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Bolsonaro: o que o ex-presidente pode e não pode fazer na internet após as decisões do STF?

O STF proibiu Jair Bolsonaro de usar as redes sociais a partir de uma investigação que apura tentativa de obstrução da justiça, coação e atentado à soberania.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule22/07/2025, às 08:45

updateAtualizado em 22/07/2025, às 09:42

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, detalhou na última segunda-feira (21) a proibição do uso das redes sociais pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A medida cautelar foi anunciada na última sexta-feira (18) a pedido da Polícia Federal (PF), após aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Na ocasião, o antigo chefe do Executivo foi alvo de uma operação da PF que investiga crimes de coação, obstrução da justiça e atentado à soberania nacional. Cumprindo mandados de busca e apreensão, os policiais foram à casa dele onde encontraram um pendrive escondido no banheiro e dinheiro em espécie, incluindo US$ 14 mil, o equivalente a mais de R$ 77 mil pela cotação do dia.

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Alexandre de Moraes interrogou Jair Bolsonaro no mês passado. (Imagem: Getty Images)

O que Bolsonaro está proibido de fazer na internet?

Em despacho publicado no site do tribunal, Moraes reforçou que Bolsonaro está proibido de usar as redes sociais. A última postagem em sua conta oficial no X aconteceu um dia antes da divulgação da medida, quando ele divulgou um vídeo endereçado a Donald Trump, agradecendo o apoio do presidente dos Estados Unidos.

  • De acordo com o ministro do STF, o ex-presidente não pode fazer “transmissões, retransmissões ou veiculação de áudios, vídeos ou transcrições de entrevistas”;
  • A proibição é válida para qualquer plataforma e, inclusive, impede que o investigado realize tais ações por meio de contas de terceiros;
  • Ele fica proibido, por exemplo, de fazer postagens, responder comentários e participar de lives organizadas por outras pessoas;
  • Bolsonaro possui perfis oficiais em redes como X, Instagram e Facebook, além de um canal no YouTube.

Após a divulgação detalhada da decisão de Moraes, o ex-presidente decidiu cancelar a participação em uma entrevista coletiva organizada pelo Partido Liberal (PL), ao qual é filiado, que aconteceria na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF). As determinações do Tribunal estariam entre os assuntos tratados no encontro.

Uma entrevista com o Metrópoles, que seria transmitida pelo YouTube e no X, também foi cancelada. Segundo o site, Bolsonaro teve receito de que a exibição do conteúdo violasse a determinação da Suprema Corte.

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O ex-presidente está proibido de fazer postagens e participar de conteúdos publicados por terceiros. (Imagem: Getty Images)

O que acontece se Bolsonaro descumprir as determinações do STF?

Se deixar de cumprir a ordem judicial, incluindo a utilização de meios para burlar a decisão, o ex-presidente pode ser preso, como explicou Moraes no documento. Segundo o ministro, ele “não pode utilizar meios para burlar a restrição, sob pena de revogação das medidas alternativas e decretação da prisão”.

Cabe ressaltar que Bolsonaro também precisa cumprir outras medidas cautelares além da proibição de acessar as redes sociais, como fazer uso de tornozeleira eletrônica e cumprir toque de recolher à noite e nos fins de semana. Ele também não pode se comunicar com os outros réus do processo nem se aproximar de embaixadas.

Conforme a PF, os investigados têm agido junto a autoridades dos EUA com o objetivo de impor sanções contra agentes públicos brasileiros. Citando o julgamento da trama golpista, a corporação alega que os réus tentam submeter o funcionamento do STF ao crivo de autoridades estrangeiras.

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Perguntas Frequentes

Por que Jair Bolsonaro foi proibido de usar as redes sociais?
A decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), por meio do ministro Alexandre de Moraes, foi motivada por uma investigação da Polícia Federal que apura crimes como obstrução da justiça, coação e atentado à soberania nacional. A medida cautelar foi solicitada pela PF e teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O que exatamente Bolsonaro está proibido de fazer na internet?
Bolsonaro está proibido de usar redes sociais de qualquer tipo. Isso inclui fazer postagens, responder comentários, participar de transmissões ao vivo (lives), retransmitir conteúdos ou veicular áudios, vídeos e transcrições de entrevistas. A proibição se estende também ao uso de contas de terceiros para essas ações.
Quais redes sociais Bolsonaro utilizava antes da proibição?
O ex-presidente possuía perfis oficiais em plataformas como X (antigo Twitter), Instagram, Facebook e um canal no YouTube. A última postagem registrada foi um vídeo endereçado a Donald Trump, publicado um dia antes da divulgação da medida do STF.
Bolsonaro pode participar de entrevistas transmitidas online?
Não. A decisão do STF impede que ele participe de qualquer conteúdo veiculado em plataformas digitais, mesmo que organizado por terceiros. Por isso, ele cancelou uma entrevista coletiva do Partido Liberal e uma entrevista ao portal Metrópoles, que seria transmitida no YouTube e no X.
O que acontece se Bolsonaro descumprir a decisão do STF?
Se Bolsonaro tentar burlar a proibição, poderá ter as medidas alternativas revogadas e ser preso. O ministro Alexandre de Moraes deixou claro que qualquer tentativa de driblar a restrição pode resultar na decretação da prisão do ex-presidente.
Além da proibição nas redes, que outras medidas cautelares Bolsonaro deve cumprir?
Bolsonaro está obrigado a usar tornozeleira eletrônica, cumprir toque de recolher à noite e nos fins de semana, não se comunicar com outros réus do processo e não se aproximar de embaixadas.
Qual foi o contexto da operação da PF que levou às medidas contra Bolsonaro?
A operação da Polícia Federal teve como alvo uma suposta trama golpista. Durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão na casa de Bolsonaro, foram encontrados um pendrive escondido no banheiro e dinheiro em espécie, incluindo US$ 14 mil. A PF também aponta que os investigados tentaram envolver autoridades dos EUA para impor sanções a agentes públicos brasileiros.
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