O crime de ódio que aconteceu em Orlando, nos Estados Unidos, e deixou 50 mortos — além de dezenas de feridos — foi, finalmente, citado pelo presidente norte-americano Barack Obama. De acordo com ele, grande parte da culpa está na internet.

Durante a coletiva de imprensa, Obama citou que ainda não é claro como o atirador Omar Mateen, de 29 anos, tinha acesso ao material jihadista. Por outro lado, todas as agências e os veículos sabem que grupos extremistas, como o ISIS (Estado Islâmico), são ativos em redes sociais e mensageiros — como o Twitter, o YouTube e o Telegram.

James Comey, diretor do FBI, comentou o seguinte: "estamos bem confiantes de que o assassino foi radicalizado, pelo menos em partes, pela internet".

Dois pontos se destacam, a partir de tudo que foi apresentado e o histórico de chacinas nos EUA: a extrema facilidade em comprar armas de fogo (no caso, um rifle semiautomático AR-15) e a falha de forças policiais/agências de investigação em manter grupos extremistas fora da "surface" na internet.

O atirador Omar Mateen

Estado Islâmico e internet

Barack Obama disse que o crime de ódio foi um ato de "terrorismo cultivado em casa". Ou seja, algo que nasceu dentro do próprio assassino, dentro dos EUA e não foi comissionado ou realmente planejado por líderes do ISIS. "Não há evidência clara de que ele tenha sido influenciado externamente", comentou o presidente.

A cultura do medo costuma movimentar desde a economia até a política

Os fatos que aconteceram mostram o seguinte: Matteen jurou fidelidade ao ISIS em uma ligação para os serviços de emergência antes do ataque — ou durante, pois a linha cronológica ainda não está clara. Aconteceu a mesma coisa no ataque em San Bernardino, também nos EUA, em 2015: os atiradores juraram fidelidade nas redes sociais antes do ataque — caso você não se lembre, 14 pessoas foram mortas.

O Estado Islâmico, obviamente, confirmou que era o grupo responsável por coordenar os ataques. Por qual motivo? Mesmo que o FBI não tenha encontrado qualquer ligação real entre os assassinos de ambos os ataques com o grupo terrorista, ao se posicionar, o ISIS consegue propagar com força a cultura do medo.

A cultura do medo — aliás, tática utilizada até por governos e órgãos — costuma movimentar desde a economia até a política. Com o medo instaurado, indústrias diversas, como a bélica e a de softwares de vigilância, só têm a comemorar.

A cultura do medo impede que ações necessárias sejam tomadas

O problema é mais fundo?

No caso de Omar Mateen, parece que o problema vai mais fundo: em entrevista à CNN, a ex-mulher do atirador afirmou que ele "pode ser homossexual". Apenas lembrando, a boate Pulse, onde Mateen matou 50 pessoas, é notória pelo público LGBTTT.

A ligação com o ISIS pode ter sido uma fuga para Mateen

Outros jornais norte-americanos já haviam indicado a possível homossexualidade de Mateen. Além disso, relatos apontam que o assassino também já havia visitado a boate Pulse e que utilizava aplicativos de namoro gay. Ou seja, afirmar a ligação com o ISIS pode ter sido uma fuga.

A ex-mulher do atirador ainda comentou que "não acredita em uma ligação com o terrorismo organizado". Eles se divorciaram em 2011, já que ela era vítima de abuso de Mateen.

Vítimas de Mateen, mortas pela intolerância e pelo ódio

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