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'Produtos irregulares não são necessariamente piratas': Amazon se defende e diz que combate pirataria

A Amazon entrou "na mira" da Anatel, que tem aumentado o combate contra produtos piratas.

Avatar do(a) autor(a): Carlos Palmeira

schedule01/08/2025, às 17:30

updateAtualizado em 04/08/2025, às 12:24

Executivos da Amazon garantiram que estão aplicando medidas rígidas de combate a produtos irregulares sem homologação da Anatel. A gigante do comércio eletrônico e a agência reguladora têm enfrentado litígios até na Justiça, com a Anatel tendo até mesmo ameaçado tirar o site da Amazon do ar.

Em evento na última quinta-feira (31), Juliana Sztrajtman, presidente da Amazon Brasil, comentou sobre como tem sido o combate aos produtos piratas. Ela garantiu que a empresa atua junto com as autoridades do país e conforme as obrigações legais.

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“Desde que começaram as inspeções, nunca encontraram um smartphone irregular nos nossos centros de distribuição. E isso se deve a um investimento grande que a gente faz, não só no Brasil, mas globalmente”, destacou Sztrajtman em conversa com jornalistas. Na segunda-feira (04), a Amazon corrigiu que na verdade desde 2022 nenhum celular irregular foi encontrado nos Centros de Distribuição da marca.

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A presidente explicou que a companhia possui funcionários que atuam na fiscalização desses produtos e que também há ferramentas que analisam os próprios anúncios do site para tentar encontrar alguma inconsistência.

Segundo a Amazon, essa tecnologia escaneia os produtos à venda para verificar se eles estão em conformidade com os padrões. A loja online diz que os mais de 150 milhões de produtos, que estão espalhados por mais de 50 categorias, estão sujeitos ainda a análises periódicas de qualidade e autenticidade.

No evento de ontem, Juliana Sztrajtman acrescentou que também é realizado um trabalho conjunto com outras empresas (chamado de brand registry). Nesse cenário, marcas que são donas das patentes podem contatar a Amazon caso algum produto irregular esteja sendo vendido.

‘Produtos irregulares não são necessariamente piratas’

A Head de Comunicação da Amazon Brasil, Eliana Paschoalin, também participou do papo e contou um pouco sobre como funciona o registro de novos produtos na Amazon.

A executiva afirmou que o comércio eletrônico só aceita produtos eletroeletrônicos que tenham certificação da Anatel e que esse é um campo obrigatório para ser preenchido por quem vender no site. Para diferenciar produtos piratas e irregulares, ela exemplificou uma situação específica que ocorreu recentemente.

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“O número da homologação começa com dois zeros e esse número é colado na parte de trás do aparelho. Só que uma vez um produto registrado não tinha os dois zeros inscritos. Então o número do produto estava correto [no registro], o produto era o correto, só que o fabricante colocou o selo sem os dois zeros iniciais e, por esse motivo, ele foi considerado irregular”, lembrou.

Disputa com a Anatel

Já há alguns anos, a Anatel tornou o combate à pirataria um dos pilares de sua atuação. E o foco da agência tem sido principalmente o mercado cinza de celulares, que, segundo a consultoria IDC, representa 13% das vendas de smartphones.

De acordo com a autarquia federal, empresas como Amazon e Mercado Livre não têm realizado um combate efetivo, e os clientes encontram facilmente produtos irregulares à venda.

Em uma operação realizada em junho, por exemplo, a Anatel informou ter lacrado 1,7 mil produtos irregulares nos centros de distribuição (CDs) da Amazon e outros 1,5 mil em espaços do Mercado Livre. Na época, não foram especificados quais produtos irregulares estavam em cada um dos CDs.

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Há menos de dois meses, a Folha de S.Paulo publicou uma matéria dizendo que a Anatel estava esperando decisões favoráveis da justiça para retirar do ar os sites da Amazon e do Mercado Livre. A medida extrema seria necessária porque, de acordo com a Anatel, as multas financeiras não estão surtindo mais efeito.

Só que, até agora, a Anatel ainda não recebeu essa chancela da Justiça. Em uma das movimentações mais recentes, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) decidiu que a agência reguladora não tinha competência para impor obrigações às lojas online.

Investimento bilionário no Brasil

No mesmo evento em que comentou sobre como tem feito o combate aos produtos piratas e irregulares, a Amazon apresentou um relatório de impacto econômico no Brasil. 

Segundo a gigante, em dez anos foram investidos R$ 55 bilhões no país, em áreas como logística, desenvolvimento de tecnologia, serviços de nuvem, qualificação profissional e mais.

A big tech norte-americana revelou ainda que alcançou 36 mil empregos diretos e indiretos e que conta com cerca de 550 vagas abertas.

 

Perguntas Frequentes

O que diferencia um produto irregular de um produto pirata?
Segundo a Amazon, produtos irregulares não são necessariamente piratas. Um exemplo citado foi o de um aparelho com número de homologação correto, mas com o selo colado de forma incorreta (sem os dois zeros iniciais exigidos pela Anatel). Embora o produto fosse original, foi considerado irregular por não seguir exatamente o padrão de certificação.
Como a Amazon combate a venda de produtos irregulares e piratas?
A Amazon afirma investir fortemente em tecnologia e fiscalização para combater produtos irregulares. A empresa utiliza ferramentas que escaneiam os anúncios em busca de inconsistências e conta com equipes dedicadas à verificação de conformidade. Além disso, realiza parcerias com marcas por meio do programa "brand registry", permitindo que fabricantes denunciem produtos suspeitos.
Qual é a exigência da Anatel para a venda de produtos eletroeletrônicos?
A Anatel exige que produtos eletroeletrônicos comercializados no Brasil tenham certificação homologada. Na Amazon, esse campo é obrigatório para quem deseja vender esse tipo de item. O número de homologação deve começar com dois zeros e estar visivelmente colado na parte traseira do aparelho.
O que motivou o conflito entre a Amazon e a Anatel?
A Anatel acusa a Amazon de não combater de forma eficaz a venda de produtos irregulares, especialmente no mercado cinza de celulares. A agência chegou a lacrar milhares de itens em centros de distribuição e até ameaçou tirar o site do ar, alegando que multas financeiras não têm surtido efeito. A disputa chegou à Justiça, onde a Amazon obteve decisões favoráveis.
A Amazon já teve produtos irregulares encontrados em seus centros de distribuição?
De acordo com a presidente da Amazon Brasil, Juliana Sztrajtman, desde 2022 não foram encontrados celulares irregulares nos centros de distribuição da empresa. Ela atribui isso a investimentos significativos em fiscalização e tecnologia, tanto no Brasil quanto globalmente.
Qual é o impacto econômico da Amazon no Brasil?
Em dez anos de operação no país, a Amazon afirma ter investido R$ 55 bilhões em áreas como logística, tecnologia, serviços de nuvem e qualificação profissional. A empresa também declarou ter gerado 36 mil empregos diretos e indiretos e atualmente possui cerca de 550 vagas abertas.
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