Logo TecMundo
The BRIEF

Big techs dos EUA abrem reclamação oficial contra STF, Anatel e até o Pix

As gigantes da tecnologia se mostraram preocupadas com a possibilidade de serem responsabilizadas por conteúdos de terceiros e anúncios ilegais, entre outras coisas.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule21/08/2025, às 17:30

updateAtualizado em 22/08/2025, às 07:57

Associações que representam empresas de tecnologia sediadas nos Estados Unidos formalizaram reclamações contra as medidas tomadas por órgãos brasileiros como o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), recentemente. As queixas acontecem em meio às ameaças de taxação das big techs pelo governo brasileiro.

As entidades, que também criticaram o Pix, incluem membros como Meta, Google, Amazon, Microsoft, Dell e Intel, entre outras marcas do setor tecnológico, além de Mastercard e Visa, do ramo financeiro. As manifestações foram enviadas ao United States Trade Representative (USTR), órgão que investiga supostas práticas comerciais desleais do Brasil.

smart_display

Nossos vídeos em destaque

supremo-tribunal-federal
As big techs americanas estão incomodadas com decisões recentes do STF. (Imagem: Getty Images)

Quais são as queixas das big techs?

Nos documentos encaminhados ao USTR, as associações citam episódios como o julgamento do artigo 19 do Marco Civil da Internet pelo STF. Com a decisão do tribunal, as gigantes da tecnologia passaram a ter uma maior responsabilidade pelos conteúdos prejudiciais postados em suas plataformas.

  • As sanções impostas pela Anatel aos marketplaces que permitem anúncios e vendas de produtos não homologados também estão entre as queixas recebidas pelo órgão;
  • Em outros trechos, as entidades mencionam preocupação quanto a um projeto de lei sobre inteligência artificial que tramita no Congresso;
  • O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prioriza soluções nacionais para a tecnologia, também foi alvo;
  • Propostas de taxação das big techs, como a apresentada pelo deputado federal Guilherme Boulos, foram outro tema abordado nos relatórios;
  • Vale destacar, ainda, as críticas ao Pix, afirmando que o sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central gera condições desiguais de concorrência para as empresas americanas.

Como relata o g1, o X também reclamou dos órgãos brasileiros, enviando seu posicionamento de maneira separada ao USTR. A rede social pertencente a Elon Musk se queixou das decisões da justiça brasileira, declarando que elas ignoram acordos entre os dois países e ferem a liberdade de expressão.

De modo geral, as big techs citam que uma série de decisões recentes de entidades brasileiras têm dificultado as operações de serviços digitais no país. Apesar disso, elas ressaltaram a importância do Brasil para os seus negócios.

usuario-interagindo-com-chatbot-no-notebook
Projetos de lei sobre IA em tramitação no Brasil também são alvo de críticas das empresas americanas. (Imagem: Getty Images)

O que disse o governo brasileiro?

Em manifestação oficial enviada ao USTR na última segunda-feira (18), o governo Lula afirmou que não pratica qualquer política discriminatória, injustificável ou restritiva à relação comercial com empresas dos EUA. A administração federal também disse não haver base jurídica ou factual para sanções.

Na resposta, o Brasil ainda defendeu a soberania do STF, destacando que empresas de qualquer nacionalidade atuando no país estão sujeitas às leis locais e não apenas as americanas. Quanto ao Pix, foram citadas a segurança e a ampliação da participação da população no sistema bancário proporcionadas pela tecnologia.

Curtiu o conteúdo? Leia mais notícias no TecMundo e compartilhe-as nas redes sociais com os amigos.

Perguntas Frequentes

Por que as big techs dos EUA apresentaram reclamações contra o Brasil?
As empresas de tecnologia norte-americanas, representadas por associações do setor, formalizaram queixas ao United States Trade Representative (USTR) contra medidas adotadas por órgãos brasileiros como o STF e a Anatel. Elas alegam que decisões recentes dificultam suas operações no país, incluindo responsabilização por conteúdos de terceiros, sanções a marketplaces e propostas de taxação.
Quais são as principais críticas das big techs ao STF?
As críticas se concentram na decisão do Supremo Tribunal Federal sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet. Com essa decisão, as plataformas passaram a ter maior responsabilidade sobre conteúdos prejudiciais postados por usuários, o que preocupa as empresas quanto à liberdade de expressão e à segurança jurídica de suas operações.
O que a Anatel fez que gerou reclamações das empresas americanas?
A Anatel impôs sanções a marketplaces que permitem a venda de produtos não homologados, como celulares piratas. As big techs consideram essas medidas excessivas e prejudiciais ao funcionamento de suas plataformas de comércio eletrônico no Brasil.
Por que o Pix foi criticado pelas big techs?
As empresas alegam que o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central, cria condições desiguais de concorrência para companhias estrangeiras. Elas veem o modelo como uma vantagem competitiva injusta para soluções locais.
O que dizem as big techs sobre os projetos de lei de inteligência artificial no Brasil?
As associações expressaram preocupação com um projeto de lei sobre inteligência artificial em tramitação no Congresso e com o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA), que prioriza soluções nacionais. Elas temem que essas iniciativas limitem a atuação de empresas estrangeiras no setor.
Qual foi a resposta do governo brasileiro às reclamações?
O governo Lula afirmou ao USTR que não adota políticas discriminatórias ou restritivas contra empresas dos EUA. Defendeu a soberania do STF e destacou que todas as empresas, independentemente da nacionalidade, devem seguir as leis brasileiras. Também ressaltou os benefícios do Pix, como segurança e inclusão bancária.
Qual foi a posição da rede social X sobre as decisões brasileiras?
A rede social X, de Elon Musk, enviou uma manifestação separada ao USTR, criticando decisões da justiça brasileira. A empresa alegou que essas decisões desrespeitam acordos bilaterais e ferem a liberdade de expressão.
star

Continue por aqui