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Que fim levou o BOL, site e serviço de email famoso na era da internet discada?

Plataforma criada por brasileiros segue em operação dentro de outro conglomerado, mas com pouca produção própria

Avatar do(a) autor(a): Nilton Cesar Monastier Kleina

schedule23/08/2025, às 09:00

updateAtualizado em 23/08/2025, às 09:33

A internet comercial estreou no Brasil oficialmente em 1995 e, em questão de meses, vários sites, serviços digitais e provedores começaram a surgir com diferentes propostas. Alguns deles se destacaram logo de início, sustentados por grandes grupos do setor de comunicação ou tecnologia, e viraram por anos parte do cotidiano digital de muita gente.

Um desses nomes populares é o BOL, uma dos muitas alternativas de acesso à internet discada e criação de email aos novos internautas, a ponto de ser o primeiro endereço eletrônico de muitos brasileiros. Mas você sabe o que aconteceu com essa empresa depois que as plataformas digitais mudaram o mercado? O TecMundo relembra abaixo a trajetória e o paradeiro desse veterano da internet nacional.

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O nascimento de um gigante nacional

Criado pelo grupo Abril, empresa consolidada como editora de quadrinhos e revistas, o BOL começa as atividades em 23 de abril de 1996 e significa Brasil Online. Ele possivelmente foi batizado em referência a um conglomerado dos Estados Unidos referência nessa ainda jovem internet: a America Online, ou AOL, que já existia há alguns anos como uma provedora de serviços digitais.

O empreendimento estreou como portal e trazia notícias sobre carros, esportes e finanças, além de incorporar os sites de duas revistas da Abril: Info Exame e Superinteressante.

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Uma das primeiras versões da interface do site. (Imagem: Reprodução/BOL)

Em setembro do mesmo ano, a companhia passa por uma mudança radical: ele é incorporado pelo Grupo Folha, dono da Folha de São Paulo e de um portal que também nasceu no mesmo ano e era um dos seus grandes concorrentes: o Universo On-Line, mais conhecido como UOL.

Ou seja, depois de pouco tempo atuando como rivais, BOL e UOL rapidamente passaram a pertencer ao mesmo grupo, mesmo permanecendo como atividades paralelas. Essa situação curiosa se mantém até os dias de hoje.

A internet discada e o auge do BOL

O destaque BOL em meio a tantas outras empresas de internet que nasceram nesse período estava no correio eletrônico. Lançado junto do site e reformulado em 1999, o serviço de email da empresa era oferecido de graça, independente e por um cadastro simplificado, algo que não era nada comum no período.

Em outras companhias, o endereço com "@" era vinculado à compra de outro serviço, como um plano de internet discada ou assinaturas diversas. E tudo isso era feito pelo próprio navegador, sem a vinculação a um software ou cliente específico, como também era de costume.

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O email grátis era o destaque do serviço. (Imagem: Reprodução/BOL)

Ao longo do tempo, o BOL também passou a oferecer um discador para acesso à internet e um plano pago, com mais vantagens aos assinantes em termos de ferramentas e suporte. Ele chegou a agosto de 2000 com cerca de 4,1 milhões de assinantes.

Expandindo os domínios

O BOL seguiu como um dos nomes fortes da internet brasileira por mais alguns anos, em especial no auge da internet discada. Ele disputava mercado com nomes como iG, iBest e AOL, entre vários outros provedores.

A companhia investia pesado em marketing, com anúncios nos produtos da Abril e também em formato de comerciais para a televisão — inclusive com provocações contra concorrentes, como fazer referências a cachorros em uma propaganda para não citar diretamente o iG e o seu popular mascote. O preço também era agressivo no caso do provedor, com um valor mensal que tendia a ficar abaixo das rivais.

Ao longo dos anos, o BOL passa também a incorporar atalhos ou o oferecimento de outras ferramentas de diversos segmentos, incluindo:

  • um buscador alternativo chamado Miner, criado como um projeto universitário em Minas Gerais e comprado pela UOL;
  • o ComVC, um app de troca de mensagens que nasceu dentro do próprio conglomerado e rivalizava com o ICQ;
  • o Vila BOL, espaço para hospedagem de sites gratuitamente;
  • o Bate-papo BOL, salas de conversas online que chegaram a acumular 1,5 milhão de visitas mensais, mas eram bem menos populares que o irmão mais famoso;
  • um Shopping que listava produtos em lojas digitais e uma plataforma de busca por vagas de trabalho;
  • a venda de antivírus e até curso de idiomas.

O portal também adotou um modelo de parcerias de hospedagem com blogs, escritores e jornalistas que ajudavam a manter o tráfego e cediam uma casa para páginas antes independentes. Nomes que passaram pelo BOL incluem o jornalista esportivo Milton Neves, Amaury Junior e os sites Humortadela e Mundo Escola.

