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Google suspende parte do acesso da Huawei ao Android e a outros serviços

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As disputas comerciais e tecnológicas entre Estados Unidos e China ganharam um importante episódio neste domingo, quando a Google teria suspendido o acesso da Huawei a alguns de seus serviços, como o suporte ao Android. As informações são da agência de notícias Reuters, que teria ouvido fontes inteiradas do tema.

Essa suspensão vem na esteira de uma espécie de cruzada movida pelo presidente dos Estados Unidos Donald Trump contra a companhia chinesa e, com isso, os próximos lançamentos da marca não terão mais acesso a recursos como Gmail e Play Store, o que deve ser um duro golpe na ascensão da Huawei rumo ao topo da lista de maiores fabricantes de smartphones do planeta.

Já a partir de agora, a Huawei não terá mais acesso a qualquer serviço da Google que exija algum tipo de transferência de hardware ou software. Restam, assim, acesso apenas aos serviços da gigante da web distribuídos por meio de licenças de código aberto. Em suma, a Huawei perde acesso às atualizações do Android, mas ainda tem acesso ao núcleo do sistema distribuído por meio do Android Open Source Program (AOSP), informa o The Verge.

Com isso, a marca chinesa ficará a mercê de a Google liberar atualizações em seu canal aberto (o AOSP), o que pode ocasionar demora na distribuição de novas versões do Android e de updates de segurança para os dispositivos da marca. Sem dúvida, isso será um entrave muito grande para a consolidação dos planos da empresa.

Ordem de Trump

Em nota enviada ao The Verge, a Google alegou estar agindo para cumprir a recente decisão de banir algumas companhias chinesas tomadas pela administração do presidente estadunidense.

“Estamos agindo em conformidade à ordem [de suspensão emitida pelo Departamento de Comércio dos EUA] e revisando as suas implicações”, registrou um porta-voz da companhia.

A ordem citada pelo representante da Google é o embargo econômico levantado por Donald Trump contra a China e que inclui a proibição de qualquer empresa do país norte-americano de fazer negócios com 71 empresas chinesas, entre as quais está a Huawei.

Retaliação a caminho?

Anunciada na última semana, a medida foi recebida com indignação pela Huawei e o governo chinês prometeu responder à altura. Vale lembrar que, recentemente, a filha do fundador e executiva da companhia Meng Wanzhou foi presa no Canadá a pedido de autoridades estadunidenses em um dos episódios mais controversos da crise entre China e EUA.

O imbróglio envolvendo a empresa chinesa e Donald Trump começou ainda em 2018, quando o presidente dos EUA acusou a empresa de trabalhar a serviço do governo chinês para espionar o país norte-americano. A Huawei sempre negou qualquer interferência estatal em seus negócios, mas, apesar disso, acabou sendo colocada na lista de proibição de Trump.

EUA x China

Entretanto, vale destacar que a Huawei vem crescendo seguidamente em um mercado até então dominado de forma “tranquila” pela sul-coreana Samsung e pela estadunidense Apple: no ano passado, a Huawei tomou o segundo lugar na lista das maiores fabricantes de smartphones do mundo da Maçã e, além disso, ela é referência no mercado de telecomunicações e especialmente na implementação do 5G.

Indo ainda mais além, a "birra" de Trump com a Huawei e, em larga escala, com empresas de chinesas, pode ser vista como uma espécie de protecionismo a fim de não perder a ponta de um mercado de tecnologia tradicionalmente dominado pelos EUA.

Nos últimos tempos, Trump vem tentando convencer os seus aliados para que também deixem de usar a tecnologia chinesa (em especial da Huawei), portanto, resta saber se medidas semelhante às tomadas hoje pela Google serão repetidas por outras empresas e nações ao redor do globo.

Huawei responde

Em email enviado à Reuters, a Huawei garantiu que continuará oferecendo suporte para todos os dispositivos das suas marcas.

"A Huawei continuará a oferecer atualizações de segurança e serviços de pós-venda para todos os tablets e smartphones existentes das marcas Huawei e Honor, dando cobertura a todos aqueles já vendidos ou ainda à venda em todo o mundo", informou a companhia.

"Continuaremos a construir um ecossistema de software seguro e sustentável", prossegui a Huawei. "Como um dos principais parceiros globais do Android, trabalhamos em estreita colaboração com a sua plataforma open source para desenvolver um ecossistema que beneficia tanto os usuários quanto a indústria", concluiu a gigante chinesa.

[Esta notícia foi atualizada para incluir o posicionamento da Huawei.]

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