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A história da Konami: dos arcades aos jogos clássicos de consoles

Conheça a história da Konami, dos primeiros arcades aos consoles, e relembre franquias e jogos que marcaram gerações de jogadores

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule24/08/2026, às 20:15

Entre as desenvolvedoras japonesas de games há décadas nessa indústria, a Konami se destaca por uma série de fatores. Ela foi a responsável por criar franquias de sucesso, participou de diferentes gerações do mercado e revelou grandes talentos.

Por outro lado, ela também teve períodos turbulentos e se envolveu em polêmicas que, embora não façam ela perder o legado, prejudicaram a imagem da companhia.

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Para entender toda essa linha do tempo e a situação atual dela, o TecMundo preparou uma recapitulação dos principais momentos e jogos dessa marca tão popular.

Como surgiu a Konami?

O empreendimento que mais tarde se chamaria Konami é fundado em 21 de março de 1969 em uma cidade na região de Osaka, no Japão. O responsável é Kagemasa Kozuki, que seguirá na empresa ao longo das décadas em cargos de liderança.

Foto de Kozuki, cofundador da Konami
Kozuki, cofundador da Konami. (Imagem: Business Wire/Reprodução)

Ele abre uma empresa de eletrônicos especializada no conserto de jukeboxes — máquinas antigas de reprodução de músicas ativadas por moedas. Os outros dois sócios eram Yoshinobu Nakama e Tatsuo Miyasako, ambos com experiência em gravadoras.

O nome Konami nasce em 1973 e é uma palavra criada a partir da mistura dos sobrenomes dos três fundadores: Kozuki, Nakama e Miyasako.

Como a empresa entrou no mercado de videogames?

Poucos anos após iniciar a operação, a Konami passa a lidar também com máquinas usadas em parques de diversões, já que o setor de jukeboxes estava perdendo forças.

Nesses locais, os sócios conhecem o crescente setor de jogos eletromecânicos, que envolve máquinas como pinballs e, mais tarde, os fliperamas.

Os primeiros jogos da Konami nos arcades

O começo da Konami em arcades foi discreto. Os primeiros jogos saem a partir de 1978 sem destaque, começando com Block Yard (uma cópia da jogabilidade do clássico Breaktout).

Em 1981, sai o primeiro grande sucesso dela nesse mercado. É o Frogger, jogo em que um sapo precisa atravessar um cenário movimentado que inclui uma rodovia e chegar do outro lado da tela.

Desse período, outros games com sucesso de público e crítica nos fliperamas incluem Scramble, Super Cobra e Jungler. Porém, a Konami estava de olho também em outras plataformas.

Como a Konami conquistou os consoles?

A Konami foi uma das desenvolvedoras japonesas que mais abraçou o início da era dos consoles, com jogos para fliperamas que chegaram em plataformas bem diferentes — do Atari 2600 até computadores, como o Commodore 64 e modelos MSX.

Um dos maiores exemplos foi o jogo de nave com progressão horizontal Gradius, de 1995. Esse clássico foi ainda o primeiro título dela a trazer o Konami Code, um atalho escondido que liberava todos os equipamentos e poderes para a nave.

Jogo Gradius, muito famoso em fliperamas da época
Gradius em fliperamas. (Imagem: Konami/Divulgação)

A sequência "cima, cima, baixo, baixo, esquerda, direita, esquerda, direita, B e A" apareceria em vários outros jogos da desenvolvedora, sempre com efeitos diferentes.

Além dele, a Konami lançou títulos como Rock'n Rope, o influente jogo de luta Yie Ar Kung Fu e Track & Field, uma coletânea de mini-games de esportes — que se tornariam cada vez mais populares entre os games da empresa.

As primeiras grandes franquias da Konami

Na segunda metade da década de 1980, a desenvolvedora tem um período de ouro em lançamentos. O destaque de 1986 é Akumajō Dracula, fora do Japão conhecido como Castlevania. A série de terror, ação e plataforma vira queridinha dos fãs ao longo dos anos seguintes e se consolida primeiro no Nintendinho.

No ano seguinte, surge o game de ação Contra, com a alta dificuldade para dois jogadores reforçando a força dela nos fliperamas. Além disso, o MSX vira palco de um título de guerra e espionagem chamado Metal Gear.

Ilustração de Alucard, personagem de Castlevania Symphony of the Night
A franquia Castlevania se popularizou ainda mais com o tempo. (Imagem: Divulgação/Konami)

Ele foi criado por um funcionário que entrou na Konami anos antes como designer, Hideo Kojima, que começa colaborando em outros títulos e logo viraria um dos maiores rostos dessa marca.

Nesse período, ela lança outros games de sucesso e aposta no multiplataforma. É o caso do primeiro jogo baseado nas Tartarugas Ninja, o faroeste Sunset Riders e o fenômeno Dance Dance Revolution, entre outros.

A era do PlayStation e a expansão

A mudança de geração significa também a chegada de novos títulos, como o RPG Suikoden, de 1995, e Castlevania: Symphony of the Night — que mudou o gênero da própria franquia, saindo do plataforma linear, e serviu de base para inúmeros jogos nas décadas seguintes.

