O novo capítulo da história dos games vai falar sobre a divisão de jogos de uma empresa já bem consolidada, mas que decidiu entrar mais recentemente e com tudo no mercado de consoles. Pela cor aqui do fundo você já adivinha que vamos falar do Xbox, a plataforma da Microsoft que evoluiu muito com o tempo e conquistou o coração de muita gente, inclusive aqui no Brasil. O Voxel está de novo presente com Guilherme Dias para contar essa trajetória toda.

Antes de começar, já deixa o seu joinha antecipado, se inscreve no canal do Voxel e do TecMundo e toca no sininho pra receber um aviso cada vez que tiver um novo vídeo por aqui. Agora vamos pra história do Xbox!

Antes do console

A história começa antes do Xbox, com a Microsoft na indústria dos games. Nos anos 90, a briga era forte entre Nintendo, Sony e Sega, mas em sistema operacional pra PC nada chegava perto do Windows. A Microsoft dominava o setor e começou a investir em algo a mais.

Uma captura de tela.A MSN Gaming Zone.

O primeiro passo foi lançar em 1995 o DirectX, um conjunto de ferramentas de interface que ajudam na programação e na compatibilidade de games pro Windows. Ela só não se arriscava muito em desenvolvimento, a não ser que você considere, sei lá, Paciência e Campo Minado. O que ela fazia era gerenciar o ambiente MSN Gaming Zone e criar títulos simples, como o Microsoft Flight Simulator. No máximo, ela encomendava um ou outro título, como o que ela fez com a Ensemble Studios e o clássico Age of Empires, de 1997.

Uma ideia fora da caixa

A ideia de ter um sistema próprio foi crescendo e toma forma em 98 com os engenheiros Otto Berkes, Kevin Bachus, Ted Hase e Seamus Blackley, todos do time do DirectX, nenhum trabalhando até hoje na Microsoft. Eles encomendaram PCs da Dell, desmontaram inteiros e bolaram um protótipo. Quem tinha que aprovar a ideia era Ed Fries, chefe da divisão de games da Microsoft na época. E ele curtiu quando os quatro funcionários mostraram a máquina. O nome dela? Direct X Box. Pois é, se você não fazia ideia, foi daí que veio o nome.

O setor de games da Microsoft era tão pequeno na empresa que o time teve liberdade pra tocar o projeto, com um OK meio desconfiado do próprio Bill Gates.

O marketing só implicou com o nome, já reduzido pra Xbox. Mas reza a lenda que vários testes foram realizados com o público, e o mais votado entre várias sugestões foi o que ficou.

Finalmente, em 2000, o Xbox começa a aparecer em conferências voltadas pro mercado, como a Game Developers Conference, ou GDC. Lá, Seamus e Gates demonstraram o Xbox já pronto, e nessa época já rolava o discurso de que ele era mais poderoso e o melhor complemento pro PC.

Duas pessoas.

Quase a SEGA colocou jogos do Dreamcast na plataforma, mas o acordo não foi pra frente. Já imaginou? Pra encorpar a equipe, a Microsoft começa a comprar estúdios, como a FASA, de MechCommander, a Ensemble do Age e, claro, a Bungie de Halo.

A revelação

Mas vamos voltar pra linha do tempo, porque chegou a hora da apresentação. Em 3 de janeiro de 2001, em Las Vegas, Bill Gates sobe ao palco com ninguém menos que o astro Dwayne “The Rock” Johnson pra apresentar o console na cor preta com detalhes em verde. A E3 daquele ano foi a primeira da Microsoft com pré-conferência como fabricante, e de lá saíram os detalhes: lançamento em 8 de novembro, preço de 299 dólares e até 20 títulos na estreia. O carro-chefe é claro que foi Halo: Combat Evolved.

Duas pessoas.

O Japão foi o segundo mercado a receber o console, em fevereiro de 2002, enquanto o Brasil não teve lançamento oficial. Aliás, falando em Japão, já naquela época o Xbox teve dificuldades em faturar por lá. Tem quem diga que é pela competição com empresas locais, ou pela falta de gêneros que o público curte, como RPGs. E olha que a Microsoft investiu pesado, inclusive em comerciais, e já era ousada com propagandas que geravam controvérsia, mas eram incríveis.

