Chega a ser engraçado a velocidade como certas “verdades” e decisões mudam no segmento da tecnologia, não é? Há cerca de dois anos, um dos diretores da Netflix disse que a empresa nunca ia disponibilizar seu conteúdo para download, apenas para que, no início de 2016, o CEO da companhia começasse a voltar atrás nessa declaração. Os rumores sobre o tema foram se fortalecendo nos últimos meses e, agora, parece que a coisa finalmente pode sair do papel. O melhor? É mais fácil a novidade chegar por aqui do que nos EUA.

Pois é, parece que a galera acostumada com o modo offline de serviços como Spotify Premium e Amazon Prime – que quebram um galhão em viagens, passeios e filas de banco – vai ter seus mais profundos desejos atendidos com a plataforma de vídeo mais badalada da atualidade. A informação vem de uma entrevista recente que Ted Sarandos, CCO da Netflix, deu à CNBC. Na ocasião, ele não disse com todas as letras que a chegada do recurso é iminente, mas deixou bem claro que a função está nos planos da companhia.

Expansão mundial é a principal razão da mudança de planos da Netflix

Inicialmente, o principal empecilho para uma empreitada do tipo era o fato dos executivos da empresa acharem que seus usuários nunca estariam longe de uma conexão confiável e robusta o suficiente para garantir uma qualidade mínima de reprodução – seja através de redes cabeadas, WiFi ou 4G. Porém, lembra daquela história que tudo muda muito rápido nesses setores ligados à tecnologia? Então, a Netflix expandiu para uma série de outros países além dos Estados Unidos e percebeu que a realidade nesses locais era bem, bem diferente.

“Nesses países, eles adaptaram seu comportamento para uma cultura bem mais focada em downloads. Assim, nesses territórios emergentes, isso [a ideia de um modo offline] começa a ficar um ponto mais interessante”, explicou Sarandos. Ele ainda defende, no entanto, que em mercados mais consolidados a ideia principal é trabalhar junto de provedoras de internet e parceiros no ramo de telecomunicações para melhorar a qualidade de conexão em vez de optar pela reprodução do conteúdo via armazenamento local.

Prioridades, amigos

No Brasil, nem a internet fixa média do brasileiro muitas vezes consegue reproduzir com qualidade filmes e seriados

Claro que o comentário do executivo ouriçou um pouco os ânimos dos norte-americanos, já que muitos deles afirmam que nem todo lugar possui boas conexões e que assistir à Netflix em aviões, por exemplo, é algo que beira o impossível. O que muitos deles não sabem é que, no Brasil, nem a internet fixa média do brasileiro muitas vezes consegue reproduzir com qualidade filmes e seriados oferecidos pela empresa e que tentar conferir uma produção no celular é pedir para o seu plano de dados acabar em poucos minutos.

Pelo bem da justiça, do bom senso e da expansão mais fluida do serviço de streaming em regiões em desenvolvimento, o mais provável é que os EUA estejam entre os últimos a receber um modo offline, enquanto os brasileiros devem ficar nas primeiras levas de agraciados com o recurso. Embora não haja nada confirmado nesse sentido, é de se esperar que países como a Índia – com uma população cada vez maior, mais conectada e faminta por consumir conteúdo digital – sejam pioneiros no uso da funcionalidade, como aconteceu com o YouTube Go.

Netflix no celular sem WiFi? No Brasil, nem pensar!

Você aprovaria a implementação de uma ferramenta como essa na Netflix? Usa muito o modo offline do Spotify e acredita que a mudança também serviria para o streaming de vídeos? Deixe a sua opinião mais abaixo, na seção de comentários.

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