Na última quarta-feira (6), a Fundação Bill & Melinda Gates anunciou o projeto Child Health and Mortality Prevention Surveillance Network (CHAMPS), uma rede voltada que visa monitorar doenças em países pobres. O projeto também inclui o CaDMIA research, a criação e a aplicação de equipamentos e métodos alternativos destinados a realizar autópsias minimamente invasivas em crianças para diagnosticar especificamente as causas de mortalidade infantil.

Com uma doação inicial de US$ 75 milhões, a fundação planeja implementar equipes em seis países diferentes. Em pouco tempo, é esperada uma expansão para cerca de 25 países, entre eles alguns asiáticos e africanos. A rede inclui os Centros de Controle de Doenças (CDC) dos Estados Unidos e o Instituto de Saúde Global da Universidade de Emory.

Atualmente, perde-se bastante tempo até que a Organização Mundial de Saúde (OMS) e as outras instituições do gênero recebam relatórios sobre possíveis surtos e investigem os casos para avaliar a situação, o que pode levar dias e até semanas.

Por isso, os grupos de viligância vão ficar encarregados de coletar informações sobre onde, como e porque as crianças estão ficando doentes e morrendo. Além disso, todos vão estar aptos para detectar surtos de doenças, treinar e capacitar voluntários e realizar tratamentos.

Procedimentos delicados

Até o momento, o que foi divulgado sobre os procedimentos envolve o delicado trabalho dos profissionais encarregados de investigar de perto a morte das crianças. Parte da tarefa consiste em visitar as famílias o mais rápido possível após o falecimento do menor para conversar e obter informações sobre os sistomas apresentados.

Com a permissão dos pais, eles devem fotografar os corpos, coletar amostras dos orgãos internos usando agulhas especiais e enviar os dados para o Centro de Controle de Doenças ou para um dos laborartórios da Organização Mundial de Saúde para que biópsias sejam feitas com o objetivo de verificar a causa da morte.

Este metodo é baseado no trabalho feito pelo Centro de Barcelona para Pesquisa em Saúde Internacional financiado pela própria Fundação Gates. No Quênia, este tipo de autópsia já vem sendo feito há algum tempo, e o procedimento também deve ser implementado na África do Sul e em Bangladesh.

O modelo em questão é defendido abertamente pela OMS, pois a necropsia comum, além de ser extremamente invasiva, é muito cara e exige também um cirurgião especializado, sem contar que em vários países a prática é proibida por motivos culturais e/ou religiosos.

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