O Xbox tinha componentes de áudio e gráficos da NVIDIA, chip Intel Pentium 3 com o dobro de processamento do Playstation 2 e um disco rígido de 8 GB, eliminando a necessidade de um memory card. Ele ainda tinha entrada Ethernet e lia DVDs. Boa parte dessas novidades fez com que o console fosse muito maior que os concorrentes.

Um controle.

E tem ainda o controle original, o The Duke, que virou piada pelo tamanho absurdo. O Controller S, uma versão magrinha que seria só lançada no Japão, acabou virando o padrão em 2002. O Duke foi revendido em parceria com a Hyperkin pro Xbox One em 2018.

Um projeto em evolução

O Xbox vendeu cerca de 24 milhões de consoles e chegou a passar o GameCube nos Estados Unidos por um período, mas o PS2 reinou em quantidade. E ele ganhou edições especiais lindas, como uma em verde transparente que é bem rara. Mas financeiramente foi um risco imenso: ao todo, a Microsoft gastou 4 bilhões em 4 anos com o Xbox, o que só não quebrou as pernas do console porque ela era, bom, a Microsoft.

Um jogo.

Era uma máquina cara de fazer, mas com o tempo esse valor não virou perda, e sim investimento e construção da marca. O Xbox original ainda teve Tom Clancy’s Splinter Cell, Fable, Dead or Alive 3, Project Gotham Racing, Star Wars Knights of the Old Republic, Jade Empire, Ninja Gaiden, Forza Motorsport, The Elder Scrolls 3: Morrowind e o fenômeno Halo 2, de 2004, de longe o jogo mais vendido do console. Não dá pra citar tudo, então já sabe: conta aí nos comentários o seu favorito!

Uma captura de tela.

Em agosto de 2002, a empresa volta a ousar e começa um serviço online. Pois é, a Xbox LIVE nasceu aí, e entrou no ar após dois meses de teste com gamertag, lista de amigos e, claro, jogos online. Ainda neste ano, a Microsoft adquire a Rare. A desenvolvedora virou uma lenda na Nintendo com franquias como Donkey Kong Country, mas levou um catálogo de respeito pra Microsoft com Banjo Kazooie, Battletoads, Conker, Perfect Dark e mais. É obrigatório pros fãs jogar Rare Replay, de 2015.

A segunda geração

Em seu segundo console, a Microsoft queria inaugurar a nova geração. Por isso, já em 2005, apresentou o Xbox 360 com um comercial na MTV, e detalhou ele na E3 daquele ano. O lançamento foi em 22 de novembro.

Uma pessoa.

Em termos de hardware, ele carrega uma CPU Xenon da IBM, com 3,2 Ghz de processamento, além de uma GPU chamada Xenos, da ATI, e 512 MB de RAM. O armazenamento interno do modelo original chegava a 250 GB, sem contar cartões ou discos externos. Ele era vendido em “pacotes”, com diferentes acessórios e configurações. Tinha o Core, que era a versão mais básica; o Arcade, com cinco títulos da Live Arcade e cabo HDMI; e também o Elite, com HD parrudo e acabamento em preto, com controle e headset, além de outras alternativas.

As luzes da morte

E claro que a gente não pode deixar de falar dos problemas técnicos que assombraram por anos os modelos de 360, assim como o PlayStation 3 também teve uma série de falhas e decisões estratégias erradas em hardware. Nesse caso, o mais famoso de todos os erros foi o das três luzes da morte ou o anel vermelho da morte, nas traduções diretas pro português. Esse era o código visual nas LEDs do console que indicavam um erro normalmente fatal.

Um console.

A Microsoft levou vários meses pra entender que aquele era um problema global, e como medida preventiva aumentou a garantia dos modelos destravados e trocar unidades quebradas. Foi um enorme prejuízo financeiro e também de imagem pra Microsoft, que consertou parcialmente o problema com versões atualizadas do 360 com a placa Jasper. O consumidor só ficou seguro mesmo lá por 2010.

Grande evolução

Mas falando dos elogios, e eles foram muitos, o controle do 360 tinha ótimo visual e ergonomia, considerado “definitivo” especialmente pra jogos de tiro em primeira pessoa. Ele até virou uma ótima alternativa pra ser usada no PC. A dashboard do console foi modificada e ganhou uma série de atualizações, incluindo a New Xbox Experience, em 2008, e outro redesign em 2010.

