A Tesla tem um imenso desafio pela frente desde que entregou as primeiras unidades do Model 3: a demanda não para de crescer, a fábrica de baterias está a todo vapor e, segundo Elon Musk, os próximos seis meses serão como “um inferno de produção”.

No entanto, o CEO da montadora sabe que, mais importante que o carro, é a forma como ele é produzido. É por isso que Musk fez questão de destacar que os times de engenharia, produção e logística estavam focados em desenvolver “a máquina que faz a máquina”. A referência é sobre a planta que o executivo diz que utiliza princípios que priorizam a física antes de tudo.

Musk explicou que, para um tamanho específico de fábrica, você tem três fatores: volume, densidade e velocidade. No caso do volume, especificamente, ele diz que se usa um percentual baixo do total que está disponível – como, por exemplo, o espaço acima do solo.

Em termos de velocidade, o bilionário explica que as melhores fábricas do mundo fazem um novo veículo a cada 25 segundos. Considerando o tamanho do veículo e um espaço de manejo, a conclusão de Musk é que o espaço efetivamente necessário é de cinco metros, o que faz com que o carro se movimente a cerca de 0,2 metros por segundo – tão rápido quanto uma tartaruga.

Por fim, a densidade: o CEO compara o processo ao desenvolvimento de chips de computadores, que geralmente envolve linhas extremamente densas, com muitos elementos próximos e diversas camadas diferentes. A densidade de uma fábrica dessas é na ordem de dois a três por cento e que, no caso da Tesla, ele acredita que pode ser escalado para 20% a 30%.

A matemática de Musk aqui é que, segundo ele, as fábricas da Tesla tem potencial para escalar a produção em proporções de até 10 vezes. Isso significa que a produção atual, de 1,5 mil unidades por semana, deve superar a marca de 10 mil veículos no mesmo espaço de tempo em 2018 – um total de 520 mil unidades no ano, pouco menos que os 700 mil esperados pelo próprio executivo.

Aqui vem a matemática curiosa de Musk: antes de ser uma fábrica da Tesla, esse mesmo local era uma planta de um esforço conjunto da Toyota e da GM, com uma capacidade de produção de 385 mil veículos por ano. Se a produção nessa mesma estrutura pode ser escalada em até 10 vezes, são 3,85 milhões de unidades.

O número é bem maior do que a expectativa da própria montadora. Isso significa que existem duas possibilidades: ou Musk errou o cálculo, ou ele está preparando uma revolução no processo de produção assim como tem feito com seus carros.