Logo TecMundo
Ciência

Donald Trump pode 'desligar' o sinal do GPS no Brasil? Entenda

A possibilidade de bloqueio do tradicional sistema de geolocalização ganhou força nos últimos dias e deixou muitos internautas preocupados.

Avatar do(a) autor(a): André Luiz Dias Gonçalves

schedule21/07/2025, às 15:00

updateAtualizado em 21/07/2025, às 20:39

O bloqueio do uso de satélites e o “desligamento” do GPS estariam entre as novas sanções que podem ser aplicadas ao Brasil pelos Estados Unidos, depois da revogação do visto de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação foi divulgada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro à Folha de S.Paulo, na última semana.

A possibilidade de ficar sem utilizar o popular sistema de navegação, acionado para auxiliar em diversas tarefas no dia a dia, gerou grandes debates no X (antigo Twitter) durante o final de semana. Mas será que é mesmo possível desligar o GPS no Brasil?

smart_display

Nossos vídeos em destaque

Como funciona o GPS?

Desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos EUA, o Global Positioning System (GPS) surgiu com fins militares, por causa da corrida espacial com a então União Soviética. Mas no final da década de 1990, a tecnologia começou a ser difundida no meio civil, principalmente na aviação, chegando depois a diversos outros setores.

  • No momento, o sistema possui um total de 31 satélites, distribuídos por seis planos orbitais cobrindo todo o planeta, fazendo com que pelo menos quatro deles estejam sempre visíveis ao receptor;
  • Um sinal de rádio com a localização e o horário exato, com base em um relógio atômico, é transmitido por esses satélites;
  • Quando capta essa transmissão o receptor compara o horário da chegada com o momento da emissão da mensagem, e é por meio dessa diferença de tempo que se calcula a distância entre ele e o satélite;
  • A partir das informações disponibilizadas por quatro satélites distintos, o receptor triangula a sua posição com alta precisão.

Caso os sinais sejam captados por apenas um ou dois satélites, a estimativa de localização fica prejudicada. Outro detalhe importante é que a onda de rádio se desloca à velocidade da luz, com variações de frações de segundo podendo representar milhares de quilômetros de diferença.

Vale destacar que a versão do GPS utilizada pelo público em todo o mundo é a Standard Positioning Service (SPS). Já as forças militares americanas e de países aliados contam com uma versão diferenciada do sistema, denominada Precise Positioning Service (PPS).

satelite-no-espaco
O sistema GPS é formado por 31 satélites, atualmente. (Imagem: Getty Images)

O GPS pode ser desligado no Brasil?

De acordo com especialistas ouvidos pela BBC, até existe a possibilidade de restringir o sinal do GPS em um determinado país, como o Brasil. Porém, isso afetaria várias outras nações nas proximidades, podendo ter impactos, inclusive, nos EUA.

“É como a TV aberta, eu poderia bloquear o acesso a ela numa casa se ela fosse projetada para ter um código, como a TV por assinatura tem para receber. Se os EUA resolvessem fazer isso, eles teriam que mexer, primeiro, na forma como é transmitido esse sinal. Em termos práticos, seria praticamente inviável fazer isso, ainda mais no curto prazo”, explicou o presidente da Teleco, Eduardo Tude.

Por outro lado, é possível causar interferências no funcionamento do GPS localmente, como já aconteceu em áreas de conflito ou de interesse estratégico. O bloqueio de sinal com dispositivos que emitem ondas de rádio para neutralizar o sinal original (jamming) é um dos métodos.

A Rússia já usou isso na guerra contra a Ucrânia para se defender durante ataques com drones e mísseis guiados, além de supostamente ter causado interrupções em sistemas de navegação impactando milhares de voos civis no ano passado. Para Tude, o uso do jamming pelos EUA no Brasil poderia ser considerado uma “sabotagem”.

Também há o método do spoofing, que confunde o receptor ao emitir sinais falsos, levando a erros na localização, prejudicando a utilização do sistema de navegação.

motorista-procurando-endereco-no-gps
Os celulares são compatíveis com outros sistemas de geolocalização, além do GPS. (Imagem: Getty Images)

E se por acaso acontecer?

Caso os EUA decidam restringir o sinal do GPS no Brasil, setores como aviação, navegação marítima, telecomunicações, transporte, logística e até o financeiro poderiam ser afetados. Mas o país não ficaria totalmente no escuro.

“Há outros sistemas disponíveis, e a maioria dos celulares, aviões, navios e equipamentos modernos já são compatíveis com múltiplas constelações de satélites. Ou seja, o GPS não é mais o único sistema disponível”, lembrou a divulgadora Ana Apleiade, à reportagem.

Ela se refere aos sistemas GLONASS da Rússia, Galileu da União Europeia, Beidou da China, NavIC da Índia e QZSS do Japão. Todos eles contam com grandes quantidades de satélites, diminuindo a dependência do sistema americano.

Curtiu o conteúdo? Continue no TecMundo e compartilhe as notícias com os amigos nas redes sociais.

Perguntas Frequentes

Os Estados Unidos podem realmente desligar o GPS no Brasil?
Embora tecnicamente seja possível restringir o sinal do GPS em uma região específica, como o Brasil, especialistas apontam que isso seria extremamente difícil de implementar na prática. O sinal do GPS é transmitido de forma aberta, como uma TV aberta, e não foi projetado para bloqueios regionais. Além disso, tal ação afetaria países vizinhos e até os próprios EUA, tornando a medida inviável, especialmente no curto prazo.
O que é o GPS e como ele funciona?
O GPS (Global Positioning System) é um sistema de navegação por satélite desenvolvido pelo Departamento de Defesa dos EUA. Ele utiliza 31 satélites distribuídos em seis planos orbitais para cobrir todo o planeta. Cada satélite transmite sinais de rádio com informações de localização e horário baseadas em relógios atômicos. O receptor compara esses dados para calcular sua posição com alta precisão, desde que consiga captar sinais de pelo menos quatro satélites.
Quais seriam os impactos se o GPS fosse bloqueado no Brasil?
Um bloqueio do GPS afetaria setores como aviação, navegação marítima, telecomunicações, transporte, logística e até o sistema financeiro. No entanto, o Brasil não ficaria completamente sem geolocalização, pois a maioria dos dispositivos modernos já é compatível com outros sistemas de navegação por satélite.
Quais são as alternativas ao GPS disponíveis atualmente?
Além do GPS, existem outros sistemas globais de navegação por satélite, como o GLONASS (Rússia), Galileo (União Europeia), BeiDou (China), NavIC (Índia) e QZSS (Japão). Muitos celulares, aviões, navios e equipamentos modernos já são compatíveis com múltiplas constelações, reduzindo a dependência exclusiva do sistema americano.
É possível interferir no funcionamento do GPS localmente?
Sim. Existem métodos como o jamming, que emite ondas de rádio para neutralizar o sinal original, e o spoofing, que envia sinais falsos para confundir o receptor. Essas técnicas já foram usadas em zonas de conflito, como na guerra entre Rússia e Ucrânia, e podem causar falhas na navegação e em sistemas civis.
Qual é a diferença entre o GPS civil e o militar?
O GPS utilizado pelo público geral é chamado de Standard Positioning Service (SPS), enquanto as forças armadas dos EUA e de países aliados utilizam o Precise Positioning Service (PPS), que oferece maior precisão e segurança. O SPS é aberto e acessível globalmente, enquanto o PPS é restrito e criptografado.
star

Continue por aqui