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The BRIEF

Que fim levou a Trip, companhia aérea que era sucesso no mercado regional?

Empresa chegou a ser a maior da categoria em pouco mais de uma década de operação, mas perdeu espaço após fusão com concorrente.

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule18/10/2025, às 09:00

updateAtualizado em 24/02/2026, às 09:14

O setor de aviação no Brasil tem uma história bastante rica de empresas que tiveram sucesso, inclusive em viagens internacionais, mas deixaram de existir com o tempo. É o caso das gigantes Varig e Vasp, citando apenas dois exemplos que deixaram um grande legado no setor.

Só que o país também já teve muitas companhias aéreas regionais de destaque, atendendo mercados alternativos e muitas vezes deixados de lado por outras empresas. Neste segmento, poucas marcas tiveram um sucesso tão grande e breve quanto a Trip.

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Quem mora em uma cidade que não foi atendida por aviões dela pode não conhecer o nome, mas esse empreendimento foi referência no setor por mais de uma década e hoje integra um dos grandes nomes da indústria nacional. A seguir, relembre ou conheça a trajetória da Trip e entenda o que aconteceu com essa marca.

O início da Trip

A trajetória dessa companhia aérea começa com o empresário José Mario Caprioli, cujo grupo era dono de empresas de transporte rodoviário. Em 24 de março de 1998, a empresa é criada em Campinas e começa a operar poucos meses depois.

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Rotas regionais e pouco visadas pelas concorrentes foram as armas da Trip. (Imagem: Reprodução/Passageiro de Primeira)

O nome Trip tem dois significados: além de significar "viagem" ou “passeio” em inglês, ela é originalmente a sigla para Transportes Regionais do Interior Paulista.

Ela já começa como uma empresa de foco regional, ou seja, que atendia principalmente capitais fora do eixo mais ocupado por concorrentes. O empresário também focou em cidades de médio porte, com aeroportos pouco ou quase não atendidos por outras companhias aéreas.

Para além do grupo de Caprioli, com o tempo a companhia passou a ter controle parcial também do Grupo Águia Branca (50% do capital desde 2006) e da norte-americana SkyWest Airlines (20% adquiridos em 2008).

Expansão e atuação

As primeiras aeronaves da Trip eram modelos EMB-120 da Embraer para até 30 passageiros, seguindo a estratégia dela de atender demandas que exigiam aeronaves menores.

A rota Natal – Fernando de Noronha – Recife é o primeiro grande sucesso comercial da Trip, que só no segundo ano de operação começa a atender o estado de São Paulo. Aos poucos, ela constrói uma frota com aeronaves da francesa ATR, além da parceria com a brasileira Embraer.

A companhia se destaca pela atuação em Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Guarulhos, Cuiabá, Manaus e Brasília, com viagens para cidades menores desses e de outros estados.

Após uma crise em 2001 que atingiu todo o setor após os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos, a expansão segue. Alguns acontecimentos notáveis incluem os seguintes feitos:

  • Em 2005, a Trip expande na região Norte do Brasil em parceria com a Rico Linhas Aéreas;
  • A sua principal movimentação de mercado vem em 2007, quando ela compra a companhia aérea rival Total. Nesse ponto, ela passa a atender 62 cidades e vira a maior regional da América do Sul;
  • Neste período, ela também adquire as suas primeiras aeronaves de fábrica, dois modelos ATR 72-500;
  • No ano de 2008, abre mais voos no Amazonas e no Pará e adquire os grandes e poderosos jatos Embraer 175;
  • Em 2009, a Trip ultrapassou a marca dos 70 destinos;
  • Já em 2010, o Grupo Caprioli vende as empresas de ônibus do conglomerado, aumentando o capital investido na TRIP;
  • Para expandir os serviços, em 2011 nasce a marca Trip Cargo, para atuar no setor de transporte de cargas também com foco em cidades do interior;

O ano de 2011 é também importante por outro motivo. Em vias de virar o grupo Latam, a TAM anuncia a intenção de compra de participação na Trip, sendo que as duas já tinham acordos de voos conjuntos há anos. Porém, essa negociação não avançou e o destino traçado foi outro.

O que aconteceu com a companhia aérea Trip?

No fim de maio de 2012, a Trip anunciou uma fusão com a Azul Linhas Aéreas e a formação de uma holding de novo nome que juntava ambas, a Azul Trip.

Como parte da negociação, mais de 66% da participação era da Azul, enquanto o restante ficou com a Trip. As duas marcas estavam competindo em várias rotas e José Mário, que se tornou o primeiro presidente executivo da holding, viu ali uma oportunidade de consolidação.

Rapidamente, o nome Trip foi então abandonado em toda a identidade da nova marca, exceto por uma referência visual na logo da companhia: a troca do tom de cor em uma das letras de Azul, assim como era no símbolo da parceira. Entretanto, com o tempo e novas mudanças de design, isso também foi deixado de lado.

A Trip continuou existindo por mais alguns meses após a fusão, mas já com um acordo de compartilhamento de voos — o que significa que viagens de uma companhia podiam ser vendidas também pela outra. Em 2014, a marca já tinha deixado oficialmente de existir dentro da Azul.

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Um avião da Azul ainda com a logo que homenageia a Trip. (Imagem: Divulgação/Azul)

Juntas, as duas companhias operavam no momento da fusão 800 voos diários e a operação fez com que a Azul ficasse com 15% do mercado, virando uma das três maiores empresas de aviação do país (atrás apenas da então TAM e também da Gol).

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Perguntas Frequentes

O que era a Trip e qual era seu foco de atuação?
A Trip era uma companhia aérea brasileira que se destacou no mercado regional, atendendo principalmente capitais fora do eixo mais ocupado por outras empresas. Seu nome, além de significar "viagem" em inglês, era uma sigla para Transportes Regionais do Interior Paulista.
Quem fundou a Trip e quando ela começou a operar?
A Trip foi fundada pelo empresário José Mario Caprioli, cujo grupo já possuía empresas de transporte rodoviário. A companhia foi criada em 24 de março de 1998, em Campinas, e começou a operar poucos meses depois.
Por que a Trip deixou de existir como uma marca independente?
A Trip deixou de existir como uma marca independente após uma fusão com uma concorrente, o que fez com que perdesse espaço no mercado regional em que atuava.
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