do usuário”, observa Fredrikson. De acordo com o CEO, o Freedome não guarda nem mesmo o nome de usuário e informações de contato sensíveis acerca de seus utilizadores. Se necessária, a comunicação com o internauta será feita dentro do próprio app. O utilitário não é gratuito – custa US$ 4,99 por mês ou US$ 29,99 por ano –, pois segue a mesma filosofia clássica adotada pela empresa.

“Não existe app gratuito”, resume Christian. “Você pode até não saber, mas, quando um aplicativo é gratuito, você é o produto e você está sendo vendido”, complementa. O Freedome pode ser testado gratuitamente por sete dias e deve ganhar versões para Windows e Mac em um futuro breve. Por enquanto, você pode baixá-lo para Android e iOS.

Novidades do Younited

Além de apresentar o Freedome, a F-Secure também aproveitou para comentar sobre os novos recursos recém-implantados no Younited, seu serviço de armazenamento na nuvem lançado no final do ano passado. Duas novas edições do programa passaram a ser disponibilizadas pela companhia: o Younited for Business, que apresenta recursos de trabalho colaborativo voltado para corporações, e o Younited Events, que lhe permite criar “eventos” (públicos ou privados) para organizar documentos, fotos, músicas e outras informações.

Inicialmente focado para o usuário final, o serviço parece ter chamado a atenção das empresas por conta de seu alto nível de segurança e praticidade de uso. “Nenhuma empresa quer correr o risco de colocar suas informações confidenciais e seus arquivos mais importantes nas mãos de um concorrente”, afirma Christian.

“E se a plataforma tiver vulnerabilidades? Será que [ela] oferece práticas de privacidade adequadas? E se algum invasor conseguir se infiltrar no sistema? Essas são preocupações reais, e o Younited for Business chega para oferecer segurança sólida e criotografia em nuvem baseada em servidores na Europa, hospedados por uma empresa finlandesa com 25 anos de experiência em segurança”, finaliza.

Uma nova estratégia de vendas?

Com seu principal produto (SAFE) sendo apontado frequentemente como um dos melhores antivírus do mercado, a F-Secure está em atividade desde 1988 e mantém suas soluções de segurança cibernética baseando-se sempre nas rígidas políticas de privacidade existentes na Finlândia, seu país de origem.

Até pouco tempo atrás, a companhia parecia focada em vender seus softwares de forma indireta, distribuindo-o através de operadoras de telefonia e provedores de banda larga. O antivírus oferecido pela GVT, por exemplo, usa a infraestrutura e tecnologia da F-Secure.

Porém, ao que tudo indica, a empresa está cada vez mais interessada em oferecer seus produtos diretamente para o consumidor final, disponibilizando-as em lojas oficiais de aplicativos (como o Google Play e a App Store) e apostando alto na divulgação de seus serviços. Dessa forma, é bem provável que as pessoas fiquem menos confusas ao ver o nome da companhia no topo do próximo relatório da AV Comparatives – a grosso modo, podemos dizer que seu nome ainda é razoavelmente desconhecido para os usuários finais.

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