O mercado de smartphones no Brasil não é um passeio no parque. Um exemplo clássico dessa dificuldade foi ilustrado pela Xiaomi, uma das líderes globais no setor. Em junho de 2015, após muita expectativa, a gigante chinesa chegou ao país. E bastou um ano para que o Brasil deixasse de fazer parte dos planos de lançamentos da Mi. Não sem protestos de fãs, já que a formação de clientes fiéis foi quase a única coisa que "deu certo" para a chinesa por aqui.

Alguns meses antes, talvez com menos alarde, outra gigante asiática chegava ao mercado brasileiro. A taiwanesa Asus lançou seu primeiro Zenfone em terras tupiniquis em outubro de 2014. Peitou a líder Samsung e outras companhias que já são donas de parte relevante do mercado, como a LG e a Motorola. Hoje, é a quarta maior fabricante de Android no país. A receita para fincar a bandeira por aqui? Nas palavras de Yuri Franco, gerente de marketing da Asus no Brasil: 

"Nosso diferencial não foi investimento. Nesse mercado de smartphone é uma luta de Davi contra Golias. Tivemos que achar alternativas, às vezes pouco ortodoxas."

Em um bate-papo por telefone com o The BRIEF, o executivo revelou um pouco dessa estratégia e das ambições da empresa para 2018. De cara, ele afirma que a empresa pretende dobrar de tamanho em 2018. Esse crescimento seria levado por um aumento de 80% no atual marketshare da fabricante do Zenfone.

A meta da Asus é alcançar LG e Motorola, que se revezam no segundo e terceiro lugar em números de vendas. E começar a criar problemas para a Samsung. O plano é arrojado. Ainda mais porque, apesar de ser conhecida pelos geeks como fabricante de mais de um terço das placas mãe de todo o planeta e 3ª maior fabricante de computadores do mundo, a empresa ainda é uma novata no ramo de aparelhos celulares.

Entre estratégias "pouco ortodoxas", podemos listar eventos com superproduções (com presença de celebridades, tipo Marina Ruy Barbosa), cruzeiros para lançamento de produtos, um site chamado Asus Fanáticos, foco em investimentos de publicidade digital e um contato mais próximo com os fãs da marca. Do tipo, executivo batendo papo no Instagram para tentar resolver dúvidas dos clientes.

Asus de família

Franco aponta que, apesar de um portifólio completo, a Asus "casou bem" com o Brasil ao oferecer o popular bom e barato - por preços que não sofrem tanta flutuação quanto os da concorrrência.

Outro motivo para manter o Zenfone na cabeça dos brasileiros é aquele seu primo, sabe? Que comenta na festa sobre como o aparelho dele tem mais coisas que o iPhone da vez, só que por um preço menor? Essa abordagem ou, digamos, esse "amor ao fanboy", segundo Franco, foi um dos motivos que levaram a marca a manter seus aparelho entre os mais procurados do país.

"Apesar de muita gente até falar mal, o 'fanboyismo' ajudou muito. Conseguimos conquistar fãs da marca cedo. Aquela pessoa que mostra o Zenfone na festa e comenta 'ah, você não conhece? Você não manja nada...'"

A divisão de smartphones ainda é a terceira maior fonte de receitas da Asus, mas vem crescendo por conta do desempenho em países como o Brasil. Atualmente, o mercado daqui é o terceiro maior para a empresa taiwanesa. O desempenho já atraiu os olhares dos executivos globais para escritório do local e também levou o brasileiro Marcel Campos, para a liderança do time global de marketing da companhia.

Franco lembra que as campanhas para lançamentos recentes, como Zenfone 3 Zoom e Zenfone 4, foram assinadas por agências locais, indicadas pelo time Brasil da Asus.

Marcel CamposMade in Brazil: Marcel Campos, diretor de marketing global da Asus apresenta o Zenfone 4

Mas, só digital, mesmo?

Ok, essa estratégia de atingir e criar seguidores por canais digitais é muito legal. Em três anos, a marca investiu em um relacionamento forte com criadores de conteúdo, youtubers e publicidade digital. Mas, espera, para convencer a vó Zilda que "ainda vê TV", a Asus vai ter que ampliar seu alcance, certo?

Certo. O digital ainda é o maior foco da Asus, mas a empresa fez testes recentemente com novos formatos. Recentemente, veiculou um primeiro teste em TV fechada com o Zenfone 4, em canais como Multishow e GNT.

Gerar expectativa é outro artifício pensado pela Asus Brasil. No começo de fevereiro, quando várias empresas estão ainda na ressaca de fim de ano no quesito "lançamentos", a Asus mostrou novas versões do Zenfone 4 e promete quebrar ainda mais o timing de novos produtos.

No fim do mês,  a empresa se prepara para lançar o Zenfone 5 e, segundo Franco, tudo mais que for anunciado na Mobile World Congress pode dar as caras no Brasil, pouco tempo depois.

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Fanboys: a arma-secreta da Asus na guerra dos smartphones via The Brief