Privacidade é um negócio raro nos dias atuais, principalmente no que diz respeito à navegação na web e utilização de serviços de mensagens. Não importa o site que você acessa, quase todo mundo está usando algum serviço para coletar dados pessoais.

Ainda que muitos portais usem coletas de informações simplificadas, geralmente para análises que podem ajudar a melhorar a experiência dos usuários, há também empresas que estão de olho em tudo que você faz enquanto está com o computador conectado à rede mundial.

Você já percebeu que, após conferir alguns produtos em determinadas lojas virtuais, outras páginas começam a exibir inúmeras ofertas de itens do seu interesse? Pois é, esse rastreio de dados nos sites é bem comum. Ainda que em alguns casos seja benéfico (e te ajude a poupar uma grana), a invasão de privacidade é nítida e pode estar passando dos limites.

Já faz tempo que muitas companhias resolveram expandir seus recursos com o “rastreio de email”. O nome soa como algo perigoso, mas, na verdade, essa tática funciona de maneira similar à de páginas da web. Basicamente, as empresas que enviam emails de marketing conseguem verificar se você leu o conteúdo e, assim, podem enviar mais ofertas.

Como funciona o rastreio de email?

Nem tudo que você vê numa mensagem é o que parece. Assim como nas páginas da web, os emails que surgem na sua caixa de entrada podem conter códigos em HTML, os quais escondem muitas coisas por “trás dos panos”.

Sabe aquele email enfeitado por lojas online? Então, todos os links ali são rastreados, ou seja, trazem um código específico para que os remetentes possam conferir se você chegou até um determinado produto através do email que eles enviaram.

Esse tipo de rastreio é bem simples e funciona em paralelo com o que existe nas páginas da web. Através de ferramentas de análise (como o Google Analytics), é possível conferir quais endereços do site são mais acessados. Confira o exemplo abaixo:

http://www.loja.com/produto.html?utm_source=emailmarketing

Vamos supor que o link acima esteja em uma imagem que você recebeu no email. Neste caso, o código “utm_source=emailmarketing” é um adicional que permite ao remetente rastrear quando as pessoas acessam a página do produto e de que forma elas chegaram ali. Basta usar esse código nas ferramentas de análise para verificar que a pessoa leu o email e clicou no link.

Entretanto, este é um recurso que apenas serve para rastrear como a pessoa chegou na página. Atualmente, há métodos ainda mais precisos que conseguem verificar até mesmo quando você recebeu o email e se você realmente leu o conteúdo.

Usando códigos até bastante simples, as empresas podem solicitar um retorno do servidor (o provedor do seu email) para identificar se a mensagem de fato chegou à sua caixa de entrada. Esse tipo de recurso visa apenas informar que não houve falha no envio; trata-se de uma funcionalidade comum e que não causa qualquer prejuízo.

Todavia, as empresas de marketing de email costumam usar táticas mais agressivas para conferir se você realmente está abrindo os emails. Geralmente, elas colocam no corpo da mensagem um pixel invisível (geralmente um arquivo PNG de 1px, que não faz diferença alguma no layout).

Assim que o destinatário abre o email, essa imagem é carregada de um servidor, sendo que o remetente pode identificar a hora que a mensagem foi visualizada, o IP da pessoa e até o email que abriu (basta usar o truque do link que citamos acima com um código único de imagem para cada destinatário).

Como verificar se os emails são rastreados?

Esse tipo de rastreio de email é um truque sujo, algo que claramente invade a privacidade das pessoas. O problema é que não há muito como evitar esse tipo de artimanha, uma vez que colocar imagens nos emails não é algo ilegal, então as companhias simplesmente não vão parar de usufruir de um recurso que ajuda a entender melhor o consumidor.

Não existe um método muito preciso para evitar o rastreio de emails. Uma ideia é usar o bloqueador de imagens dos provedores, só que isso vai causar transtorno na hora de abrir qualquer mensagem, assim como vai impedi-lo de ver as ofertas em que você possivelmente teria interesse (afinal, você se cadastrou em lojas para receber ofertas, não é mesmo?).

Outra forma de evitar o rastreio de emails é utilizar extensões no seu navegador, as quais vão atuar dentro da sua caixa de entrada. É importante notar que esses softwares não são oficiais dos provedores, então você deve usar por sua conta e risco (nós usamos em vários testes e não tivemos problemas).

Como o Gmail é o serviço mais utilizado do mundo, os desenvolvedores costumam trabalhar em extensões que trabalhem em conjunto com esse serviço. Há dois complementos que podem adicionar essa funcionalidade ao Chrome.

O primeiro é o Ugly Email (que em breve terá versão para o Firefox), uma novidade que faz a verificação do rastreio em tempo real e coloca um ícone (de um olho) no título da mensagem. Se você vir o olho, já sabe que aquele email tem sistema de rastreio, então você não deve abrir o conteúdo caso não queira ser rastreado.

O segundo software que pode ajudá-lo é o PixelBlock. Essa extensão faz uma verificação similar à do Ugly Email, mas, além de indicar quando há rastreio de email (somente dentro da mensagem), ela realiza o bloqueio do pixel que vai repassar as informações para o servidor do remetente.

É possível instalar as duas extensões em conjunto, já que uma não interfere no funcionamento da outra. Entretanto, ainda vale ressaltar que, mesmo com as duas ferramentas, você não está completamente seguro, já que essas extensões bloqueiam apenas alguns dos tantos serviços de rastreio de email.

Às vezes, uma solução mais efetiva é usar o modo de janela anônima para fazer suas compras e evitar os tantos emails de propaganda. É claro, você pode acabar perdendo algumas ofertas, mas pelo menos sua privacidade está garantida. Você tem outras dicas para evitar o rastreio de emails? Compartilhe-as nos comentários para ajudar mais pessoas.

Cupons de desconto TecMundo: