A insistência da Microsoft em integrar inteligência artificial em praticamente todos os seus produtos rendeu um apelido carinhoso nas redes sociais: “Microslop”. O termo ganhou popularidade recentemente como expressão de desagrado de parte do público com a adoção considerada excessiva da tecnologia no ecossistema da empresa.
“Microslop” surge da aglutinação entre “Microsoft” e “slop” (“lixo”, em tradução literal), palavra que passou a ser associada a conteúdos digitais de baixa qualidade gerados por IA. A expressão se tornou comum à medida que ferramentas automatizadas passaram a inundar a internet com textos, imagens e vídeos pouco refinados.
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O debate ganhou ainda mais tração após o CEO da Microsoft, Satya Nadella, publicar um artigo defendendo que 2026 será um ano decisivo para a inteligência artificial. No texto, o executivo afirmou que o público deveria “superar o conflito entre imprecisão e sofisticação” no setor — usando justamente o termo “slop”, o que acabou servindo de combustível para a reação nas redes.
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A escolha da palavra não passou despercebida. Embora a tradução literal não se encaixe perfeitamente no contexto do artigo, o termo já carrega um significado negativo no imaginário digital atual, associado à produção em massa de conteúdo automatizado e de baixa qualidade. Não demorou para que usuários elevassem “Microslop” aos assuntos em alta no X.
Microsoft e o mergulho de cabeça em IA
A Microsoft investe bilhões de dólares na OpenAI há anos, em uma parceria estratégica que se estende desde a década passada. O Copilot, assistente virtual integrado ao Windows e a outros produtos, é alimentado por GPTs (grandes modelos de linguagem da OpenAI), enquanto a infraestrutura é sustentada majoritariamente pela plataforma Azure.
Talvez, para fazer o investimento valer a pena, a companhia liderada por Satya Nadella aposta pesado na tecnologia. O Windows 11 é um dos exemplos mais evidentes dessa estratégia, ao inaugurar a categoria de PCs Copilot+, com funcionalidades exclusivas baseadas em inteligência artificial.
O problema, segundo críticos, é que muitas dessas adições não correspondem às demandas do público ou acabam recebendo prioridade em detrimento de melhorias fundamentais na experiência do usuário. Atualmente, o Copilot está presente de forma nativa em diversos programas da Microsoft, e a tendência é que sua atuação — junto de novos “agentes” de IA — se expanda ainda mais, e os bugs continuam se acumulando.
Somado a isso, o fim do suporte ao Windows 10, em outubro de 2025, também prejudicou a percepção pública da empresa. A migração forçada para o novo sistema, aliada a requisitos mínimos mais rígidos e a recursos indesejados, colocou a Microsoft no centro de diversas controvérsias.
Reação do público
A insatisfação dos consumidores não se limita a críticas diretas. Parte do protesto ganhou formas criativas, como a extensão para Chrome chamada “Microsoft to Microslop”, que substitui automaticamente o nome da empresa pelo apelido pejorativo em páginas da web.
Embora a inteligência artificial seja amplamente adotada e defendida por grandes empresas, o tema segue cercado de polêmicas. Entre os principais pontos levantados por críticos estão o alto consumo de recursos naturais por data centers, o impacto em empregos tradicionais e a concentração de capital nas mãos de poucas companhias que dominam o setor.
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