Mas o salto é importante principalmente por uma reorganização corporativa. Ela cria a Konami Computer Entertainment (KCE), uma divisão em várias subsidiárias com estúdios em diferentes cidades, que ficariam encarregados de algumas franquias.

Winning Eleven, PES e a referência no futebol

A equipe de Osaka investiu no futebol, empolgada pela popularidade do esporte no Japão. O título que marca essa guinada é Perfect Eleven (1994), que fora do Japão virou International Superstar Soccer — com a versão Deluxe sendo um sucesso no Brasil, com figuras como o craque Allejo.

Essa série dá origem aos títulos Winning Eleven, com o primeiro lançado em 1995 para o PlayStation. O nome depois foi padronizado para o título internacional, Pro Evolution Soccer, que por anos travou uma verdadeira guerra contra o FIFA da EA Sports.

Silent Hill e o sucesso do terror nos videogames

O estúdio localizado em Tóquio foi para um caminho bem diferente e desenvolveu um título de terror. É Silent Hill, de 1996, um jogo com atmosfera perturbadora e um estilo de sobrevivência com poucos recursos diferente do também recente Resident Evil.

Imagem de divulgação de Silent Hill f, com uma menina no centro
Silent Hill f, um dos mais recentes da série. (Imagem: Divulgação/Konami)

A névoa na cidade, adotada por limitações técnicas na renderização gráfica dos cenários, virou um dos elementos mais marcantes da franquia. Silent Hill teve vários títulos nos anos seguintes, mas os altos e baixos dela também são exemplo de como a companhia teria períodos turbulentos mais adiante.

Metal Gear Solid e a influência de Hideo Kojima

Na divisão KCE Japan, uma franquia que teve pouca visibilidade fora do Japão foi revivida por uma pequena equipe liderada por Kojima. Metal Gear Solid, agora no PlayStation, foi considerado um dos títulos mais criativos da geração.

A trama militar, o gameplay de infiltração com pequenas surpresas e personagens marcantes tornaram a série extremamente popular em crítica e vendas. Foram lançadas várias sequências e spins-offs ao longo dos anos.

Yu-Gi-Oh! e o fenômeno fora dos games

Em 1999, a Konami tem um inusitado sucesso fora dos eletrônicos. Ela se torna a responsável pelo lançamento das cartas colecionáveis Yu-Gi-Oh!, uma franquia que começa em mangá, mas que tem o licenciamento transferido para a desenvolvedora.

Ela se torna a responsável por uma das franquias mais bem sucedidas desse segmento, também criando adaptações para consoles e portáteis. Títulos como Yu-Gi-Oh! Forbidden Memories, no PlayStation, levam as disputas de sorte e estratégia também para as telas.

A crise na Konami

A década de 2000 é considerada de sucesso, já que a Konami segue lançando sequências e fazendo experimentações. Ela ainda adquire ainda mais propriedades com a compra da Hudson Soft, de séries como Bomberman.

Só que o momento é de altos e baixos, com ela sendo reconhecida não só por sucessos, mas títulos sem a mesma qualidade esperada.

A queda em vendas e a redução cada vez maior do setor de fliperamas até mesmo no Japão faz a Konami mudar novamente o foco. Em 2015, ela confirma que passaria a dedicar mais tempo, equipes e orçamentos para jogos mobile e pachinkos, que trazem uma maior rentabilidade a curto prazo.

A saída de Hideo Kojima

Um dos pontos que exemplificou a crise foi a saída de um dos produtores mais icônicos da companhia. Kojima deixa a Konami em 2015, após anos de desgaste com a diretoria e rumores sobre o que provocou o rompimento.

Apesar de conseguir fundar o próprio estúdio, a Kojima Productions de Death Stranding, ele não conseguiu terminar os dois últimos projetos que faria na antiga casa.

Desenvolvedor de jogos Hideo Kojima
Hideo Kojima. (Imagem: John Phillips/GettyImages)

Silent Hills (também chamado de P.T., que foi o nome da demo que fez sucesso na indústria) foi cancelado antes de sair do papel, enquanto Metal Gear Solid V: The Phantom Pain sai com alguns elementos inacabados, sem a participação do criador.

O que aconteceu com a Konami nos últimos anos?

Após as saídas e a decisão estratégica, a Konami entrou em reestruturação interna e por anos deixou de lançar jogos AAA das franquias clássicas. Remasterizações e coletâneas eram lançadas, mas sem tanto apelo além do fator nostalgia.

Após as saídas e a decisão estratégica, a Konami entrou em processo de reestruturação interna e por anos deixou de lançar jogos AAA novos das franquias clássicas. Remasterizações e coletâneas ainda eram lançadas, mas sem tanto apelo para além do fator nostalgia.

Nos últimos anos, a empresa voltou aos trilhos e várias evidências reforçam esse bom momento:

  • a reformulação do PES em eFootball que, depois de alguns anos, se consolidou como um jogo de serviço;
  • o retorno das grandes franquias, começando com Silent Hill e depois para Metal Gear e Castlevania;
  • a terceirização da produção para outros estúdios, como a Bloober Team;
  • resultados fiscais da divisão de games voltando a subir.

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