Na terça-feira (10), Elon Musk fez um acordo com as autoridades chinesas para construir uma nova fábrica de automóveis em Xangai, a primeira fora dos Estados Unidos, que dobraria o tamanho da produção global da montadora de carros elétricos.

A construção começará logo após as aprovações e autorizações serem garantidas por parte do governo chinês, e os primeiros veículos sairão da linha de produção dentro de aproximadamente 2 anos, segundo um porta-voz da Tesla em um email. Levará mais 2 ou 3 anos para a fábrica atingir sua capacidade de construir cerca de 500 mil veículos por ano.

O acordo foi anunciado ao mesmo tempo que a Tesla aumentou os preços dos veículos fabricados nos EUA que vende na China, para compensar o custo das novas tarifas impostas pelo governo chinês — em retaliação às mais pesadas tarifas do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre os produtos chineses.

Huang Ou, vice-diretor da Comissão de Economia e Tecnologia da Informação de Xangai, disse a repórteres em uma coletiva de imprensa que o governo municipal estava engajado nos preparativos para apoiar a Tesla, que deve ser o maior projeto de investimento estrangeiro de Xangai.

Meia volta volver

A China havia anunciado ainda neste ano que tiraria os limites de propriedade estrangeira para empresas que fabricam veículos totalmente elétricos ou híbridos em 2018 e para todas as automotivas até 2022. A decisão marcou uma grande mudança de política no maior mercado de carros do mundo, a qual limita a propriedade estrangeira no setor em 50% há mais de duas décadas.

A Tesla parece estar seguindo a Harley-Davidson na elaboração de planos para se expandir fora dos EUA, de forma a burlar as tarifas impostas diante das crescentes disputas comerciais de Trump. Enquanto as ações da fabricante de motocicletas caíram em meio a ataques do presidente, os planos de Musk até agora evitaram controvérsias.

A montadora quer expandir sua capacidade e atingir mercados globais de maneira mais eficiente. Musk afirmou há mais de 2 anos que esperava que a Tesla produzisse mais de 500 mil veículos em 2018 em sua única fábrica de montagem de carros em Fremont, Califórnia, mas a empresa está bem fora desse ritmo por causa do início lento do Model 3. Foram construídos cerca de 88 mil veículos no primeiro semestre deste ano, para se ter ideia. 

Às 14h (de Brasília) da última terça-feira (10), as ações da montadora subiam cerca de 1,2% em Nova York, mesmo com alguns analistas questionando como a empresa obterá o capital necessário para construir e contratar funcionários para uma fábrica tão grande como essa. 

A líder em carros elétricos também tem uma fábrica de baterias gigantes em Nevada. Depois de avançar na China  o maior mercado mundial de veículos elétricos —, Musk afirma que vai revelar planos para o final deste ano visando construir uma fábrica na Europa.

Aumentar antes a produção em Fremont é fundamental para que a Tesla seja capaz de se sustentar financeiramente. Ela fabricou 5.031 Model 3s na última semana do segundo trimestre, atendendo a uma meta que Musk definiu como crucial para gerar caixa e obter lucro. Segundo o CEO, a companhia não precisará levantar mais dinheiro neste ano, o que vai bem na contramão do que andam comentando os analistas.

"A maior questão para os investidores é como eles vão pagar por isso", disse Ben Kallo, analista da Robert W. Baird & Co., em uma entrevista à Bloomberg Television.

De acordo com informações divulgadas pelo próprio Musk em novembro do ano passado, a Tesla provavelmente fabricará o sedã Model 3 e o próximo Model Y na China — em vez dos mais caros Model S e Model X, que costumam ser vendidos por mais de US$ 100 mil nos Estados Unidos.

A pergunta que não quer calar é: será que esses veículos "de entrada" fabricados na China resultarão em um melhor custo-benefício para nós, brasileiros?