Quando lançou o Shield, em 2013, a NVIDIA tentou inaugurar um novo segmento entre os dispositivos com Android. Misto de console com acessório para PC, o portátil da empresa arrancou elogios em muitas análises por conta do seu potencial de processamento. Entretanto, nas lojas, a situação foi um pouco diferente, e o aparelho não emplacou como a companhia esperava.

Meses depois do lançamento, o preço do Shield foi drasticamente reduzido e, embora ainda seja comercializado, ele acabou se tornando um acessório de nicho, mais precisamente para gamers com GPUs da NVIDIA que queiram ter a comodidade de jogar em qualquer canto da casa.

O tablet NVIDIA Shield pode ser considerado de certa forma a segunda geração do produto e também um “aprendizado” para a empresa. Agora com o formato de tablet propriamente dito, o aparelho continua apresentando as mesmas funções e traz um controle wireless como seu principal acessório. A ideia é ampliar o público-alvo, que passa a ser não apenas os gamers, mas também todos aqueles que desejam um tablet com configurações de top de linha.

O gadget é ainda o primeiro a chegar ao mercado contando com o processador Tegra K1, que em nossos testes de benchmark se mostrou poderoso o suficiente para vencer qualquer outro competidor. O tablet NVIDIA Shield já está sendo vendido nos Estados Unidos, mas ainda não há previsão do lançamento dele no Brasil. Contudo, já temos a informação de que muito provavelmente o aparelho deve chegar às lojas nacionais em breve.

Para a realização desta análise, recebemos da NVIDIA o kit completo para avaliação: o tablet NVIDIA Shield, o controle sem fio Shield e também a capa oficial do aparelho. Os produtos, entretanto, são vendidos separadamente. Será que vale a pena investir o seu dinheiro no mais novo produto da empresa? Isso é o que você vai descobrir nesta análise.

Testes de benchmark

Para a realização desta análise, submetemos o NVIDIA Shield tablet a quatro aplicativos de benchmark. São eles: 3D Mark (Ice Storm Unlimited), AnTuTu Benchmark 4, GFX Bench (T-Rex HD Off Screen e T-Rex HD On Screen) e Vellamo Mobile Benchmark (HTML 5 e Metal).

Para efeito de comparação, passaram pelos  mesmos testes os seguintes aparelhos: NVIDIA Shield, Gradiente Tegra Note 7, LG G Pad 8.3 e Sony Xperia Tablet Z. O resultado de cada um dos testes, bem como o significado das pontuações, você confere abaixo.

3D Mark (Ice Storm Unlimited)

O teste Ice Storm Unlimited, do 3D Mark, é utilizado para fazer comparações diretas entre processadores e GPUs. Fatores como resolução do display podem afetar o resultado final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

AnTuTu Benchmark 5

Um dos aplicativos de benchmark mais conceituados em sua categoria, o AnTuTu Benchmark 5 faz testes de interface, CPU, GPU e memória RAM. Os resultados são somados e geram uma pontuação final. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

GFX Bench

O GFX Bench é voltado para mensurar a qualidade gráfica. Isso inclui itens como estabilidade de desempenho, qualidade de renderização e consumo de energia. Os resultados são revelados em média de frames por segundo (FPS). Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Vellamo Mobile Benchmark

O Vellamo Mobile Benchmark aplica dois testes ao aparelho: HTML5 e Metal. No primeiro deles é avaliado o desempenho do tablet no acesso direto à internet via browser. Já no teste Metal, o número final indica a performance do processador. Quanto maior a pontuação, melhor é o desempenho.

Design

Embora seja o primeiro tablet da geração Shield da NVIDIA, o design do produto não traz muitas novidades para os usuários brasileiros. O visual é praticamente o mesmo do Gradiente Tegra Note 7, aparelho que serviu como base para o lançamento do processador Tegra 4. Desta vez, o novo modelo funciona como o carro-chefe do processador Tegra K1.

Pesando 390 gramas, o modelo é bastante confortável nas mãos, em especial para jogos. A espessura é menor do que 1 centímetro, e, mesmo com os cantos arredondados, as linhas quadradas denotam um conjunto harmonioso. Na parte frontal, destacam-se ainda os dois speakers, localizados nas bordas superior e inferior.

A traseira possui um acabamento emborrachado, que garante uma melhor pegada do aparelho. Todos os botões – power e controle de volume – estão localizados na lateral direita. Nela é possível acessar ainda a entrada para cartão micro SD e para SIM card na versão compatível com o recurso. Ainda no mesmo lado, é colocada a caneta DirectStylus 2.

Já na lateral esquerda há dois pequenos encaixes que servem de entrada para a Shield Case, capa magnética, vendida separadamente, que garante maior proteção para o tablet. Na parte superior há entrada para o carregador e para fone de ouvido, além de uma saída HDMI. Embora não seja o mais inovador dos designs, seu conjunto é funcional e garante um produto imponente aos olhos do consumidor.

