Fire Festival 2018: futebol e tecnologia, canal Me Poupe, Blizzard e mais

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O Fire Festival 2018, que aconteceu na semana passada em Belo Horizonte, reuniu vários nomes do marketing digital em um evento que une tecnologia, cultura pop e empreendedorismo. O TecMundo participou de mais uma edição, a convite dos organizadores da Hotmart, e conversou com alguns dos convidados especiais — e com o público — para saber mais sobre o mercado.

Diogo Kotscho - Orlando City

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Diogo é vice-presidente de comunicações do clube estadunidense de futebol Orlando City, do empresário brasileiro Flávio Augusto Silva. Em quatro anos de MLS, o investimento inicial de US$ 200 milhões já rende frutos, pois a agremiação já tem sua marca avaliada no mercado em US$ 500 milhões.

Parte desse sucesso está vinculado ao fato de uma mudança de mentalidade sobre o que é o Orlando City: ao invés de enxergá-lo como um clube tradicional de futebol, é visto como uma companhia de tecnologia, como o Uber, por exemplo. “Não acredito que exista um clube tão tecnológico quanto o Orlando City. Até nosso estádio é 100% eletrônico, não sequer um papel por lá. A coleta de dados que fazemos, nunca vi nenhuma empresa esportiva fazer. Controlamos todo mundo que entra no estádio, temos o cadastro de cada uma pelas redes sociais, com o uso de um app. Sei as interações que eles fazem com a gente e os padrões de consumo de cada um e até onde se senta, o que consome e como ele consome.”

Nosso maior público é millenial, eles já estão nessa plataforma e sequer sabem o horário que passam atualmente as séries de TV — consomem tudo on-demand

Grande parte da receita dos próximos anos deve vir com o streaming das partidas, que faz muito sucesso entre o público feminino. Uma realidade que Diogo projeta chegar no Brasil em breve, por enquanto não agora, devido às limitações de conexão. “O Brasil vai depender de infraestrutura, que infelizmente é ainda muito inferior que nos Estados Unidos — isso já está acontecendo por lá. Não tenho dúvida nenhuma, e isso é uma opinião minha, que em pouquíssimo tempo a nossa receita de TV vai vir do streaming. Nosso maior público é millenial e eles já estão nessa plataforma. Uma pessoa de 18 anos por lá, ela não tem TV e nem assina jornal — ela só fica online e não sabe os horários que passam as séries, tudo é on-demand.”

“As duas únicas coisas que fazem as pessoas ligarem as TV são os esportes ao vivo e o noticiário. Mas quando isso passar para o streaming, com a qualidade que temos nos Estados Unidos, elas nem mesmo vão precisar mais ligar as TVs.”

Nathalia Arcuri - Me Poupe

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Criadora do maior canal de finanças do mundo no YouTube, Nathalia conta com 1,5 milhão de inscritos e é vista por mais de 8 milhões de pessoas por mês, falando sobre dinheiro — e a falta dele —, justamente em um momento de crise. “Temos um cenário ruim que há muito tempo não tínhamos, com 3 milhões de brasileiros desempregados. Acho que a crise é ruim para todos, mas por outro lado ela deu uma chacoalhada que todos precisávamos, porque estávamos em uma realidade boa “maquiada”.  Um acesso ao crédito que as pessoas não foram preparadas para ter, financiamentos que as pessoas não souberam lidar e cartões de crédito que não sabem usar… Então hoje estamos vivendo as consequências disso. Hoje as pessoas estão muito pior do que estariam se não tivessem consumido e comprado tanto.”

“O Me Poupe! surgiu justamente nesse momento, por uma coincidência feliz. O meu apelo é muito mais para o lado de investir, educar-se para ter, comprar à vista e para mudar o mindset coletivo. As pessoas buscam fórmulas mágicas e comigo elas não encontram. Elas aprendem a se planejar e a ter metas — elas percebem que não há milagres e se elas não fizerem suas partes, nada vai mudar. Apesar de ser um pouco rígida, o público entende que se não for assim, não vai acontecer.”

A maioria nem sabe o que é fintech e muito menos que existem soluções mais baratas para crédito

A chegada das fintechs trazem um certo frescor para o panorama atual, mas ainda assim por enquanto não é para todos. “Evoluí junto com o mercado e ainda estamos engatinhando com a chegada das fintechs. O Brasil ainda é dominado por algumas poucas instituições financeiras. Uma minoria ridícula tem acesso ao que as fintechs podem oferecer, que proporciona uma entrada muito mais democrática a bancos e investimentos. A maioria nem sabe que existe ou o que é ‘fintech’, muito menos que existem soluções mais baratas para crédito. Muita gente que tem pouco dinheiro, pagando dívidas com juros muito altos, sequer sabem que existem fintechs por aí oferecendo juros mais baixos. Vejo a chegada das fintechs com muita empolgação, mas ainda muito descontente com o cenário atual, que está longe de ser o ideal.”

