Não é segredo para ninguém que a Amazon vem investindo em logística para venda e entrega direta de seus produtos no Brasil. E agora, informações de bastidores, flagradas por duas fontes quentes da Reuters, não só confirmam os rumores como também colocam a companhia aérea Azul na jogada.

A sede da Azul, no Aeroporto Internacional de Viracopos, fica a cerca de 45 minutos de carro do armazém que a Amazon está de olho, no noroeste de São Paulo

Todo mundo sabe que a distribuição por aqui é um dos maiores desafios para qualquer empresa, seja por conta das estradas esburacadas e alto custo com pedágios e combustíveis, pelos problemas de segurança ou pela própria extensão do país — todas essas coisas oferecem barreiras maiores do que a Amazon enfrenta nos Estados Unidos. Mas o mercado tupiniquim é peça-chave para a gigante varejista conquistar a América Latina e a Azul poderia conferir acesso a uma rede de mais de 100 aeroportos no Brasil.

A Azul acumulou uma participação de 18% nas viagens aéreas domésticas ao longo da última década,  ao usar jatos regionais e aviões turboélice em cidades carentes de outras operadoras. Além disso, o serviço de cargas Azul Cargo Express otimiza a capacidade extra de seus voos de passageiros para levar remessas rápidas a locais que vão desde postos avançados da Amazônia até os principais centros metropolitanos.

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A companhia oferece embarques para mais de 3,2 mil municípios e conta também com o e-commerce especializado, o Azul Cargo E-Commerce. Sua sede, no Aeroporto Internacional de Viracopos, fica a cerca de 45 minutos de carro do armazém que a Amazon está de olho, no noroeste de São Paulo. A suspeita de que há algo grande envolvido entre as duas empresas aumenta ainda mais depois que a Azul anunciou o aluguel de duas aeronaves da Boeing “para apoiar o rápido crescimento de sua unidade de negócios de carga”, na semana passada.

Por enquanto, a Amazon estaria falando exclusivamente com a Azul, sem aproximação junto à Latam Airlines e à Gol. A Azul não declarou nada oficialmente a respeito disso e o grupo norte-americano se limitou a dizer que “não comenta rumores ou especulações”.

Amazon vem buscando crescimento desde 2012

A gigante varejista de Jeff Bezos chegou por aqui em 2012, inicialmente com vendas de e-books para o e-reader Kindle. Dois anos depois, passou a oferecer publicações físicas e em outubro de 2017 abriu o marketplace para produtos eletrônicos de terceiros.

Em fevereiro deste ano, a própria Reuters descobriu que a Amazon vinha procurando por um depósito de 50 mil metros quadrados, próximo a São Paulo, para armazenar seus itens e facilitar a logística. Em março, relatos de bastidores também deram conta de encontros entre executivos para alinhar a venda direta de estoques de fabricantes da capital paulista.

De acordo com relatórios do Webshoppers37 e do Ebit, o faturamento do e-commerce nacional em 2017 foi de R$ 47,7 bilhões, um crescimento de 7,5% em relação a 2016, quando alcançou R$ 44,4 bilhões. A expectativa para esse ano é de aceleração na alta, com previsão de R$ 53,5 bilhões, um acréscimo de 12%. Com maior distribuição da Amazon, pode ser que esse números aumentem e até mesmo as ações dos concorrentes — Magazine Luiza, B2W Digital (Submarino, Shoptime e Americanas.com) e Mercado Livre — vêm caindo, em razão dessa possibilidade.