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'Se não quiser regulação, sai do Brasil': Lula volta a defender leis para as big techs

De acordo com o presidente do Brasil, as gigantes da tecnologia que não quiserem se submeter às leis nacionais podem sair do país.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule07/08/2025, às 17:04

updateAtualizado em 08/08/2025, às 08:38

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu novamente a regulação das big techs e disse que as empresas estrangeiras incomodadas em se submeter às leis nacionais podem deixar o Brasil. O recado forte foi dado durante entrevista à Reuters, na quarta-feira (6), na qual ele falou sobre as tarifas impostas pelo governo americano.

De acordo com o chefe do Executivo, as gigantes da tecnologia que atuam no território nacional precisam obedecer à legislação local, assim como as empresas brasileiras presentes em outros países são obrigadas a se submeterem às normas de cada nação. “Se não quiser regulação, sai do Brasil, não existe outro mecanismo”, afirmou, à agência de notícias.

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Lula fez duras críticas à tentativa de intromissão de Trump, durante a entrevista. (Imagem: Getty Images)

Defendendo a soberania nacional

O recado de Lula às big techs é uma resposta à carta enviada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciando a imposição da tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros. No documento, o republicano citou ações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresas americanas, como a suspensão do X no ano passado, chamando-as de “ilegais”.

  • Sobre isso, Lula rejeitou a tentativa de intromissão dos EUA, afirmando que o Brasil é soberano, possui constituição e leis que devem ser seguidas;
  • “É da nossa obrigação regular o que a gente quiser regular, de acordo com os interesses e cultura do povo brasileiro”, declarou, na entrevista;
  • O petista também se manifestou diretamente a Trump, dizendo que ele deve “cuidar dos EUA” e não tentar se intrometer em questões nacionais, chamando isso de “inaceitável”;
  • O presidente comentou, ainda, que só atende às ordens do povo brasileiro, responsável por elegê-lo.

Na sequência da conversa, Lula disse que o Brasil já perdoou outras tentativas de intromissão de políticos americanos, mencionando o golpe de 1964. Para ele, os ataques atuais, que começaram no mês passado, são até mais graves.

“Mas agora não é uma intromissão pequena, é o presidente dos Estados Unidos achando que pode ditar regras para um país soberano como o Brasil”, declarou.

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O governo ainda não definiu como irá regular as big techs. (Imagem: Getty Images)

Como pode ser feita a regulação das big techs?

A criação de uma Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) é uma das propostas avaliadas pelo governo federal para a tributação das gigantes da tecnologia. O imposto incidiria especificamente sobre os serviços digitais prestados por companhias como Google, Meta, X e Amazon, entre outras.

Embora a taxação via Cide seja considerada a opção mais adequada para o momento, outras possibilidades não foram descartadas. Entre elas, há propostas como o aumento da tributação via alíquota adicional na Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ou no Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ).

No caso da Cide, uma medida provisória (MP) possibilitaria a aplicação de maneira mais rápida, sendo necessário definir o fato gerador do tributo. Mas no momento, o Palácio do Planalto ainda não tem uma definição sobre o tema.

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Perguntas Frequentes

Por que o presidente Lula defende a regulação das big techs no Brasil?
Lula argumenta que todas as empresas que atuam no Brasil, inclusive as gigantes da tecnologia estrangeiras, devem obedecer às leis nacionais, assim como empresas brasileiras seguem as normas dos países onde operam. Para ele, a regulação é uma questão de soberania e respeito à legislação brasileira.
O que Lula quis dizer com a frase “Se não quiser regulação, sai do Brasil”?
Com essa declaração, Lula reforçou que não há espaço para empresas que se recusem a seguir as leis brasileiras. Ele deixou claro que, se as big techs não aceitarem a regulação imposta pelo país, devem deixar o território nacional.
Qual foi o contexto da crítica de Lula ao ex-presidente Donald Trump?
Lula respondeu a uma carta de Trump que impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, alegando ações “ilegais” do STF contra empresas americanas. Lula considerou essa atitude uma tentativa inaceitável de intromissão nos assuntos internos do Brasil e afirmou que o país é soberano e tem o direito de regular conforme seus interesses e cultura.
O que é a Cide e como ela pode ser usada para regular as big techs?
A Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) é um tipo de imposto que pode ser criado para incidir sobre serviços digitais prestados por empresas como Google, Meta, X e Amazon. Essa medida está sendo considerada pelo governo como uma forma de tributar as big techs de maneira mais rápida e eficaz.
Existem outras propostas além da Cide para tributar as big techs?
Sim. Além da Cide, o governo também avalia outras opções, como o aumento da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) ou do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) para essas empresas. No entanto, ainda não há uma definição oficial sobre qual caminho será adotado.
O governo já decidiu como será feita a regulação das big techs?
Não. Apesar de existirem propostas em análise, como a criação da Cide, o Palácio do Planalto ainda não definiu oficialmente qual será o modelo de regulação adotado para as gigantes da tecnologia no Brasil.
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