“O Me Poupe tem potencial para ser muitas coisas, além do já é hoje: uma plataforma de entretenimento financeiro que lida basicamente com conteúdo. Hoje percebo que podemos evoluir dentro da área de educação e de produtos financeiros acessíveis. E esses são os próximos passos.”

Daniel Kawano - Blizzard

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Relações Públicas e gerente de licenciamento, Daniel trouxe para o Fire 2018 um pouco mais de informações sobre o crescente mercado de eSports, para um público mais amplo. “Vim falar sobre algo que não é assim uma novidade, mas que o público em geral tem muita dificuldade de se conectar.”

Os games não são nicho mais, são parte do entretenimento, como o cinema ou uma série de TV

Para Daniel, os entusiastas estão aprendendo que os games não são algo para poucos. Os games são parte do entretenimento. É como o cinema ou uma série de TV e as pessoas passam bastante tempo consumindo esse conteúdo. Sentimos então a necessidade de expandir os universos para que tenhamos livros, quadrinhos, curtas animados e outras formas de se conectar com as pessoas sem que elas tenham que jogar. Hoje é possível você saber o que acontece no universo do World of Warcraft sem necessariamente jogar — basta gostar de ler. O game não é mais um nicho, é um entretenimento.”

E qual é a participação da audiência tupiniquim nesse mercado?O Brasil hoje, não somente para a Blizzard como também para outros players, está entre os 10 mercados mais importantes do mundo. Em levantamentos recentes, vemos o Brasil entre os três primeiros em termos de audiência, perdendo somente para a China e para os Estados Unidos. Tem um potencial gigantesco e todo mundo tem interesse em se conectar.”

“A Blizzard também vê isso e o investimento que fazemos é diferente de outras produtoras porque atuamos em várias frentes. Há muitas oportunidades para você atualmente se tornar um jogador profissional ou de se conectar nesse mundo do eSports. Temos Starcraft, World of Warcraft, Hearthstone, Heroes of the Storm e Overwatch. E não fica só na possibilidade de se tornar jogador ou se conectar com esse universo, mas também dá até para virar narrador, comentarista, entre outras coisas. Vários dos nossos talentos hoje ou que estão no mercado surgiram dessas iniciativas.”

Fala galera! E o que o público achou do Fire Festival 2018?

Foram mais de 2,5 mil pessoas em três dias de evento em Belo Horizonte, com gente da adolescência até a melhor idade. Falamos com alguns deles para saber o que eles acharam do evento.

Leonardo Assis - participante

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O ano passado fiquei sabendo do evento mas não era muito do núcleo de empreendedorismo. Tenho um amigo que começou a me mostrar o e-commerce e como vender infoprodutos. Procurei saber mais sobre plataformas como a Hotmart e quando fiquei sabendo que esse é um evento deles, não poderia perder.

Quem mais quero ver é o Érico Rocha e o Mairo (Vergara). Também via a do Picinini e a do João Pedro Resende. Está tudo muito legal. Saindo daqui quero aprimorar minhas estratégias de marketing e vender mais realizar mais conversões no minha plataforma de marketing de influenciadores.

Aline Baltazar - participante

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Sou dentista e tenho um infoproduto que é como ensinar os dentistas a captar mais clientes com a ajuda do marketing digital, as redes sociais principalmente. Já esse produto digital e agora preciso escalar. Vim buscar estratégias para isso e estou encontrando, principalmente com o networking, que para mim é a parte mais importante.

Dos convidados, quem mais quero ver são Mairo (Vergara), a Nat (Arcuri), o (Conrado Schlochauer), Érico Rocha, Anitta e o Murilo Gun.

Carlos Campos - participante

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Sou publicitário da Velha Guarda e vim pela primeira vez no ano passado. Saí daqui com uma certeza de que tinha que começar um negócio digital para começar a explorar esse mundo novo. Hoje já tenho esse curso online de formação para professores da infância e vim aprender como otimizar as vendas e partir para o próximo projeto.

Quem mais quero ver é a Michelle Schneider e a Anitta. Mas descobri que ao longo das apresentações você acaba encontrando alguém que não estava procurando mas pode dar aquele insight que vai fazer a diferença.

Ana Conti - participante

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Sou publicitária e trabalho com marketing digital já há alguns anos. No ano passado, já tinha a vontade de vir e participar. Os palestrantes são de empresas e startups de lugares muito conhecidos. É difícil você encontrar tanto conhecimento junto em um mesmo lugar.

Quem mais eu quero ver é a Anitta, a Nat Arcuri, a Daniele Noce, o pessoal do Google, a Michelle do LinkedIn e outros. Pretendo aplicar na empresa que trabalho hoje, quanto com meus clientes, como freelancer — tenho uma empresa de consultoria de marketing e design. Como muita gente trabalha com médias e pequenas empresas, que são o meu público, vou conseguir aplicar muita coisa que aprendi aqui.

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