A fintech brasileira Nubank está prestes a iniciar uma briga contra nada menos que cinco dos maiores bancos brasileiros. Isso porque a companhia entrou com um requerimento contra Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander no órgão antitruste brasileiro Cade.

Todos eles, segundo a revista Exame, teriam sido denunciados por “supostas infrações à ordem econômica ao prejudicar a livre concorrência no mercado de emissão de cartões de crédito e exercer de forma abusiva posição dominante”, erguendo barreiras que dificultam a atividade de novas empresas no mercado de emissão de cartões de crédito.

Para tal eles estariam, por exemplo, dificultando para a Nubank a contratação de vários serviços bancários necessários, indo de débito automático e extrato intraday a serviços de banco liquidante. Além disso, eles estariam restringindo o acesso a informações essenciais, como a identificação de remetente de recursos.

Gigantes do mercado de emissão de cartões estariam erguendo barreiras para dificultar a contratação de serviços essenciais para novos bancos

A Nubank também teria feito uma denúncia específica contra o Itaú, dizendo que ele estaria praticando assédio contra funcionários importantes de sua empresa. Relatos feitos no documento afirmam que um analista sênior do Itaú enviou mensagens para nada menos do que 11 empregados da Nubank no período de dez dias; em todas elas, sugerindo que encaminhassem seu currículo.

O que pode acontecer?

Visto que todos os alvos dos emails seriam desenvolvedores com conhecimento de tecnologias proprietárias da Nubank, a companhia acredita que isso tem como objetivo enfraquecer um ponto essencial para a nova competidora.

A Nubank acredita que isso tem como objetivo enfraquecer um ponto essencial para a nova competidora

Em um comentário sobre o caso, a Nubank declarou acreditar na importância de um mercado livre para que possamos escolher que serviço consideramos é melhor. “Por isso, confiamos que as autoridades reguladoras continuarão a proteger e a estimular a competitividade no setor, garantindo que novos entrantes continuarão a ter espaço para inovar e oferecer mais e melhores opções para as pessoas”, afirmou um porta-voz.

Já o Itaú respondeu sempre se pautar na livre iniciativa, além de ver a competição como algo positivo. “O banco refuta qualquer acusação de promover barreiras que dificultem a atividade de novos agentes de mercado e acrescenta que apresentará sua manifestação ao órgão de concorrência no devido prazo, confiante de que suas condutas serão consideradas legítimas.”

O Cade entendeu que há questões a serem avaliadas e abriu um inquérito a respeito do tema.

O posicionamento da Nubank

A companhia enviou ao TecMundo um comunicado oficial com o posicionamento da marca a respeito da representação.

“Na Nubank, acreditamos que ter um mercado livre e competitivo garante que as pessoas tenham a liberdade de escolher os melhores serviços para elas, independente de qualquer restrição que o mercado imponha. Por isso, confiamos que as autoridades reguladoras continuarão a proteger e a estimular a competitividade no setor, garantindo que novos entrantes continuarão a ter espaço para inovar e oferecer mais e melhores opções para as pessoas.”

Posicionamento do Itaú

"O Itaú Unibanco, em seus mais de 90 anos de história, sempre se pautou pela livre iniciativa e entende que a competição é positiva não só para o sistema financeiro, mas para todo o país. O banco refuta qualquer acusação de promover barreiras que dificultem a atividade de novos agentes de mercado e acrescenta que apresentará sua manifestação ao órgão de concorrência no devido prazo, confiante de que suas condutas serão consideradas legitimas."