Em um evento voltado para um mercado específico, é claro que a HP iria separar alguns de seus painéis para falar sobre como a empresa vê os desafios e as oportunidades da América Latina. Foi exatamente isso que aconteceu no segundo dia do Latin America Consumer Forum 2017, com dois dos executivos da casa tecendo uma análise bastante aprofundada dessa fatia considerável do continente.

Quem abriu a conversa foi Alexandre Saab, diretor de vendas para o usuário final na região, que fez uma recapitulação rápida da atuação da companhia por essas bandas. Segundo ele, depois de alguns reveses substanciais em 2016 – com perdas consideráveis principalmente no segmento de PCs –, 2017 está se mostrando um ano bem interessante para a marca. “Mas com certeza ele deve ser pior que 2018”, brinca o executivo.

A região nunca foi conhecida por seguir 100% das regras

O bom-humor tem fundamento, uma vez que o PIB médio da América Latina vem crescendo de 1% a 1,3% quando comparado com o período passado. Para 2018, a previsão é o dobro disso. Isso, porém, não significa que a indústria latino-americana não pode surpreender analista e investidores – para melhor e para pior. “A região nunca foi conhecida por seguir 100% das regras, não é? Mas, seja como for, é uma perspectiva bastante positiva”, acredita.

Passado, presente e futuro

Para Marcos Razon, vice-presidente e diretor-geral da HP na América Latina, o que deve mudar com esse cenário mais próspero levantado por Saab é a capacidade da empresa se organizar em ações locais. “A flutuação violenta do mercado latino-americano em 2016 fez com que fosse muito difícil planejar para a região, já que as moedas estavam em seus picos mais altos e não davam margem para erro. Neste ano, tivemos um cenário bem diferente de estabilidade”, analisa.

Marcos Razon

No Brasil, acreditamos que a política e a economia estão bem separadas

O diretor vê 2018 como um ano cheio de surpresas, ainda mais levando em consideração que quatro países bem expressivos desse mercado terão eleições presidenciais na mesma época: México, Colômbia, Chile e Brasil. Por falar nisso, Razon revela que a HP tem motivos fortes para investir com mais afinco na nossa terrinha novamente. “No caso do Brasil, acreditamos que a política e a economia estão bem separadas. Prova disso é que, durante as investigações do presidente Temer, o real não flutuou como quando se discutia o impeachment de Dilma”.

Também não é difícil entender a insistência da companhia na América Latina mesmo com alguns tropeços pelo caminho, bastam alguns números nada humildes. “No mercado de computadores e impressoras, somos o número um da região. A cada minuto, despachamos oito PCs e sete impressoras nesse mercado. É uma operação muito grande e que só mostra o tamanho e a importância do público latino-americano”, avalia o executivo.

Uma questão de segurança

De acordo com o material apresentado durante o painel da última quarta-feira (16), a América Latina, além de fomentar negócios, é um terreno muito fértil para os cibercriminosos. Afinal, ela condensa cerca de 60% de toda a população da América e abriga dezenas de países com realidades bastante diferentes, principalmente quando se fala em oportunidades para invasores. Atualmente, o crime digital na região causa prejuízos na casa dos US$ 445 bilhões – resultado de quase 1,5 mil grandes brechas de segurança no continente apenas em 2016.

“Por mais que seja estranho falar isso, a cibersegurança é uma força disruptiva e que apresenta um cenário claro: o mais importante é estar preparado e prevenido contra os ataques”, comenta Razon. A recomendação faz todo sentido, uma vez que casos recentes deixam claro que, uma vez que você é atacado e o seu sistema for comprometido, os custos para a operação são exorbitantes.

Segundo o executivo, muitos hackers também estão mirando na fraca proteção dos sistemas públicos para conseguir e até comercializar dados de cidadãos de cada país – algo que não é exatamente inédito ou mesmo incomum aqui no Brasil. “É preciso haver um esforço das autoridades e pressão dos cidadãos para que os governos atualizem sua rede e maquinário e se comprometam a reforçar suas políticas de segurança”, dispara o diretor.

Fora do setor governamental, a HP ainda tenta conscientizar clientes e parceiros da região a aumentar seu nível de proteção – tanto com ferramentas próprias e iniciativas diretas em cada país quanto com eventos ao estilo do LACF 2017. “Apenas 53% dos gerentes de TI percebem que as impressoras estão vulneráveis a ataques de cibercrime”, exemplifica Razon, que ainda ressalta a necessidade de as empresas contarem com um bom Chief Security Officer – responsáveis por elaborar, colocar em prática e monitorar as medidas de ciber-resiliência.

A equipe do site foi a Miami para fazer a cobertura do evento a convite da HP.

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