Ao longo dos anos, o site ainda passou por reformulações pontuais na interface, com ajustes que seguiam tendências de cada período — como imagens maiores, destaque para notícias e responsividade ao ser acessado em dispositivos móveis, por exemplo.

O BOL ainda existe?

Mesmo longe do auge, o site do BOL existe até hoje, com uma interface relativamente simples e com destaque para notícias das mais variadas editorias. Entretanto, todos os conteúdos redirecionam o usuário para o UOL ou outros produtos do mesmo grupo, como a própria Folha.

O serviço de email segue oferecido em duas modalidades. A primeira é a clássica experiência gratuita, que garante um endereço "@bol.com.br" e apenas 200 MB de espaço. Já o combo BOL completo sai a partir de R$ 17,90 ao mês (na versão de 5 GB de espaço), incluindo também uma plataforma de armazenamento de arquivos chamada BOL Drive.

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A página inicial do BOL atualmente é quase toda dedicada às notícias do dia. (Imagem: Reprodução/BOL)

É difícil de saber a popularidade hoje em métricas e acessos, mas o BOL sem dúvidas não tem mais a força que já apresentou na primeira década de operação. Atualmente, o nome é mais lembrado como nostalgia e é extremamente raro encontrar alguém que ainda tenha um email registrado, ativo e conferido com frequência nesse servidor.

Ainda assim, o BOL foi muito importante no início da internet comercial do Brasil, oferecendo um serviço até então inédito de correio eletrônico grátis e com preços acessíveis de acesso discado. Sem ele e tantos outros nomes que se destacaram nesse período, o cenário que conhecemos hoje talvez fosse bem diferente.

Quer saber o que aconteceu com a Embratel, que começou como estatal de telecomunicações, trouxe a internet para o país e mais tarde virou empresa de sucesso? Confira este artigo especial do TecMundo!

Perguntas Frequentes

O que foi o BOL e qual sua importância na história da internet brasileira?
O BOL, sigla para Brasil Online, foi um portal e serviço de email criado em 1996 pelo grupo Abril. Ele se destacou por oferecer gratuitamente um serviço de correio eletrônico em uma época em que isso era raro, tornando-se o primeiro endereço de email de muitos brasileiros. Foi um dos protagonistas da era da internet discada no Brasil e teve papel fundamental na popularização do acesso digital no país.
Quem criou o BOL e como ele evoluiu ao longo do tempo?
O BOL foi criado pelo grupo Abril, tradicional editora de revistas e quadrinhos, e lançado em abril de 1996. Poucos meses depois, em setembro do mesmo ano, foi incorporado pelo Grupo Folha, dono do UOL. Apesar da fusão, BOL e UOL continuaram operando como marcas distintas dentro do mesmo conglomerado, situação que permanece até hoje.
Por que o serviço de email do BOL foi considerado inovador na época?
O email do BOL foi inovador por ser gratuito, independente e de fácil cadastro, sem exigir a contratação de outros serviços como planos de internet discada. Além disso, podia ser acessado diretamente pelo navegador, sem necessidade de softwares específicos, o que era incomum na época.
Quais outros serviços e ferramentas o BOL ofereceu além do email?
Além do email, o BOL ofereceu diversos serviços como o discador para acesso à internet, o buscador Miner, o app de mensagens ComVC, o espaço de hospedagem Vila BOL, o Bate-papo BOL, uma plataforma de compras, busca de empregos, venda de antivírus e até cursos de idiomas. Também firmou parcerias com blogs e jornalistas para hospedagem de conteúdo.
O BOL ainda existe atualmente?
Sim, o BOL ainda está em operação, embora com presença reduzida. Seu site continua ativo, com foco em notícias que redirecionam para o UOL ou outros produtos do Grupo Folha. O serviço de email também segue disponível em duas modalidades: gratuita (com 200 MB) e paga (a partir de R$ 17,90 por mês, com 5 GB e acesso ao BOL Drive).
Qual foi o auge do BOL em termos de popularidade?
O auge do BOL ocorreu durante a era da internet discada, especialmente no início dos anos 2000. Em agosto de 2000, o serviço contava com cerca de 4,1 milhões de assinantes. A empresa investia fortemente em marketing e oferecia preços competitivos, o que ajudou a consolidar sua base de usuários.
Por que o BOL perdeu relevância com o tempo?
Com a evolução da internet e o surgimento de novas plataformas e serviços mais modernos, o BOL perdeu espaço no mercado. A produção de conteúdo próprio diminuiu e o portal passou a redirecionar usuários para outros sites do grupo. Hoje, é mais lembrado por nostalgia do que por uso ativo.
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