Qual será o futuro da Amazon e de Jeff Bezos?

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O mundo da tecnologia foi pego de surpresa no começo de fevereiro de 2021 com uma notícia. O fundador e CEO da Amazon, Jeff Bezos, anunciou que estava deixando o cargo. A transição ainda deve levar algum tempo, e ele não vai abandonar totalmente a empresa, mas é impossível deixarmos as especulações de lado: quais caminhos a Amazon vai tomar sem ele? Quais serão os projetos de Bezos a partir de agora?

Bezos estava no cargo desde o início das atividades da Amazon e, segundo ele, já pensava em largar a função em 2020, mas a pandemia mudou um pouco a estratégia da empresa e ele adiou a decisão.

O fundador da Amazon deu uma declaração interessante aos funcionários: "Eu nunca tive tanta energia, e isso não é uma aposentadoria. Eu pretendo focar minhas energias e minha atenção em novos produtos e iniciativas recentes. Estou superapaixonado pelo impacto que essas organizações podem ter".

Financeiramente falando, ele está bem; isso porque Bezos é a segunda pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna de aproximadamente US$ 198 bilhões no começo de 2021. E seu principal foco deve mesmo ser a filantropia.

Projetos de Bezos

Desde 2018, ele mantém o chamado Bezos Day One, um fundo de investimentos que foca certos projetos de caridade, como moradia para sem-teto e educação básica para crianças em situação de rua ou extrema pobreza. Apesar da ótima iniciativa, ela ainda recebe algumas críticas: pouquíssima verba da fortuna imensa de Bezos vai para o fundo, e os projetos ainda estão bem embrionários se comparados com outras atividades de filantropia de ricaços da tecnologia, como na Bill e Melinda Foundation, do Bill Gates.

Em fevereiro de 2020, ele iniciou um segundo fundo, o Bezos Earth Fund, que é uma iniciativa para apoiar cientistas, ativistas e organizações que lutam no setor de mudanças climáticas para combater o aquecimento global. O investimento inicial foi de US$ 10 bilhões, mas isso deve aumentar a partir de agora.

Já entre os empreendimentos privados, o foco de Bezos deve ser a Blue Origin, empresa de exploração espacial fundada por ele em 2000. Seu principal projeto é um módulo para pouso na Lua, com previsão para lançamento em 2024, que deve disputar contratos governamentais e privados com a SpaceX para levar carga e pessoas ao espaço.

Outra empresa que também está na lista é o Washington Post, um jornal já bastante consolidado nos Estados Unidos. Bezos garante que não tem interferência editorial no veículo, mas foi o grande responsável por levá-lo para os meios digitais.

Além disso, vale lembrar que o empresário não vai se afastar totalmente da Amazon. Bezos vai presidir o conselho da companhia e ainda é dono de 10% das ações, com responsabilidades diárias e muita autoridade em direcionamentos.

A Amazon

É importante ressaltarmos que a empresa está caminhando muito bem. No último trimestre de 2020, os ganhos praticamente dobraram e chegaram a US$ 7 bilhões, e não foi só pelo crescimento de um setor: a gigante inteira está em alta.

O substituto de Bezos será Andy Jassy, que não foi escolhido por acaso. Com 24 anos de empresa, é o atual responsável pelo Amazon Web Services (AWS), que oferece serviços de computação em nuvem para armazenamento, servidor para plataformas inteiras e muito mais. Esse segmento é menos midiático do que o e-commerce ou a Alexa, mas é um dos mais bem-sucedidos. Aliás, a loja, os serviços de assinatura Prime e a venda de dispositivos Echo também andam em alta.

Por isso, é seguro apostar que o principal trabalho de Jassy é manter o ritmo acelerado atual da empresa. É bem provável que a AWS receba ainda mais importância, é claro, mas os primeiros anos da sua gestão devem ser principalmente para manter tudo equilibrado como está agora.

O que esperar de Jassy?

A pandemia da covid-19 teve um efeito grande nas entregas, já que muita gente criou ou aumentou a rotina de fazer pedidos pela internet. Além disso, o novo CEO tem duas questões para resolver.

Andy JassyAndy Jassy. (Imagem: Amazon)

A primeira é interna, com muitos funcionários insatisfeitos com as condições de trabalho em armazéns e entregas, fora a ação da empresa contra os colaboradores que criticam a marca. Muitos estão em contato inicial para a formação de um sindicato para exigir mais direitos.

A segunda é a fiscalização do governo dos Estados Unidos contra as big techs, que deve ser ampliada em 2021. A Amazon não tem os mesmos problemas de Apple, Google e Facebook, que são os atuais grandes alvos das investigações, mas deve ter que se explicar em audiências. No caso dela, o ecossistema integrado, o favorecimento a serviços próprios e o estrangulamento da concorrência devem ser os tópicos mencionados. Ou seja, o novo chefão da empresa terá muito trabalho pela frente.

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