A Live também teve novidades. Pra começar, veio o sistema de gamerscore, que são as conquistas e a contagem de pontos em forma de G. Já o plano gratuito mudou de nome e passou a ser conhecido como Silver, ou prata, além da paga, que é a Gold. Aliás, o esquema Games with Gold, que traz uma seleção sem custo adicional de jogos mensais, começou em julho de 2013.

Uma captura de tela.

E a Microsoft anda teve o app mobile SmartGlass, uma espécie de controle pras opções multimídia e de entretenimento, desativado só em 2018. Vale lembrar que desde 2010 o chefe da divisão que incluía o Xbox era Don Mattrick, e Larry Hryb, o Major Nelson, também já era chefe de programação da Live.

Em 2010 sai o Kinect, que começou chamado de Project Natal e tem como mentor o brasileiro Alex Kipman. O sensor de movimento influenciou muitos projetos, movimentou vários sucessos de venda, como Just Dance e o próprio Kinect Adventures, mas infelizmente nunca foi levado ao máximo do potencial. Ele também contou com vários acessórios, incluindo um leitor pra HD-DVD, que não deu certo porque a mídia morreu.

Uma captura de tela.

O marketing de novo foi agressivo, com comerciais criativos e aquela pegada de ser algo extremo. Ele vendeu mais que o triplo do anterior e foi um sucesso no geral, mas novamente não foi o mais vendido da geração, perdendo pro Wii. No Brasil, o sucesso é absurdo: segundo a Pesquisa Game Brasil, em 2018 o 360 ainda era a plataforma mais popular do país, presente na casa de 32% dos brasileiros donos de um console.

A pirataria e o baixo preço em relação ao Xbox seguinte, assim como no caso do PlayStation 2, foram essenciais pra isso, mas o sucesso na legalidade também foi bem alto.

Um dos nomes mais famosos desse período é o de Peter Moore, que entre 2003 e 2007 supervisionou o setor. Ele tinha uma forma, digamos, não ortodoxa pra anunciar datas de lançamento e novos jogos.

Os jogos de destaque incluem o sucesso de Gears of War 1 e 2, Halo 3 e Halo 4, Call of Duty nas séries Modern Warfare e Black Ops, Fable 2, a franquia GTA, Forza Motorsport 2 e 3, Left 4 Dead e muito, mas muito mais, já que não citamos aqui os multiplataforma e também os indie games, que eram cada vez mais numerosos e ganhavam atenção especial na plataforma.

Um console.

Em termos de versões alternativas, vieram o menor e mais barato Xbox 360 S em 2010 e o Xbox 360 E em 2013, ainda menor e pra quem ainda não queria saltar de geração. O console ainda tem uma retrocompatibilidade parcial com jogos do Xbox e a popularidade foi tanta que a produção de novos modelos só acabou em 2016.

O Xbox One

O terceiro console da família foi apresentado em 21 de maio de 2013 e se chamou... Xbox 720? Não, nada disso! É o Xbox One, com processamento da AMD, leitor de Blu-ray e um visual mais sóbrio. Ele foi lançado em novembro do mesmo ano e chegou nessa data também no Brasil, que já era uma das grandes comunidades da marca Xbox.

A ideia não era apenas reproduzir jogos, mas sim ser um dos principais eletrônicos da sala e uma verdadeira central de entretenimento. Ele tinha comandos de voz e a interface teve um novo redesign pra ficar ainda mais intuitiva e parecida com o que era feito com o Windows na época.

Um console.

Entre os controles, a versão normal é uma evolução do modelo do 360 com melhor ergonomia e alguns botões alterados, como Menu e View, e mais respostas táteis nos gatilhos. A Microsoft ainda lançou o Elite Wireless Controller em 2015, um modelo profissional e modular, e o Adaptive Controller de acessibilidade, incrível pra jogadores que apresentam alguma deficiência. Mas, com tanta coisa chegando, uma foi aposentada. O Kinect até ganhou uma nova versão, mas era cada vez mais deixado de lado e foi descontinuado em outubro de 2017.

E a Microsoft não deixou de deslizar nessa geração. Na conferência de revelação do console na E3, virou piada a quantidade de menções a esportes e TV em vez de games. Além disso, o Xbox One inicialmente teria restrições a jogos usados ou emprestados e travas de região, com os títulos vinculados a cada conta da LIVE. Você ainda teria que deixar o console online a cada 24 horas pra sincronizar informações. Tudo isso foi revisto depois de muitas críticas e uma zoeirinha da Sony.