Interface

A personalização do Android disponibilizada pela NVIDIA não chega a modificar muito o sistema e, em relação ao que havia sido disponibilizado tanto no Shield quanto no Tegra Note, não há muitas novidades. O principal destaque fica por conta do acesso facilitado a quatro aplicativos da empresa: o Shield Hub, o Shield Console, o Shield Wireless e o NVIDIA Dabbler.

O uso da DirectStylus 2 libera um launcher com acesso a apps específicos para a ferramenta: o próprio NVIDIA Dabbler, o app Write, o Evernote e o JusWrite. Por ser um tablet focado em games, a NVIDIA aposta ainda numa interface que prioriza o aparelho na horizontal. Dessa forma, o dock de apps é estruturado inicialmente para ficar do lado direito da tela.

Desempenho

O tablet Shield é o primeiro a chegar ao mercado com o poderoso processador Tegra K1. Isso faz dele um verdadeiro campeão nos testes de benchmark, como você já deve ter percebido nos gráficos acima. No teste Ice Storm Unlimited do 3D Mark, por exemplo, foram quase 60 fps de média, número expressivo e bem acima do alcançado pelos seus concorrentes.

Entretanto, na prática, o desempenho é igualmente satisfatório ao do Gradiente Tegra Note 7, por exemplo. Jogos como Fifa 15, GT Racing 2 ou Injustice: God Among Us rodam lisos, sem nenhum travamento ou atraso. A transição entre apps e a fluidez entre telas são naturais e não vão deixar você na mão em nenhum momento.

Se em jogos, proposta principal do tablet, o resultado é muito convincente, em tarefas normais a situação se mostra ainda mais tranquila, uma vez que estamos falando de apps que exigem uma capacidade menor de processamento. Sem dúvida, ao menos por enquanto, estamos falando de um modelo imbatível nesse quesito.

Tela

O display Full HD de 8 polegadas corrige um dos poucos pontos negativos do Tegra Note e garante ao jogador a qualidade final necessária nas imagens – o modelo anterior tinha resolução de 1280x800 pixels, configuração que destoava do restante do produto. A nova tem uma resposta precisa aos toques, seja das mãos ou da caneta DirectStylus 2.

Porém, o nível de reflexo na tela, em alguns momentos, pode prejudicar a jogatina. Por isso, certifique-se de configurar bem o brilho de tela – as opções de controle são simples, mas bastante eficientes – e escolher um ambiente com pouca incidência de luz sobre o display.

A luminosidade alta, assim como a proveniente de ambientes iluminados por lâmpadas fluorescentes, pode incomodar um pouco, uma vez que usando o controle sem fio você ficará a uma distância maior que a convencional do aparelho. Sob a luz do sol, a percepção é a mesma.

Bateria

A duração de bateria também foi aprovada em nossos testes. Como se trata de um tablet gamer, é natural que você passe mais tempo nessa atividade e ela tradicionalmente consome mais energia. Em nossos testes, pudemos jogar com tranquilidade por pouco mais de seis horas, um tempo dentro da média dos demais modelos do mercado.

Já em uso cotidiano, foram precisos quase dois dias para a carga acabar completamente. A capacidade de bateria é de 5.197 mAh e o tempo para uma recarga completa fica em torno de duas horas quando ligado direto na tomada. Não há nenhuma surpresa nesse quesito e o aparelho se saiu muito bem em nossa avaliação.

Câmera

Entre todos os aspectos do tablet NVIDIA Shield, a câmera traseira parece ser a que recebeu menos atenção por parte da fabricante, sendo o ponto mais fraco do produto. Com 5 megapixels de resolução, ela garante fotos medianas, mas satisfatórias dentro da proposta de um tablet.

A resolução da câmera principal é exatamente a mesma da câmera frontal, essa sim uma grata surpresa com seus 5 megapixels de resolução. Essa característica garante uma boa qualidade de imagem para a transmissão de videoconferências ou mesmo para selfies. Na dúvida, não dependa dela e garanta uma câmera melhor em seu smartphone.

Qualidade de áudio

O posicionamento dos speakers frontais garante uma boa qualidade de áudio. Por conta do tamanho das saídas, nem mesmo o fato de que as mãos podem se sobrepor a elas durante a jogatina vira um empecilho. O tablet não vem acompanhado de fones de ouvido, portanto certifique-se de ter os seus, caso não queira incomodar os outros com o volume alto das suas trilhas sonoras.

Direct Stylus 2

A segunda versão da caneta DirectStylus não traz muitas mudanças significativas, mas a qualidade do software que acompanha o produto evoluiu bastante. Um exemplo é o NVIDIA Dabbler, um app para desenho que reconhece diversos níveis de pressão da caneta, permitindo traços mais realistas e fieis aos que você teria desenhando no papel.

