As baterias de íon-lítio da Panasonic utilizadas nos carros elétricos da Tesla podem ter contido cobalto extraído em Cuba. Após a publicação da informação, que veio de duas fontes anônimas e foi apurada pela agência de notícias Reuters, a Panasonic afirmou que não sabia dizer com precisão quanto do cobalto utilizado em suas baterias teria vindo de Cuba.

Esse cobalto cubano teria sido extraído pela empresa canadense Sherrit, uma das fornecedoras da Panasonic. Sem citar o nome da companhia, uma porta-voz da Panasonic disse que empresa parou de trabalhar com sua fornecedora canadense. As baterias com o cobalto da Sherrit foram utilizadas nos carros Model S e Model X, da Tesla.

Um carro.Baterias com cobalto extraído em Cuba podem ter sido usadas nos automóveis Model X, da Tesla.

Utilizar o metal pode ser considerado ilegal nos EUA por descumprir o embargo imposto pelo governo americano a Cuba. Quando questionada, a Agência de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA disse que foi procurada pela Panasonic para dar orientação à companhia em relação aos tipos de transações comerciais que estão proibidas sob o embargo. O governo do país não comenta ou mesmo confirma se há uma investigação aberta para apurar o caso.

A maior parte do cobalto do mundo é extraído em minas na República Democrática do Congo, mas Cuba, Rússia, Canadá e Austrália também são fornecedores do material. Essa cadeia de produção, especialmente no país africano, já foi alvo de diversas investigações por causa das condições desumanas de trabalho, incluindo o uso de mão-de-obra infantil nas minas.

Sobre o caso, a Tesla não comentou especificamente a possibilidade de ter descumprido as sanções do governo dos EUA, mas disse que trabalha para reduzir a quantidade de cobalto utilizada em suas baterias. Elon Musk, fundador e diretor-executivo da companhia, já disse que a próxima geração de automóveis da Tesla não usaria o material.