Isso sem contar a alta quantidade de cancelamento de exclusivos, como Scalebound e Fable Legends, ou adiamentos, como Crackdown 3 e Mech Warrior 5. Não ter tantos exclusivos virou arma pra fãs mais radicais de Sony ou Nintendo, mas essa briga é cada vez mais sem sentido porque a estratégia da Microsoft tem sido outra.

A mudança de rumo

Pois é, aqui a gente precisa falar da mudança de rumo que a empresa começa a tomar bem na época do Xbox One, e que afeta o console. Desde o começo dos anos 2000, a empresa não chegou a entrar em crise, mas começou a errar mais que o normal em uma série de setores e tava sendo passada pra trás. É aí que entra a figura de Satya Nadella, CEO desde 2014, que tomou decisões polêmicas como deixar o Windows Phone em segundo plano. Ele apostou cada vez mais em serviços, e não só em produtos, além de apostar na nuvem.

Satya Nadella.

Isso refletiu em muitas novidades no Xbox One, incluindo o Play Anywhere, que é a possibilidade de jogar exclusivos também no PC; o Game Pass, que é um programa de assinatura que garante descontos; e um catálogo inteiro de jogos, incluindo vários lançamentos.

Já o Xbox All Access, pacote que inclui Live, Game Pass e o Console, foi anunciado em 2018.

A nuvem é cada vez mais usada, seja pra armazenar conteúdo ou ajudar com servidores. E o esquema de retrocompatibilidade foi melhorado, com muitos títulos já disponíveis e a biblioteca sempre aumentando, sendo uma ótima chance pra quem nunca teve contato com a geração anterior ou só quer reviver bons jogos. E em 2018 ela voltou a encher o carrinho com estúdios, como a Undead Labs, a Ninja Theory e Compulsion Games, indicando que teremos projetos exclusivos em breve.

Voando alto

E tudo isso se provou muito acertado. O Xbox One foi o maior lançamento da história do Xbox, com mais de 1 milhão de unidades vendidas em menos de 24 horas. Forza Motorsport 5, Dead Rising 3, Ryse: Son of Rome e Killer Instinct foram os jogos de lançamento.

Com o tempo, vieram outros grandes títulos, tipo Halo 5, o PUBG, a série Forza Horizon, mais Gears of War e muito, muito mais, sem contar os títulos multiplataforma.

E a gente também precisa falar aqui do executivo que é o sinônimo de Xbox há alguns anos. Phil Spencer tá na empresa desde 88 como estagiário, foi subindo e virou vice-presidente da divisão de jogos da empresa, respondendo diretamente ao CEO. Figura carismática e animada, ele é o host das conferências e presença frequente no Twitter, seja pra falar com a galera ou até parabenizar rivais por grandes conquistas. A gente teve o privilégio de entrevistar ele na BGS de 2017 e o papo, ó, ficou demais.

O Xbox One ganhou duas versões especiais. O Xbox one S, de agosto de 2016, é a versão branca e slim do console. Mais barata, mas com leitor de Blu-Ray em 4K, HDR 10 e Dolby Atmos.

Jogos.

E claro que tem a versão turbinada, o Xbox One X, de junho de 2017. Ele nasceu com o codinome Scorpio e ficou um tempão como rumor, até ser finalmente apresentado primeiro na parte técnica, depois no visual cinza grafitado. São 6 teraflops, 12 GB de RAM GDDR5 e processador x86 com clock melhorado, também com os recursos a 4K, HDR e Dolby Atmos. Se você é fanático por especificações técnicas, esse é o console pra você. E agora já começam a falar na próxima geração, com ainda mais foco em digital, mas a gente para por aqui.

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Essa é a história do Xbox, que foi de uma pequena divisão da Microsoft, pra uma das maiores fontes de renda e respeito da empresa, que conquistou todo um novo público e mostrou que havia espaço pra mais um console no mercado. Se você quer a história de uma empresa, produto ou serviço, é só deixar o seu comentário. Aproveita pra se inscrever nos dois canais, dar o joinha, tocar no sininho e conferir no TecMundo e no Voxel o melhor do conteúdo em tecnologia e games. Até a próxima!