Um launcher específico revela ainda integração com ferramentas úteis no dia a dia, como o próprio NVIDIA Dabbler, o app Write, o Evernote e o JusWrite.

Uma central de jogos

Por fim, o tablet Shield traz as mesmas funções da primeira geração do aparelho, o que permite uma integração perfeita com o PC daqueles que possuem GPUs da linha GeForce. Você pode conectar o tablet à TV para transmitir seus games Android (necessita um cabo vendido à parte), fazer streaming de jogos de PC diretamente no Shield ou ainda transmitir os seus jogos diretamente para o Twitch.

O número de games Android já mapeados para o uso do controle passa de 200, mas o volume ainda pode desapontar alguns usuários. Por outro lado, acessar os jogos de PC diretamente no portátil acaba se tornando um diferencial e tanto para o aparelho. Contudo, fique de olho na sua conexão e, em especial, no seu roteador.

Modelos mais simples podem não dar conta de transmitir com qualidade o sinal do PC para o tablet. Nesse ponto, é mais importante ter um roteador eficiente do que um PC poderoso, desde que o computador seja capaz de rodar os jogos em questão.

Shield wireless controller

Vendido separadamente, o controle wireless Shield é bastante ergonômico, com mudanças sutis em relação ao primeiro modelo do Shield. A combinação se mostra mais eficiente para jogos do que o conjunto anterior, em especial pela sua leveza.

Nele há entrada para fones de ouvido, ajuste controle de volume e botões dedicados para acesso aos principais menus do Android. O pareamento entre o tablet e o controle é feito de forma simples, por meio de um botão dedicado. Embora seja eficaz, a construção física do produto, em alguns momentos, deixa transparecer uma sensação de fragilidade, com pequenos estalos no manuseio.

O produto é vendido à parte, mas nesse caso podemos considerá-lo um complemento essencial para o melhor uso possível do tablet. O preço dele, nas lojas norte-americanas, é de US$ 59 (o equivalente a R$ 145, sem impostos).

Shield cover

Outro acessório vendido à parte é o Shield cover, uma capa magnética utilizada para proteger o tablet. Quando desdobrada, ela pode servir ainda como um apoio para manter o aparelho em pé, como em um dock. Nas lojas norte-americanas, o preço sugerido do Shield cover é de US$ 39 (o equivalente a R$ 96, sem impostos).

Relação custo-benefício

Ao menos por enquanto, ainda não há previsão de lançamento do tablet NVIDIA Shield no Brasil. Segundo informações da NVIDIA, o produto pode chegar por aqui ainda neste ano, mas uma data de lançamento ainda é incerta. Nos EUA ele já é vendido desde o final do mês de julho em duas versões: com 16 GB de armazenamento e WiFi por US$ 299 (o equivalente a R$ 733, sem impostos) e com 32 GB de armazenamento, WiFi e 4G por US$ 399 (o equivalente a R$ 979, sem impostos).

Levando em consideração a sua proposta e o preço de possíveis aparelhos concorrentes, é possível afirmar que o modelo da NVIDIA não está entre os mais baratos, entretanto ele é consideravelmente superior em termos de desempenho do que qualquer outro aparelho vendido na atualidade. Se você pretende utilizar todo o potencial do tablet, com jogos que requerem alto poder de processamento, sem dúvida esta é a melhor opção de investimento.

Contudo, caso você não seja um gamer hardcore ou não tenha interesse nas opções relacionadas ao streaming de jogos do PC, vale a pena considerar outros modelos com preços mais em conta.

Vale a pena?

Ainda indisponível no Brasil, o tablet Shield se mostra inicialmente uma opção mais interessante do que o Shield tradicional, em especial pelo fato de ser mais versátil. Se antes ele era apenas um acessório para jogos, agora ele ganha vida independente, funcionando como um aparelho potente para outras atividades.

Embora o design não revele muitas novidades e a câmera decepcione um pouco, em todos os outros quesitos o modelo se mostra acima da média. O principal destaque fica por conta da sua capacidade de processamento. Graças ao Tegra K1, podemos afirmar com tranquilidade que este é de fato o tablet gamer mais potente do mercado, com uma vantagem considerável sobre os seus concorrentes.

Se você é gamer de PC e sua máquina conta com uma GPU NVIDIA, certamente vai poder ainda tirar proveito do fato de transformar a tela do aparelho em uma extensão do seu PC de jogos, levando games top de linha para qualquer canto da casa. Ao menos nos EUA, os valores de venda estão dentro da média do mercado, o que torna o novo Shield uma excelente opção a ser considerada na hora da compra de um tablet.

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