O que você faria se tivesse a grana de Jeff Bezos, fundador e CEO da Amazon, dono de uma fortuna avaliada em US$ 130 bilhões? O próprio empresário respondeu a essa pergunta durante uma entrevista, mas o resultado não parece ter sido muito positivo para a imagem dele ou da própria empresa.

Durante a conversa com o site Business Insider, Bezos foi questionado sobre como gastava o próprio dinheiro. Ao formular a pergunta, o entrevistador citou Bill Gates como exemplo de alguém que procura usar sua fortuna de maneira eficientefazer o bem para mais pessoas. No entanto, o responsável pela Amazon parece não ter percebido a oportunidade levatanda para falar em filantropia.

“A única forma que eu vejo de utilizar todo esse recurso financeiro é convertendo meus ganhos com a Amazon em viagens espaciais. Em resumo, é isso. A Blue Origin é cara o bastante para conseguir usar toda essa fortuna. Eu estou liquidando US$ 1 bilhão por ano de ações da Amazon para financiar a Blue Origin”, disse Bezos. Ele se refere à companhia de exploração espacial que recentemente realizou seu teste mais bem-sucedido até agora, lançando o propulsor reutilizável BE-3 a uma altura de 107 quilômetros.

Um foguete.Lançamento de testes de foguete da Blue Origin.

A resposta não agradou em nada muita gente que questionou a prioridade nos gastos do bilionário. Afinal, enquanto Bezos pretende gastar a fortuna com algo que ele admite ser apenas um passatempo caro, a Amazon é denunciada pelas péssimas condições de trabalho e baixos salários oferecidos aos funcionários.

Em abril, um escritor infiltrado em um depósito da empresa relatou ter visto trabalhadores que urinavam em garrafas de plástico durante o expediente. Tudo isso para não precisar fazer pausas indo ao banheiro e possivelmente comprometer as metas diárias de produção, que sobem todos os anos e podem chegar a exigir o empacotamento de 120 produtos por hora.

Ainda durante a entrevista, Bezos falou que ficou impactado ao conhecer um abrigo para pessoas que perderam as casas na cidade de Seattle e disse não ser contra a filantropia voltada para o longo prazo, mas também não chegou a se comprometer com a questão. O foco está mesmo na exploração espacial e, nas palavras dele, garantir um mundo com recursos ilimitados que possa ser aproveitado pelos bisnetos dos seus bisnetos.